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Notícia

Tragédia de Pedrógão Grande

O desespero na voz dos que sobreviveram ao inferno de Pedrógão Grande (atualização)

Os números provisórios são chocantes e não param de crescer: 64 mortos e 136 feridos. 24 dos corpos já estão identificados. Esta é uma das maiores tragédias que já se viveu em Portugal.
Por Raquel Santos | 19 de junho de 2017 às 14:24
4 crianças entre os mortos do inferno de Pedrógão 4 crianças entre os mortos do inferno de Pedrógão 4 crianças entre os mortos do inferno de Pedrógão 4 crianças entre os mortos do inferno de Pedrógão 4 crianças entre os mortos do inferno de Pedrógão 4 crianças entre os mortos do inferno de Pedrógão 4 crianças entre os mortos do inferno de Pedrógão 4 crianças entre os mortos do inferno de Pedrógão 4 crianças entre os mortos do inferno de Pedrógão 4 crianças entre os mortos do inferno de Pedrógão
4 crianças entre os mortos do inferno de Pedrógão
Até ao momento, 64 pessoas morreram devido ao incêndio que deflagrou em Pedrógão Grande. Os números são completamente devastadores: 30 pessoas ficaram dentro das viaturas, na estrada nacional 236-1, que será conhecida como a "estrada da morte", sendo que 17 foram encontrados junto aos carros. As vítimas restantes acabaram por falecer na via pública ou em casa, devido a inalação de fumo ou colhidos pelas chamas. O bombeiro, de 30 anos de idade, que estava hospitalizado em estado grave acabou por falecer na tarde desta segunda-feira, aumentado o número de vítimas mortais.

Alguns testemunhos são devastadores, a dor que padece no coração dos habitantes das aldeias afetadas pelo fogo são de partir o coração. Hugo Santos, de 33 anos de idade, relata o inferno que viveu e as concequências de um incêndio que já lavrou milhares de hectares: "As labaredas batiam muito fortes na carrinha, ainda fui contra um pinheiro e andei por valetas", conta. "Além disso, a minha casa ardeu toda, ficou tudo queimada. Está tudo, mesmo tudo desfeito em cinza e carvão", refere.

As imagens da tragédia de Pedrógão Grande As imagens da tragédia de Pedrógão Grande As imagens da tragédia de Pedrógão Grande As imagens da tragédia de Pedrógão Grande As imagens da tragédia de Pedrógão Grande As imagens da tragédia de Pedrógão Grande As imagens da tragédia de Pedrógão Grande As imagens da tragédia de Pedrógão Grande As imagens da tragédia de Pedrógão Grande As imagens da tragédia de Pedrógão Grande As imagens da tragédia de Pedrógão Grande As imagens da tragédia de Pedrógão Grande As imagens da tragédia de Pedrógão Grande As imagens da tragédia de Pedrógão Grande As imagens da tragédia de Pedrógão Grande As imagens da tragédia de Pedrógão Grande As imagens da tragédia de Pedrógão Grande As imagens da tragédia de Pedrógão Grande
As imagens da tragédia de Pedrógão Grande
Mas nem só Hugo Santos viveu o horror desta catástrofe. Leia alguns testemunhos de quem viveu de perto o inferno na terra:

"Consegui dar a volta e não se pegou fogo no meu carro. Fomos para uma zona já queimada, aí ficamos, mal e a respirar fundo, mas estávamos seguros", testemunhou um senhor à TVI em Pedrógão grande.

"Se o inferno é isto, nós vivemos o inferno aqui", testemunhou uma senhora à RTP Informação, em Pedrógão Grande.

"Fugimos para Vila Facaia, foi onde conseguimos ficar, ao pé das escolas e do jardim e porque havia água. O meu marido foi o último a sair de casa com o trator, depois disso a casa ardeu. Ainda ninguém nos ofereceu ajuda, estou a sobreviver graças à minha irmã, cuja casa escapou. Não tenho ideia de como vai ser o futuro, estou partida de pernas e braços. Não tenho nada", testemunhou uma senhor à SIC Notícias, em Pedrógão Grande.

