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Mágoa

Judite Sousa recorda momento de dor: "Houve pessoas que se afastaram de mim"

A jornalista, em entrevista a José Alberto Carvalho, fala pela primeira vez do profundo sofrimento psicológico que vive desde a morte do filho. Admite ter sido abandonada por amigos e da sua solidão.
19 de maio de 2017 às 17:34
"Houve pessoas que se afastaram de mim nos últimos três anos. As pessoas vivem num mundo em que querem ver sorrisos, em que querem ser distraídas pelos outros, no sentido lúdico. Vivem num mundo em que dizem: 'O meu problema é igual ao teu", mas o meu problema não é igual ao problema dessas pessoas", palavras de Judite Sousa em entrevista ao colega e amigo, José Alberto Carvalho, na TVI 24, ontem, dia 18 de maio.
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Judite Sousa

A jornalista da TVI vai ainda mais fundo na questão do abandono: "Que homens e mulheres somos nós? Que falamos apenas através das redes sociais, que não olhamos olhos nos olhos, que não temos uma palavra para dizer que não seja uma banalidade, que deixamos de falar com as pessoas sem mais nem menos, quando por vezes jantávamos com essas pessoas duas ou três vezes por semana e, de repente, desaparecemos porque não as queremos enfrentar, não queremos enfrentar a sua dor, que saíem das nossas vidas sem nos dar uma explicação, que deixam de nos atender o telefone...?". 

"A dor dos outros vende"
Judite Sousa, que falou abertamente do profundo sofrimento psicológico de que padece desde que perdeu o seu único filho, André Sousa Bessa, em junho de 2014, abordou ainda a questão de ser uma figura pública, o que, no seu ponto de vista, acaba por piorar a situação: "A dimensão da figura pública é extraordinariamente cruel e faz com que exista dois tipos de situações. Uma, é o aproveitamente mediático das situações que implicam sofrimento psicológico, porque o sofrimento psicológico vende. A dor dos outros vende!".
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A jornalista com o seu único filho, falecido em junho de 2014 na sequência de um trágico acidente.
A segunda situação que envolve a dimensão de se ser uma figura pública é, de acordo com a opinião da conhecida jornalista, o "facto de se trabalhar numa estação de televisão e entrar todos os dias na casa das pessoas, não deve, de forma alguma, implicar que as pessoas tenham medo". Explica: "As pessoas acabam por nos evitar, fugir de nós, não querem ser vistas connosco, olham-nos de forma diferente. Somos seres humanos iguais aos outros, de carne e osso, vivemos as mesmas alegrias e vivemos os mesmos problemas", garante de forma desarmante.

Um dos seus desabafos mais tocantes foi, no entanto, quando falou da solidão e admitiu sem rodeios: "As pessoas que estão no mundo da Comunicação, talvez sejam aquelas que mais vivenciam o problema da solidão".

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