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Sérgio Conceição, novo treinador do FC Porto: "A religião equilibra-me"

O novo mister do FCP abre o coração, ao lado da mulher e dos filhos. Fala do passado de dificuldades, como casou com o amor da sua vida, como chorou a morte dos pais e da sua ambição como treinador. Sérgio Conceição, na primeira pessoa.
Por Carolina Pinto Ferreira | 11 de junho de 2017 às 16:55
O treinador do FCP com a família, na sua casa no Algarve: a mulher, Liliana, de 39 anos, e os filhos Francisco, 14 anos, Moisés, 16 anos, Rodrigo, 18 anos, Sérgio, 21 anos, e ao colo do pai o mais novo, José, de 2 anos. Todos os filhos de Sérgio Conceição gostam de jogar futebol. Moisés, de 17 anos, alinha pelo Sporting, e Rodrigo, de 18, pelo Benfica. Sérgio Conceição revela ser ambicioso e não gostar de perder "nem a feijões". Todos os verões a família passa férias no sul do país mas raramente sai de casa, na zona de Albufeira. O treinador viveu uma adolescência difícil, com a morte prematura dos pais. Por isso, quis constituir uma família grande e tem, neste momento, 5 filhos. Ainda pensa tentar ter uma menina. Com a mulher, Liliana, com quem começou a namorar na adolescência. Apaixonados, nunca mais se largaram e são um casal feliz.
Sérgio Conceição: treinador portista apoia-se na religião.

Assinou há dias o contrato da sua vida. Sérgio Conceição é o novo treinador do FC Porto.  Conhecido por ser uma pessoa de poucos sorrisos e há quem diga que a arrogância é uma das características que melhor o define. A verdade é que poucos conhecem verdadeiramente este antigo jogador e atual treinador, que quer dar sorrisos aos portistas.

FLASH! recupera uma entrevista intimista e exclusiva que Sérgio deu à 'FLASH!' no verão passado, abrindo as portas de casa e posando com a família, que adora. 

Discreto na sua vida privada mas ambicioso na sua vida profissional, não há quem seja indiferente ao técnico de 42 anos.

Sérgio Conceição apresentado como treinador do FC Porto Sérgio Conceição apresentado como treinador do FC Porto Sérgio Conceição apresentado como treinador do FC Porto Sérgio Conceição apresentado como treinador do FC Porto Sérgio Conceição apresentado como treinador do FC Porto Sérgio Conceição apresentado como treinador do FC Porto Sérgio Conceição apresentado como treinador do FC Porto Sérgio Conceição apresentado como treinador do FC Porto Sérgio Conceição apresentado como treinador do FC Porto Sérgio Conceição apresentado como treinador do FC Porto Sérgio Conceição apresentado como treinador do FC Porto
Sérgio Conceição apresentado como treinador do FC Porto

Todos os anos ruma ao Algarve com a família para um dias de descanso na sua casa junto ao mar mas poucos são aqueles que o conseguem apanhar fora do seu lar.

Agora abre o livro da sua vida e, numa entrevista exclusiva, o antigo jogador que representou durante 7 anos a equipa das quinas fala abertamente do seu passado de dificuldades, do sofrimento da perda dos pais quando era apenas adolescente, da sua paixão pela religião, da mulher, Liliana, com quem sempre partilhou uma vida, dos cinco filhos e do fim "revoltante" da sua carreira na Seleção Nacional.

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Sérgio Conceição, FCP

O Sérgio tem cinco filhos. Sempre sonhou ter uma família numerosa?
Vim de uma família assim. Quando conheci a Liliana tinha 14 anos. Casámos cedo, ela tinha 17 e eu 20.Sempre quisemos ter filhos. É verdade que andámos à procura da menina mas de qualquer maneira somos extremamente unidos e felizes com os nossos cinco rapazes. Estamos muito satisfeitos, não fossem as cinco cesarianas e certamente pensaríamos em ter mais.

Ainda se sente tentado em ter a tão desejada menina?
Agora já não! Esta última gravidez já foi de altíssimo risco mas foi muito bem acompanhada. Acabou por correr muito bem e estamos muito felizes como novo rebento, depois dos 40 anos.Com esta idade ter um pequenino é fantástico. Foram cinco rapazes e se hoje me perguntarem, se tentássemos um sexto e fosse novamente rapaz, ficaria extremamente feliz. Vivo muito mas mesmo muito feliz com eles e somos uma família extremamente unida.

