Paulo Abreu
Paulo Abreu O Tal Canal

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Bombeiro, meu herói

Nunca os vi queixarem-se de nada, mesmo quando deixam mulheres, filhos e pais para trás, sem saber se regressam ao conforto do lar. Ali não há lugar ao cansaço, ao medo, à fome nem à sede.
24 de junho de 2017 às 08:00

De noite ou de dia. Com temperaturas dignas de um inferno. Num cenário devastador, entre chamas que tocam o céu, eucaliptos e pinheiros, fumo denso, fortes rajadas de vento, cinza e terra queimada. Dezenas e dezenas de carros destruídos. Dezenas e dezenas de casas queimadas.64 mortos e 157 feridos, alguns deles em estado grave. Famílias desfeitas, e em lágrimas. Um País inteiro solidário com esta tragédia em Pedrógão Grande, no distrito de Leiria. Todas as televisões a acompanharem, em directo, as incidências. E eles, mais de mil, lá, de farda azul, vermelha ou amarela. A combater o fogo, corajosos e destemidos, homens e mulheres, apenas com uma arma nas mãos: uma mangueira.

Nunca os vi queixarem-se de nada, mesmo quando deixam mulheres, filhos e pais para trás, sem saber se regressam ao conforto do lar.Ali não há lugar ao cansaço, ao medo, à fome nem à sede. Andam ali por espírito de missão e de solidariedade. Para ajudar os outros, sem contrapartidas.Sem direito a lágrimas e com uma vontade férrea de dar tudo por um de nós. Sim, (ainda) não é hora de apurar responsabilidades, apesar de sabermos que são exigidas aos sucessivos governos, há anos, medidas de prevenção estrutural, de ordenamento florestal e de defesa da floresta contra incêndios. Apesar de sabermos também que tudo isto se deve à falta de um bom plano nacional de política agrícola e à desertificação do interior do País.

Não, não vou falar de Judite Sousa, directora-adjunta de Informação da TVI, arrasada nas redes sociais por ter feito uma reportagem com um cadáver ao lado, no chão, ela que podia ter decidido ficar no conforto da redacção, como fazem tantos ilustres da RTP, da SIC e da própria estação de Queluz de Baixo. Sim, estou a falar dos nossos bombeiros, de todos eles, homens, mulheres, velhos e novos, Soldados da Paz, sempre tão esquecidos e abandonados durante quase todo o ano. Muito obrigado a cada um de vocês, uns verdadeiros super-heróis… de carne e osso.

 * O autor desta crónica escreve de acordo com a antiga ortografia.

 

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