Carlos Rodrigues
Carlos Rodrigues Televisão meu amor

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A ferida da SIC Notícias

Emissão em simultâneo do Jornal da Noite, da SIC, no canal 5 é um sintoma da menorização simbólica de uma televisão que já foi marca distintiva do projecto de Francisco Pinto Balsemão.
14 de abril de 2017 às 09:00
Os canais de cabo criados pelas estações generalistas vivem uma profunda crise de identidade e estão a ser vítimas de uma desvalorização simbólica que não é boa para ninguém: nem para as próprias estações, nem para as operadoras de cabo, nem para os espectadores.

Quando uma entrevista ou um programa de debate começa no canal-mãe e continua no irmão do cabo, a mensagem que passa é a da menorização de um produto que nasceu para ser distintivo, com ADN próprio e qualidade supostamente superior. Isto acontece regularmente, quer em entrevistas na TVI (Bruno de Carvalho foi um dos exemplos mais recentes), quer em programas da RTP (como o 'Sexta às 9' que se transforma em 'Sexta às 11').

Mas a decisão mais grave de todas aconteceu quando os telejornais principais, das 20 horas, começaram a ser emitidos ao mesmo tempo na generalista e no cabo. Quem o fez em primeiro lugar foi a TVI, mas, curiosamente, assim que a SIC imitou a estação de Queluz de Baixo, o canal 4 recuou. Como se de um golpe de judo se tratasse, quando a SIC Notícias pensava estar a responder a um ataque da TVI24, acabou por ficar sozinha a arcar com esse peso.

Desta forma, a presença do 'Jornal da Noite' na antena da SIC Notícias é uma espécie de cicatriz permanente no canal que foi criado com o objectivo de liderar a informação, e que assim se vê reduzido a uma espécie de satélite da irmã mais velha, a qual, ainda por cima, sai prejudicada nas audiências com esta partilha. Não há maior sintoma da destruição simbólica de valor de um canal que já foi marca distintiva do projecto de Balsemão.

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