Carlos Rodrigues
Carlos Rodrigues TELEVISÃO MEU AMOR

Notícia

Em defesa de Salvador

O vencedor da Eurovisão foi obrigado a pedir desculpa pela frase infeliz no Meo Arena, mas isso não apaga as qualidades, nem os defeitos, que conquistaram o coração dos portugueses
10 de julho de 2017 às 10:19

A seguir à estrondosa vitória no Festival da Eurovisão, sublinhei aqui o quão refrescante é termos uma estrela que "foge aos cânones actuais", isto é, ao comportamento prevalecente hoje em dia entre todos os que acedem ao espaço público. Salvador Sobral não suporta selfies nem redes sociais, despreza os bons sentimentos de circunstância e o politicamente correcto.

Ao anunciar, frente a um Meo Arena completamente cheio, que ia fazer experimentalismo artístico, digamos assim, com as suas manifestações orgânicas, o cantor não quis gozar com ninguém, muito menos menosprezar o público ali reunido por um genuíno impulso de solidariedade. O problema foi outro: Salvador não compreende o aplauso antes da arte, porque não partilha o conceito da cultura-espectáculo, no qual a imagem se sobrepõe e antecede qualquer conteúdo. É assim Salvador Sobral. Foi assim que triunfou na Europa, depois de ter perdido a primeira televotação popular entre nós – convém termos este facto sempre bem presente, para compreendermos o fenómeno na sua globalidade.

Todos os elementos da cadeia de valor que rodeia o cantor devem tomar boa nota do seguinte: foi este Salvador Sobral que triunfou. Não foi "outro", porque não existe "outro". Querer transformar Salvador Sobral numa estrela igual a todas as outras será a forma mais rápida de destruir o fenómeno e cortar o laço que se estabeleceu com os portugueses, sempre dispostos a dar-lhe o benefício da dúvida e a avaliar as canções novas que queira apresentar. Eis, em suma, a pergunta-chave: pode alguém ser quem não é?

Mais notícias de TV Meu Amor

A SIC para lá do limite

Há crianças mal comportadas, famílias desestruturadas e uma psicóloga clínica, que se propõe resolver tudo, em frente às câmaras. O resultado é emocionalmente mais violento do que um 'reality show', com 'Supernanny' debaixo de fogo.
O Grito

O Grito

É sabido que o Romantismo foi um movimento cultural que só contribuiu para atrasar o mundo. Todo o herói romântico sofre muito, seja de solidão, de desamor ou de doença. E sofre porque se entrega à sua desgraça de quem, podendo escolher entre vários destinos, se atira de cabeça para o pior de todos, como quem se atira para uma piscina vazia quando se apaixona pela pessoa errada.
Omissão

Omissão

Omissão: s.f. Acto de fugir ao que nos causa problemas; o mesmo que cobardia.

Crianças da IURD

Esta enorme árvore onde se mistura crendice e crime, tende a tapar a floresta. E a floresta esconde os técnicos de acção social, magistrados, juízes que, há cerca de vinte anos, permitiram que tudo isto acontecesse.
O fim de Júlia Pinheiro

O fim de Júlia Pinheiro

Perde sempre como apresentadora e está perdida como directora. "O Goucha vai dar-nos uma sova tremenda", diz, com um "grande sorriso". Assim vai a SIC: de mal a pior.
Trapalhadas

Trapalhadas

Talvez tenha sido o debate televisivo mais desequilibrado da nossa democracia. Santana esmagou Rio. Isso significará que vai ganhar? Ou os debates na TV não são tão decisivos como se pensa?

Comentários

Comentários
este é o seu espaço para poder comentar as nossas notícias!

Newsletter

Subscrever Subscreva a newsletter e receba diáriamente todas as noticias de forma confortável