Foi pai do primeiro filho, Sérgio, muito novo. É diferente ser-se pai aos 40?
Agora estou a gozar mais aquilo que é o meu filho. Quando fui pai aos 21 anos vivi as coisas de forma tão rápida e intensa que acabei por perder momentos essenciais no crescimento de um filho. Como José é diferente. Cada momento que estou em casa aproveito para usufruir dele. Valorizamos aos 40 anos e não quando temos 20.

Com cinco filhos e com a vida dedicada ao futebol, é difícil ser um pai presente?
É, pelo menos tanto como gostaria. Tento sê-lo sempre que posso. Abdico de muitas coisas que gosto de fazer para dispensar algum tempo para os meus filhos. As férias são o momento em que podemos estar mais tempo juntos. A minha profissão faz com que esteja fora muitas vezes e a Liliana tem sido uma mãe fantástica.

São todos apaixonados por futebol. Fica feliz por seguirem os seus passos?
Não fico triste mas também nunca lhes disse para serem jogadores. Há outras coisas mais importantes na idade deles. Quero é que eles sejam felizes com aquilo que gostam. Por acaso nasceram todos a gostar de futebol e existe uma competitividade enorme quando se joga em casa. Gostam muito de ganhar!

Pedem-lhe conselhos?
Às vezes dou a minha opinião mas distancio-me da vida deles nessas ocasiões. Vou muito pouco vê-los jogar futebol e quando vou tento afastar-me e ficar no meu cantinho a ver.

Porquê?
Porque têm que caminhar pelos próprios pés...

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Todos os filhos de Sérgio Conceição gostam de jogar futebol. Moisés, de 17 anos, alinha pelo Sporting, e Rodrigo, de 18, pelo Benfica.

A PERDA PERMATURA DOS PAIS

Era ainda adolescente quando perdeu o seu pai e, depois, a sua mãe...
Tive uma infância muito difícil. Perdi os meus pais muito jovem. Tinha 16 anos quando perdi o meu pai e 18 quando perdi a minha mãe. Foi um golpe duro porque sou de famílias extremamente humildes. Era como todos os jovens adolescentes, cheio de sonhos. Foi toda essa dificuldade que fez com me revoltasse com a própria vida. Não foi um momento nada fácil.

Como recorda os seus pais?
Eram pessoas bastante humildes que trabalhavam para sustentar uma família numerosa. Éramos oito irmãos e houve momentos muito complicados.

A que se agarrou para ultrapassar este pesadelo na adolescência?
Sou crente, a religião para mim foi extremamente importante naquilo que foi o meu equilíbrio, o meu crescimento e tudo aquilo que foi a educação dos meus pais, à maneira deles.

Ainda hoje se agarra à fé?
Todos os dias me agarro a Deus. Ao domingo vou à missa, sou praticante com muito orgulho. A religião faz parte da minha vida e da dos meus filhos. Incuto-lhes esse meu estado de espírito. Sentimo-nos preenchidos com aquilo que é a nossa fé. Respeito toda a gente que não tem a mesma opinião e que acham que há outro caminho a percorrer. Para mim é essencial.

HOMEM SOLIDÁRIO

Apesar de tentar ser discreto nas ajudas que dá, sabe-se que o Sérgio é um homem que apoia boas causas.
Ajudo há muitos  anos. Tenho alguns centros que ajudo em Coimbra. São coisas feitas de coração, que sinto necessidade de fazer.

O que o motiva a fazê-lo?
Sentir que posso ajudar miúdos que estão na mesma situação que eu e não o fazer é sentir que não estou a cumprir uma missão. Graças a Deus posso ajudar e faço-o com todo o gosto.

Através de doações monetárias?
Maior parte das vezes não é com dinheiro mas é com outro tipo de ajuda que também é muito importante. Para esses miúdos, uma simples secretária, comprar uns livros, levar uns ténis... é uma felicidade enorme. A coisa mais bonita do mundo é ver esses jovens com um sorriso no rosto.

O seu passado faz com que seja um pai contido naquilo que dá aos seus filhos?
Sou um pai muito rigoroso. Têm metas e objectivos naquilo que fazem. Sou muito exigente nisso. Não sou o pai que dá sem ter nada em troca. É importante fazê-los sentir que as coisas não são fáceis. A minha família continua a ser bastante humilde, percebendo que nenhum dinheiro do mundo faz a diferença entre as pessoas. Orgulho-me deles serem humildes e simples na forma de estar.