"Fixei as mãos no volante e seja o que deus quiser. Bati no rail, o carro foi abaixo duas ou três vezes… A seguir arranquei e consegui escapar", testemunhou um senhor à TVI, em Pedrógão Grande.

O dia a seguir ao inferno em Pedrógão O dia a seguir ao inferno em Pedrógão O dia a seguir ao inferno em Pedrógão O dia a seguir ao inferno em Pedrógão O dia a seguir ao inferno em Pedrógão O dia a seguir ao inferno em Pedrógão O dia a seguir ao inferno em Pedrógão O dia a seguir ao inferno em Pedrógão O dia a seguir ao inferno em Pedrógão O dia a seguir ao inferno em Pedrógão O dia a seguir ao inferno em Pedrógão O dia a seguir ao inferno em Pedrógão O dia a seguir ao inferno em Pedrógão O dia a seguir ao inferno em Pedrógão O dia a seguir ao inferno em Pedrógão
O dia a seguir ao inferno em Pedrógão

"O cenário é de horror, não tem explicação. Era um inferno. Acho que se via ali o fim do mundo. Eu disse que não escapava dali porque o lume agarrou-se ao cabelo, à roupa, eu fazia de tudo e era uma aflição de morrer. Não tem descrição o que a gente passou ali. Eu e o meu marido. Ele graças a deus só se queimou um bocadinho num braço, eu é que me queimei mais conforme o lume veio e me apanhou o peito. O lume estava nos pinheiros, os pinheiros caiam em cima dos carros, o lume vinha de todo o lado, de trás, da frente, não havia sítio que não tivesse lume. Eu vim para aqui porque não sabia que esta estrada estava em perigo, porque como eles nos mandaram seguir para cima, pensamos vir por esta e cortar para ajudar as minhas filhas e a minha família. Chegamos aqui e não se via nada nada nada na estrada, foi horrível. O carro está aqui queimado. Os senhores que nos bateram no carro por trás ficaram lá. Esses não se salvaram porque a senhora não saiu de dentro do carro. Eu gritei para ela sair mas ela não saiu. O senhor ainda saiu mas não se afastou do carro e morreu ali. Nesta estrada era um horror de pessoas a baterem umas nas outras, um autotanque dos bombeiros a arder, era horrível. Não tem descrição", testemunhou uma senhora no IC8.

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"Tenho um filho que era uma jóia de pessoa e não sei onde é que ele está. Uma está em Coimbra, está toda queimadinha, esteve aqui à espera do 112 e teve de ser um particular a levá-la. E o meu cunhado está ali. Ardeu tudo", testemunhou um homem à SIC Notícias.

"Temos uma cunhada e um sobrinho desaparecido, e tenho um primo desaparecido também que não sabemos… Não sabemos… Já está confirmado em como foram eles… O meu marido e o meu filho estiveram debaixo de lume em casa, não tiveram ninguém que os ajudasse, eu vim-me embora, deixei lá o meu marido e o meu filho, não sei nada deles", testemunhou uma senhora à CMTV, em Pedrógão Grande

"O meu marido dizia para pôr a minha mãe na carrinha, mas como ela não conseguia subir, porque anda de andarilho, ela disse-nos para a deixarmos no chão a morrer. Metemo-la no tanque. A temperatura era de tal ordem que nos enfiamos todos no tanque, um moço já tinha os braços a ardem e nós punhamos água, água, para cima uns dos outros. Se não fosse o tanque morríamos todos. O vento era de tal ordem, só ouvíamos estrondos por causa das chapas das coberturas que iam pelos ares", testemunhou uma senhora à SIC Notícias, na aldeia de Nodeirinho.

"Não víamos nada à frente, o meu filho batia num rail do lado e do outro, em todo o lado tudo em chamas", testemunhou uma senhora à TVI, em Pedrógão Grande.

Portugal é um dos países da Europa mais fustigado pelos incêndios florestais, a maioria dos quais com origem criminosa. No entanto, segundo as autoridades, o incêndio de Pedrógão Grande começou devido às condições climatéricas adversas: trovoadas secas, temperaturas muito altas e ventos contrários. Mesmo assim o Ministério Público abriu um inquérito criminal à tragédia de Pedrógão Grande, para apurar as causas.

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