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Polémica

Jantar da Web Summit entre os túmulos no Panteão causa revolta nacional

O local escolhido pela organização para acolher o encontro da elite do evento de tecnologia está a gerar indignação nas redes sociais.
11 de novembro de 2017 às 18:51
Rebentou a polémica. O Founders Summit – jantar de encerramento do Web Summit apenas para os investidores de alto nível e empresários do evento de tecnologia que decorreu em Lisboa esta semana – realizou-se esta sexta-feira à noite, e o local escolhido para as celebrações da elite, o Panteão Nacional, está a causar revolta nas redes sociais.

É neste monumento lisboeta que estão sepultadas algumas das mais importantes figuras da história nacional, como Sophia de Mello Breyner Andresen, Amália Rodrigues, Almeida Garrett e Eusébio. Por isso mesmo, várias foram as vozes que se ergueram contra a situação.

O antigo embaixador de Portugal Francisco Seixas da Costa foi um dos críticos do local escolhido. "Seremos nós quem não está a ver bem as coisas? Aconteceu-me agora. Ajudem-me: acham mesmo normal que o jantar final do Web Summit seja entre os túmulos do Panteão Nacional?", escreveu no Twitter.

O humorista João Quadros e o músico Miguel Guedes foram outras das figuras públicas portuguesas que manifestaram o seu desagrado nas redes sociais. "Panteão Nacional acolheu jantar exclusivo com elite da Web Summit - toda esta frase é medonha", escreveu Quadros.

GOVERNO REAGE DE IMEDIATO

O primeiro-ministro António Costa e o presidente da República Marcelo Rebelo de Sousa já expressaram o seu descontentamento.

"Apesar de enquadrado legalmente, através de despacho proferido pelo anterior Governo, é ofensivo utilizar deste modo um monumento nacional com as características e particularidades do Panteão Nacional", pode ler-se no comunicado do gabinete de António Costa.

O PM afirma ainda que, em conjunto com o Ministério da Cultura, o Governo irá proibir futuras festas no Panteão Nacional: "Tal como já foi divulgado pelo Ministério da Cultura, o Governo procederá à alteração do referido despacho, para que situações semelhantes não voltem a repetir-se, violando a história, a memória colectiva e os símbolos nacionais".

Marcelo Rebelo de Sousa elogiou a decisão do Ministério da Cultura. "A imagem que tenho do Panteão Nacional não é a de um espaço adequado para um jantar nem que seja o jantar mais importante de Estado. Portanto, se o Governo tomou uma decisão no sentido de isso deixar de ser possível, acho que foi uma decisão muito sensata, muito óbvia, corresponde àquilo que qualquer pessoa com algum bom senso faria nesse caso concreto", afirmou o Presidente da República.

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