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Entrevista

Cansada dos boatos, Sílvia Rizzo recorda quando receou ter cancro e deixa um desabafo: "Às vezes a vida cansa"

Aos 50 anos de idade, a actriz decidiu esclarecer de uma vez por todas os rumores sobre ela, pessoal e profissionalmente. Até porque não gosta que a vejam como uma “fútil, a mulher das plásticas”. Bem resolvida, abre o coração sobre os dramas com a saúde, os filhos, o amor e até sobre assédio sexual.
Por Hugo Alves | 02 de fevereiro de 2018 às 17:05
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Aos 50 anos de idade, a actriz resolveu esclarecer todo e qualquer rumor sobre as sua vidas pessoal e profissional: até porque não gosta que a vejam como uma "fútil, a mulher das plásticas". Bem resolvida, durante uns dias na neve em Andorra, abre o coração sobre os dramas de saúde e sobre os filhos, o amor e até sobre assédio sexual.

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Silvia Rizzo Foto: Liliana Pereira

Veio a Andorra para relaxar?
É a altura em que nem sequer estou de telemóvel na mão (risos).
Está de férias, portanto?
Eu tenho aproveitado para fazer coisas. Neste momento, estou de intervalo. Não é de publicidade (risos). Mas estou com alguns projectos de que não posso ainda falar, talvez brevemente.
Sabe-lhe bem este período de pausa, ainda que alargado?
Este período na neve, sim. O resto, na realidade, nunca estou propriamente parada, porque há coisas a desenvolver. Ninguém gosta de estar parado.
Isso quer dizer que há possibilidade de entrar na nova novela da TVI, com São José Correia e Dalila Carmo?
Não sei de nada...
Esta ligação que tem mantido com a TVI terminou?
Não faço a mínima ideia. Até agora tenho mantido uma relação com a TVI, mas agora, não sei mesmo…
Estava disponível para trabalhar em outros canais?
Estou habituada a trabalhar com a TVI porque estive lá muitos anos, mas, sim, estou aberta para propostas de outros canais.
Fazem-lhe propostas?
Não tenho contrato com nenhuma estação. Houve uma ideia até agora que estava ligada à TVI, porque fiz muitos trabalhos com eles, mas não tenho ligação a qualquer estação. E, sim, já fui abordada. Mas, neste momento, gostava mesmo era de fazer teatro. Não pude fazer duas peças recentemente, por causa de timings, mas era uma coisa que gostava de voltar a fazer.
E cantar?
Também! (faz uma pausa). Vamos ver uma coisa: ao longa da vida, tenho feito várias experiências em várias áreas e o que é importante na vida, para mim, é experimentar. A mim, tem sido representar. Mas o poder ter participado em programas de dança, imitações e o Masterchef  foi muito engraçado...

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Silvia Rizzo Foto: Liliana Pereira

Não quer é estar parada…
Mas quem é que gosta? Tenho os meus momentos, claro. Mas não gosto de estar parada nem posso, porque a vida tem de andar em frente. Porque eu vivo do meu trabalho.
Assusta-a o desemprego?
Preocupa-me! Porque, como eu disse, vivo do trabalho.
Mas por si ou pelos seus filhos (António, de 20 anos, e Marta, de 18)?
Embora eles já estejam crescidos, e claro que eles se vão fazer à vida, eu não tenho nada sem ser o meu trabalho a que me agarrar. Por isso, esta preocupação.
Hoje, teme não ter dinheiro quando as contas chegam ao fim do mês?
Não. Mas já fiquei. Já vivi de todas as maneiras e feitios. Já vivi com muito e já vivi com pouco. Mas tenho a preocupação de saber gerir muito bem o que vou conseguindo construir.
Sente que tem uma carreira sólida?
Ninguém tem carreiras sólidas. Ok, muito poucos mesmo. Só se tem até se esquecerem de nós. Há quem tenha sorte, há quem venda mais... Hoje, o impacto nas redes sociais também conta muito, mas eu acho que tem a ver com o profissionalismo (pausa). Ou então é dar-se com a pessoa certa. É triste, mas é assim, em todo o lado. Faz parte da vida.
E o público?
Pergunta muitas vezes onde estou, mas é normal, porque estavam habituados há 20 anos a ver-me na televisão constantemente.

FELIZ AOS 50

Tem 50 anos. Preocupa-a a idade?
Por enquanto, não. Estou bem, tenho saúde, festejei com o meu filho os 50... Fui ter com ele, onde está a estudar, e foi muito tranquilo. Soube-me mesmo bem fazer 50. Como acho que vai saber fazer 51, porque é sinal que cá estou.
Não gostava de ter menos uns anos?
Às vezes, gostava de ter menos para fazer isto e aquilo, mas amigos, dá um trabalho chegar aqui (risos). Não é fácil e, infelizmente, não é para toda a gente.
Porque é que diz que chegar aos 50 dá trabalho?
Porque, às vezes, viver cansa. Por exemplo, posso dizer isso porque este ano que passou foi péssimo!
Como assim?
Foi pesado, tudo acontecia errado, tudo ao lado. A nível profissional, pessoal… tudo. Montes de coisas! Mas pensei quando o ano acabou: não tive nenhuma tragédia, não tive um problema grave de saúde... Por isso, decidi que tinha era que seguir em frente. Não quero é um ano igual a este. Mas, agora, estou com uma óptima energia e sinto-me excelente.
Aos 50, sente-se sexy?
Normal, como sempre fui. Acham-me sexy? (risos) Recebo muito piropos e coisas assim, mas sou relativamente imune a essas coisas. Mas fico contente de receber elogios.