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Com a mulher, Liliana, com quem começou a namorar na adolescência. Apaixonados, nunca mais se largaram e são um casal feliz.

A PAIXÃO PELO FUTEBOL

É muito exigente com a sua profissão...
Sou muito apaixonado por aquilo que faço. Passo o dia inteiro no clube, a preparar tudo ao pormenor. Ser treinador de futebol é apaixonante, é fantástico mas também muito exigente no que diz respeito ao tempo que se dedica a esta profissão.

É uma obsessão?
É mais ambição! Muita vontade, acreditar e um foco permanente naquilo que sou na minha vida profissional. Com todos os erros, todas as coisas negativas. Dou o corpo às balas, assumo sempre os meus erros mas não me desvio daquilo que é o meu caminho.

É essa ambição que faz com que as pessoas o definam como arrogante?
O meu caráter foi formatado e ganhando forma com todas estas dificuldades que passei. A maior parte das pessoas só me conhece da imagem que tem do Sérgio Conceição como jogador e agora como treinador e não é bem aquela que sou e aquilo que vivo no meu dia a dia com a minha família e com os meus amigos.

Então, porquê esse distanciamento?
É fruto dessa mesma ambição, da vontade de querer chegar, de querer justificar sempre e de estar em dívida com tudo aquilo que os meus pais me fizeram. Tenho que os orgulhar sempre, durante a minha vida toda. É um objetivo que tenho e que consegui, com todas as dificuldades, como jogador e que agora quero conseguir como treinador.

Essa postura mais agressiva está ligada à vontade vencer?
Essa arrogância transmitida por vestir sempre, de forma fervorosa, a camisola dos clubes todos que integrei tem a ver com essa tal determinação. Entro sempre para ganhar, não gosto de perder nem a feijões, em nada da minha vida.

É uma pessoa difícil quando perde um jogo?
Não é fácil aturar a minha azia quando perco. Nos primeiros dois dias sou muito difícil. Quando amamos a nossa profissão, toda a gente sente. Não é defeito, é feitio. É importante não sentirmos que somos os donos da verdade. Depois dos jogos sou um bocadinho bicho do mato.

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Sérgio Conceição revela ser ambicioso e não gostar de perder "nem a feijões".

A TRISTE SAÍDA DA SELEÇÃO

Fez parte da chamada "Geração de Ouro" na Equipa das Quinas.
Diziam que sim, mas se pensarmos, não somos. Como Seleção não ganhámos nada.

O que se sente ao vestir a camisola da Seleção Nacional?
É um misto de sentimentos. Sou o verdadeiro "portuga". Sinto muito as coisas. Sempre que tocava o hino, emocionava-me. Sinto muito o meu povo, o meu país, sentia que representava milhões de portugueses. Era fantástico. Esta é a parte positiva. A emoção do jogo, do pré-jogo, tudo aquilo que envolvia a camisola das Quinas e o ambiente que se vivia. Era fantástico.

Qual é então a parte negativa?
A forma como saí da Seleção foi uma desilusãoe uma grande tristeza.

Porquê?
Não merecia sair da forma que saí, aos 28 anos. Foi uma decisão de um treinador que por acaso nem era português [Scolari] mas que usou um ou outro jogador para justificar um bocadinho aquilo que foi acabar com uma fase de muitos atletas com 28 anos, não percebi porquê.

Sentiu-se revoltado?
Sim. Mas não foi só com o selecionador. Senti que merecia outro tipo de atitude. Uma palavra do presidente da Federação Portuguesa de Futebol, que na altura que era o Gilberto Madaíl.

Guarda mágoa?
Hoje já ultrapassei isso mas sinto alguma tristeza em saber que hoje podia ser dos jogadores mais internacionais de sempre. Ficou muita coisa por fazer. Acho que merecia ter jogado o Euro 2004. Disso guardo mágoa, de não ter jogado perante o meu povo.

O futebol é um mundo cruel?
É difícil. Não estou a cuspir no prato onde como. É um mundo de mentira, que envolve muito dinheiro e, por si só, existe essa hipocrisia. Como em todos os negócios que envolvem dinheiro. O lado bom continua a ser os jogadores, os espetáculos que nos proporcionam e a alegria que nos dá.

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