Carlos Rodrigues
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A crise do comentário

As notícias de processos judiciais que envolvem poderosos das várias áreas sociais deixam a nu os interesses particulares, a falta de independência e a fraca qualidade de muitos comentadores televisivos.
09 de fevereiro de 2018 às 16:32
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A crise do comentário

O conjunto de processos judiciais com impacto público que se tem desenrolado em Portugal deixou a nu a fraca qualidade média dos comentadores televisivos. A presença de políticos no activo no lote de comentadores é, há muito, uma particularidade nacional, que levou, no seu extremo, à eleição de um Presidente amadurecido nos estúdios.

Mas, para lá desta característica muito portuguesa, temos, também, um conjunto de opinion- makers que pululam pelos canais, com pouca independência, sempre dispostos a emitir juízos influenciados por interesses particulares, ou familiares, e que pouco ou nada ajudam ao esclarecimento do público. Dois exemplos: na semana passada, o mundo da justiça foi assombrado pelo processo que indicia crimes de corrupção, com suspeitas de venda de acórdãos por um juiz de um tribunal superior.

Neste contexto, vi, na SIC Notícias, um debate em que, em rodapé, era sublinhado que outros juízes também estavam sob suspeita, dando como exemplo incidentes de suspeição que impendem sobre um magistrado. Ora bem, um incidente de suspeição é um instrumento absolutamente normal no direito, incomparável com indícios de corrupção. Lamentável! Também na TVI24 assisti a debates sobre um dos temas sempre preferidos do canal, a fuga ao segredo de justiça, como se, perante indícios como estes, que afectam dois juízes, esse fosse o maior problema.

O espectador, sempre sagaz, é a última fronteira da avaliação. A falência do comentário é  outra das causas para a grande crise de audiências e de credibilidade dos canais de notícias da SIC e da TVI.    

O "gordo" ganhou
Não vale a pena esconder a realidade: Fernando Mendes é um dos grandes vencedores da batalha em redor da gestão da RTP. Como não faz parte do grupo de humoristas "politicamente correctos", proveniente das "Produções Fictícias", nunca teria grande futuro na anterior RTP. O "gordo" está de regresso.

Teresa com novo fracasso na TVI
Um enorme equívoco, o Confessionário, na TVI, com Teresa Guilheme. O formato vai caindo em grelha. Na semana passada, chegou a entrar às 3 da manhã, a seguir ao magazine Autores. Está a ser um processo difícil, o fim da carreira de Teresa Guilherme como grande apresentadora de reality shows. 

Domingos baratinhos
Costuma ser um tema-tabu nas televisões: valerá a pena gastar tantos recursos nos formatos de grande entretenimento para os domingos à noite? Alguma razão deve haver para nenhum decisor procurar a resposta a esta questão. Pois bem: a suspensão da Supernanny fez do domingo passado um dia igual ao resto da semana. No horário nobre, SIC e TVI alinharam novelas contra novelas. O resultado não variou muito, e a SIC até ficou mais competitiva do que fica com muitos dos seus formatos dominicais. Gastar tanto dinheiro num só dia será mesmo boa ideia?

Até parece de propósito
A sobreposição de temas de futebol e de justiça está a deixar muitas mentes baralhadas. Agora, ilustrar a operação "cheque out", que fez 17 detidos por suspeitas de furto e falsificação, com o "onze" inicial do FC Porto para o jogo da jornada é daqueles erros improváveis, que até parece de propósito. Foi num Jornal da Noite, da SIC, da semana passada. Ninguém acredita em bruxas, mas lá que as há...

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