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Goucha escreve carta aberta ao pai: "O maricas fez-se um homem"

O apresentador sofreu com a homofobia do pai que lhe chamou "maricas", quando Goucha era somente uma criança de 9 anos Apresentador da TVI queixa-se também da falta de tempo da mãe para lhe dar afeto.
Por Isabel Laranjo | 17 de julho de 2017 às 14:09
Manuel Luís Goucha é hoje um homem realizado mas a sua vida começou com o pé esquerdo. O casamento dos pais durou apenas 3 anos e o apresentador, de 62 anos de idade, não esquece um episódio traumático da sua infância.

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Naquele dia, há 53 anos, o pai foi visitar a antiga família (Goucha tem um irmão mais novo) e reagiu mal quando Maria de Lourdes lhe contou com que o filho mais velho "gostava era de teatro, de ópera, de música e bailado clássicos…".

É numa carta aberta ao pai, que publica no seu blogue, 'Cabaret do Goucha', que o apresentador de 'Você na TV!' recorda as palavras abruptas e homofóbicas do pai. "Lembras-te de como reagiste? Recordo-o, como se o tivesses acabado de dizer:'Eentão temos um maricas na família!'".


E conta ainda que, apesar da tenra idade, já se tinha apercebido que era diferente dos outros meninos, assumindo a homossexualidade. "Apesar dos tempos serem de calar a diferença, já havia percebido que eram alguns homens que faziam pulsar o meu, ainda pouco decifrável, desejo". 

A "VINGANÇA" DE GOUCHA

Aos 18 anos, Manuel Luís saiu de uma Coimbra conservadora "onde a minha mãe era apontada por ter um amante, a sua segunda relação, porque o divórcio só veio depois do 25 de Abril", revelou em entrevista à colega Cristina Ferreira, "à procura do sonho e de fazer alguma coisa de jeito na minha vida".

Subiu a pulso. Chegou a Lisboa em 1973 e só uma década depois, em 1984, teve o seu primeiro contacto com a fama: fez um pequeno papel no filme 'Crónica dos Bons Malandros'.

Apresentou programas de culinária, alguns infantis, e durante vários anos foi o rosto das manhãs da RTP, no programa 'Praça da Alegria'. Mudou-se para a TVI em 2002, também para as manhãs, onde apresentava 'Olá Portugal' e por lá ficou, até hoje.

Na mesma carta, recordando a sua ascensão na vida, vinga as palavras do pai: "O maricas fez-se homem, balizando-se em valores que considera justos e universais, pouco ligando ao juízo dos de fora, quando o único que me interessava, o da mãe, escutei-o aos dezoito, já eu era por minha conta e risco: 'só quero que sejas feliz!'".

A AUSÊNCIA DA MÃE

Assume-se como um "menino da mamã" mas chora ao recordar a infância e juventude, em Coimbra. "Nunca nos faltou nada, faltou-nos afeto", confessou, na mesma entrevista, a Cristina Ferreira. "A minha mãe saía de casa nós estávamos a dormir. Entrava em casa, estávamos a dormir. Trabalhava das 8 da manhã, como manicura, até às 11 da noite, se fosse preciso". 

A mãe era, naquela altura "uma super mulher, corajosa". E a falta de afeto não era propositada. Maria de Lourdes trabalhava arduamente para criar os 2 filhos e, apenas e só por isso, era ausente. Mais tarde, Goucha confessa que descobriu na mãe "uma mulher frágil, que não foi amada, que não gozou a vida". E chorou ao imaginar que um dia a mãe, de 94 anos, partirá.

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