Gosta de se ver ao espelho?
Sinto-me tranquila. Acho que os 50 dão-me essa tranquilidade. E vocês, que têm 20 e 30, aproveitem, porque o tempo passa rápido.
Tem cuidados consigo? Afinal, o rosto é uma ferramenta de trabalho…
Todos falam disso e vou esclarecer. Tive uma questão de saúde muito complicada, há uns anos, e perdi muito peso. Estava com suspeita de cancro. Na altura, quando esperava  uma biópsia, há uns 10 anos, alguém decidiu ajudar-me. Nem foi por mal. Decidiu ajudar-me e preencher um bocadinho do rosto (faz o gesto mostrando os contornos das bochechas). Estava sem cara porque estava mesmo muito magra e a vestir o 34. Aí, aceitei, porque achava que aquilo depois saía. Só que não saiu e aquilo fez-me muita confusão.
Não se conseguia ver ao espelho?
Não! Durante muito tempo, retraía-me. Ficava… (encolhe os ombros)
Mas muitas mulheres fazem isso para se sentirem melhor…
Mas eu queria ser como eu sou! Não me importava de ter rugas. Aliás, eu em miúda imaginava-me era com rugas. E pensava em tê-las.
Nunca fez, então, nenhuma intervenção por vontade própria?
Quem gosta de fazer por prevenção, como eu fiz há anos, tudo bem. Fiz aquilo das vitaminas, mas tendo em conta o que estava a contar antes. Por causa daquilo que me aconteceu, fiquei com uma imagem fútil, de mulher das plásticas. Não podia ser mais errado. O que eu fiz, que me fizeram, foi uma coisinha de nada, e nem foi por mal… Queriam ajudar-me. Não resultou. Se eu não trabalhasse em televisão e não estivesse a trabalhar, na altura, teria levado o meu tempo a recuperar, a voltar ao meu peso normal... Mas quando há um trabalho para fazer e há alguém que te ajuda. Na altura, fez-me muita confusão.
É contra quem faz muitas plásticas?
Nada disso. Cada um faz o que quer.
Não fez nada ao nariz?
Fiz, porque o parti. Além disso, não respirava bem, por causa do cepto nasal, que estava torto. Mas é só isso.
Falou que podia ter tido cancro. Assusta-a um doença grave?
A quem não assusta? E há cada vez mais pessoas à nossa volta que sofrem deste drama. Mas, na altura, há uns dez anos, quando me aconteceu a suspeita, lembro-me de que decidi que não ia fazer tratamentos... Uma coisa estúpida!

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Silvia Rizzo

AS DUAS PAIXÕES DE SÍLVIA

Os seus filhos, como já disse, estão a entrar na idade adulta. Está preparada para os ver voar, sair de casa?
É a vida deles. É o percurso normal. Eu fiz isso. Faz parte. Mas eles ainda vivem em minha casa (risos). Claro que, se calhar, vai ficar um vazio, mas é o percurso natural da vida e só temos de pensar que é normal e que vai correr tudo bem.
A Marta não lhe vai custar mais?
Por ser menina? Nada! Eles são ambos pessoas de um sentido de humor fantástico, bem resolvidas e inteligentes.
Se o humor for igual ao da mãe…
É óptimo! Por vezes, foi o sentido de humor que me fez agarrar à vida.
Como assim?
Quando pensei em desistir de tudo, pensei logo a seguir que não queria que eles crescessem com o peso que a mãe se tinha ido embora. Não podemos ser egoístas.

Nunca deixa de rir?
Quando estou a trabalhar, quando estou a exercer seja que trabalho for, nunca ninguém me vê maldisposta. Ninguém tem que levar com estados de espírito negativos. Faço essa gestão sozinha. Vou trabalhar, estou bem-disposta, estou ao lado de alguém também…Eu resolvo-me. Trato eu dos meus problemas.
Falámos em rir... Falemos agora em amor. Está apaixonada?
Essa pergunta para mim? Se estou apaixonada? Nada. Estou é com uma energia óptima. Mas estão a perguntar alguém em particular? Ai, amigos…
Mas há alguém?
Não vou responder a essa pergunta. Tenho duas paixões na minha vida, e é uma resposta a que já estão habituados, que são os meus filhos.
Tem sido muito discreta sempre em relação a este assunto…
E vou continuar a ser. Quando tiver que mostrar alguma coisa, também não vou esconder. Mas não vou é expor, como tanta gente faz. Embora cada um faça aquilo que bem entender e eu não tenho nada a ver com isso.
É diferente quando está apaixonada?
Só quem estiver de fora é que vai perceber. Eu não sei. Eu sou naturalmente bem-disposta.
Nos últimos tempos, algumas caras conhecidas têm revelado terem sido assediadas sexualmente. O seu nome veio recentemente a público como uma dessas figuras…
Não, não é verdade. Aconteceu uma aproximação que eu esclareci logo. Se calhar, dou um ar que, às vezes, não sou propriamente abordável. Mas considero assédio sexual quando há chantagem. Não foi, como percebem, o meu caso. E aí, sim, é perigoso e, para mim, resolve-se com uma lambada na cara.

 

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