pub
Carlos Rodrigues
Carlos Rodrigues TELEVISÃO MEU AMOR

Notícia

As férias são uma arma

O primeiro-ministro foi de férias em plena crise emocional do País, numa altura em que se discutia o que falhou e quem são os responsáveis pela tragédia de Pedrógão e pelo assalto em Tancos
14 de julho de 2017 às 17:08

O poder e a televisão estão ligados. Qualquer líder político precisa de aparecer para impor a sua imagem. O ecrã dá-lhe palco para assegurar a prevalência dos seus argumentos. A televisão é condição essencial para o exercício da governação democrática. É isto que transforma num caso de estudo as férias de António Costa.

O chefe de Governo retirou-se de cena na semana passada, numa altura em que a crise emocional dos portugueses atingia o cúmulo, em virtude da tragédia de Pedrógão Grande e da falência do Estado, indiciada pelo furto de material militar na base de Tancos. A ausência súbita do primeiro-ministro configura um erro comunicacional gravíssimo. Será mesmo? Vejamos: tal como a política, a televisão tem horror ao vazio. O resultado da ausência de António Costa foi o triunfo momentâneo do caos e do ruído no espaço público do debate democrático. Multiplicaram-se os discursos, as acusações, os argumentos.

A cacofonia triunfou e a cacofonia é o ambiente ideal para a culpa morrer solteira, porque impede a atribuição racional de responsabilidades. As férias do primeiro-ministro desfocaram tudo. Subitamente, a polémica foi elevada à categoria de espectáculo de mau gosto, com as sucessivas trocas de acusações, as audições à porta fechada, as visitas aos locais destruídos, as pífias imagens do início do fogo prometidas, sem sentido, pela RTP, no Sexta às 9. Uma tragédia com uma dimensão humana gravíssima fulanizou-se em redor das férias de Costa. Desaparecer para confundir, e assim reinar. Seria essa a estratégia? E será que resultou?            

Mais notícias de Dicionário do Amor

Nunca

Nunca

Nunca: adv. Aquilo que, apesar de definitivo, tende a não ser eterno. Nunca sintas nunca.
A tragédia

A tragédia

É que quatro meses depois, em Pedrógão Grande contam-se pelos dedos da mão os sinais de recuperação. Nem os fundos de solidariedade criado com o dinheiro que generosamente oferecemos ainda não havia chegado às vítimas.
Coitado de Sócrates

Coitado de Sócrates

São de jornalistas, profissionais e isentos, que sabem fazer perguntas. Daquelas que interessam.
Ó gente da minha terra

Ó gente da minha terra

Eu sei que o meu mundo é feito de palavras com as quais construo histórias, romances, crónicas e ficções e que as palavras não têm a capacidade de resolver tudo. Sempre disse que um médico faz muito mais falta do que um escritor, e agora acrescento e um bombeiro também faz, mas já aprendi que cada um de nós pode fazer a diferença se não ficar calado.
Sócrates irritou-se

Sócrates irritou-se

Vítor Gonçalves preparou-se com cuidado, quer no conteúdo, quer na pose e na expressão. O principal arguido da Operação Marquês já não estava habituado a responder a um jornalista, e isso fez toda a diferença.

Comentários

Comentários
este é o seu espaço para poder comentar as nossas notícias!

Newsletter

Subscrever Subscreva a newsletter e receba diáriamente todas as noticias de forma confortável