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Margarida Rebelo Pinto
Margarida Rebelo Pinto Pessoas como nós

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A minha amiga sueca

Uma coisa é certa: a Suécia não é um pais quente, mas com amigos suecos nunca tens o coração frio. Eles não verbalizam os afetos, primeiro porque não estão habituados e depois porque não precisam.
11 de agosto de 2017 às 07:00
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A minha amiga sueca

Todas as mulheres seriam mais felizes se tivessem uma amiga sueca. 

As grandes amigas fazem falta, a amizade é o país da nossa família escolhida, são os amigos que nos forram o coração a papel de seda nos momentos mais difíceis. A amizade é o oposto da solidão, um tesouro que se guarda e que, se tivermos sorte, vai aumentado ao longo da vida. 

Mas uma amiga sueca é diferente. Os suecos riem mais do que nós, eles conseguem relativizar tudo com sabedoria e alegria. São um povo inteligente evoluído, bonito e generoso em tudo, até na forma como escrevem os nomes. A minha amiga sueca é a Anna com dois énes, tal como os Abba têm dois bês. 

Num verão de muito calor e alguns aborrecimentos há meia dúzia de anos apeteceu-me fugir da minha realidade e a sueca ofereceu-me o seu sofá durante uma semana em Estocolmo.

O apartamento era pequeno e adorável, ela estava grávida da primeira filha. Depois veio outra e vi a sueca sempre feliz e organizada, dedicada ao marido, ao trabalho e às filhas. Nunca a vi queixar-se de nada. Imagino que talvez nem conheça o verbo. 

Os suecos não se queixam, não falam da vida alheia e não dizem mal de ninguém porque os suecos têm mais que fazer. E uma das coisas em que são mesmo bons é a fazer os outros felizes. 

Este verão estava com saudades da minha sueca e da sua querida família e liguei-lhe. No dia seguinte estava na sua casa em Porches a passar férias. "Ficas aqui" disse ela, juntou as camas das filhas e fez um quarto improvisado para mim. Dormi como uma miúda de 10 anos, rodeada de vestidos coloridos, de crocs mini e de livros ilustrados com capas que ostentavam títulos impronunciáveis.

Os suecos não complicam. Eles ouvem-te com o coração e ajudam-te a arrumar a cabeça. Eles são objetivos sem ser frios. Eles dão poucos abraços, mas os que dão são incríveis. Eles são uns amigos fabulosos. 

Sentada num terraço em Porches com uma mesa cheia de petiscos regada a vinho branco do melhor que há e com a lua inflacionada ao seu máximo expoente, passei noites a dançar e a rir com a minha sueca. É tão bonita que parece uma fada, uma flor, uma estrela, loira e fresca, cheia de luz. Estava em casa outra vez, como estive em Estocolmo. 

Uma coisa é certa: a Suécia não é um pais quente, mas com amigos suecos nunca tens o coração frio. Eles não verbalizam os afetos, primeiro porque não estão habituados e depois porque não precisam. Os suecos não te dizem coisas queridas, eles fazem coisas queridas.

Temos muito mais a aprender com este povo do que os clássicos sucessos dos Abba. São gente focada com o coração limpo e a cabeça arrumada que cortam a direito e nunca falham, tal como a minha sueca que está sempre na minha vida quando preciso dela e já lá vão muitos anos de amizade. 

Uma vez ouvi a história de um sueco que disse à mulher: "não preciso de te repetir que te amo, já o disse quando me casei. Se mudar de ideias, aviso-te". 

Nunca mudou. Continuam casados e felizes há quarenta anos.

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