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Francisco Moita Flores
Francisco Moita Flores Piquete de Polícia

Notícia

Ele não é Monstro

São tão diferentes os testemunhos que acusam Pedro Dias daqueles que o defendem que, espontaneamente, salta a ideia de que alguém está a mentir. E, na realidade, ninguém mente.
03 de dezembro de 2017 às 13:20

Continua a decorrer o julgamento de Pedro Dias acusado, entre outros crimes, de três homicídios consumados e mais dois de forma tentada. Não se passa semana onde as peripécias das audiências não sejam tema forte dos jornais. Depois de terem sido ouvidas as testemunhas de acusação, chegou agora a vez de testemunharem aquelas que a defesa indicou. Alguns desses testemunhos são comoventes na defesa do réu. "Homem terno", "amigo dos filhos", "incapaz de tratar mal pessoas e animais", o "amigo que se gosta de ter", "gozava da simpatia de toda a gente", "rezava uma novena todos dias para que Liliane (uma das suas vítimas) se salvasse e terá chorado descontroladamente quando soube que ela não sobrevivera".

São tão diferentes os testemunhos que o acusam daqueles que o defendem que, espontaneamente, salta a ideia de que alguém está a mentir. E, na realidade, ninguém mente.

Num julgamento com esta grandeza, e gravidade, ressaltam todos os aspectos da natureza humana e o confronto com uma evidência surpreendente, que o preconceito, as paixões, a recusa veemente da morte não nos permitem constatar no dia a dia. Na verdade, os homens não se dividem entre os bons e os maus, sendo claro que o ponto de vista de quem assim os classifica é de quem se considera incluído no território dos bons. Tal como a realidade, as motivações, os comportamentos não conseguem ser captados pelas fronteiras que a imaginação constrói para separar o Bem do Mal. Essa é a herança tenebrosa que recebemos das justiças privadas e das inquisições. Os criminosos são os maus e os bons não são criminosos. Não é verdade. A natureza humana é bem mais complexa do que esse traço a grosso e simplista que alimenta ódios e justiças populares mas não acrescenta nada àquilo que procura a Justiça no sentido mais nobre do termo. A verdade é que o mais pacato dos cidadãos pode cometer actos terríveis e qualquer criminoso, com largo cadastro, assumir a mais altruísta das atitudes. E somos tudo ao mesmo tempo. Capazes, simultaneamente, da grandeza e da pequenez, do egoísmo e da alteridade, da ferocidade e da ternura. Pedro Dias não foge à regra. Vai ser condenado pelo mal que fez, esse homem que, também, é terno e amigo dos seus amigos.

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