Margarida Rebelo Pinto
Margarida Rebelo Pinto Pessoas como nós

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Margarida Rebelo Pinto: Super Terra

Não me considero velha, mas a doença é de família e ataca todas as mulheres depois dos 45 anos
21 de abril de 2017 às 08:00
Margarida Rebelo Pinto: Super Terra

Segundo a crença popular nas antigas culturas Inca, Maia e Asteca, nenhum de nós é deste mundo. Por este mundo entenda-se o planeta Terra. Descendemos de diferentes  colonizações de alienígenas oriundos das mais variadas galáxias, o que seria uma boa explicação para a diversidade de raças que povoam o chamado Planeta Azul. A acreditar em tal possibilidade, teremos sido deixados no planeta pelos nossos antepassados que gosto de imaginar altos, de pescoço muito fino e cabeça grande, muito redonda, com grandes olhos verdes sem pestanas e uma luz no lugar da boca pela qual comunicavam telepaticamente, sem emitir um único som. E assim se espalharam pela superfície terrena, até aos dias de hoje, contrariando Darwin e a sua Teoria da Evolução das Espécies. 

Talvez exista uma espécie escondida nos recantos mais secretos dos grandes Oceanos, onde vivem sereias e outros seres híbridos e misteriosos, metade pele, metade escamas, o que me faz questionar a que temperatura lhes corre o sangue e se serão mamíferos como nós. 

É difícil dizer, pensar ou escrever a palavra Nós sem me lembrar de ti quando éramos uma espécie de casal ideal que a vida e as obrigações não deixaram espaço para ser. 

Ficaram as memórias e os sonhos perdidos, alguma tristeza é um vazio imenso, tão vasto e escuro como a distância que nos separa. 

Li nas notícias que descobriram numa galáxia a 40 anos-luz um planeta onde pode existir vida parecida com a nossa. Chamam-lhe Super Terra. É maior e não gira em torno de nenhum sol, mas de uma estrela anã vermelha. Este exoplaneta tem a designação de LHS 114b e orbita a sua estrela dez vezes mais perto do que a Terra orbita o sol. 

Como será esse lugar que não está afina assim tão longe? Talvez seja uma versão optimizada da Terra, sem Erdogans nem Trumps, o ISIS, o Brexit e os surtos de sarampo, um lugar onde as democracias não se cansam e o riso das crianças nunca se perde, mesmo depois de crescerem.  

Eu acredito que eu venho de um lugar assim, onde a luz não queima, as trevas não assustam e o medo não existe. Imagino a Super Terra um planeta em que a verdade e a vontade prevalecem.  

Imagino mundos que não sei se existem enquanto espero na sala do hospital pela consulta semestral das cataratas. Não me considero velha, mas a doença é de família e ataca todas as mulheres depois dos 45 anos. Vão dizer-me daqui a quanto tempo vou ser submetida à cirurgia. Não tenho medo, nunca tenho medo de nada, não sei se é uma bênção ou uma inconsciência, nem sequer penso nisso. Se tivesse de ser operada ao coração era pior.

A minha médica que é igual a mim em quase tudo, pele clara e lisa, nariz afiado e boa cabeça. Talvez venha do meu planeta, onde as pessoas falam baixinho, detestam discussões e protegem aqueles que amam acima de tudo.

- Vamos opera-la ainda antes do Verão. Assim, quando for para a praia já não lhe entra areia para os olhos. 

Conhecemo-nos há muitos anos, desde que operou a minha mãe e mantemos uma amizade firme e cordial. Gosto de mulheres despachadas e sarcástica como eu. A identificação de semelhantes empresta-nos uma enorme sensação de conforto. Será que depois da operação os meus olhos vão ficar ainda mais verdes, como os dos meus altos e silenciosos, bons e sábios antepassados imaginários?

Gosto de pensar que sim. E tenho a certeza que um dia tu e eu voltaremos a encontrar-nos num mundo qualquer, unidos por um tempo sem tempo numa galáxia feliz na qual seremos Deuses e Astronautas, para sempre unidos no país do prazer, da paz e do bem-estar,  super cidadãos de um mundo sempre melhor.

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