Pedro Chagas Freitas
Pedro Chagas Freitas Dicionário do Amor

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Óbvio

Óbvio: adj. Aquilo que ninguém vê, como é óbvio. Só o desinteressante é evidente.
06 de novembro de 2017 às 07:00
...
Óbvio

[ela]

Queria tanto ser tua, e no entanto nunca deixei de ser tua,

estendes-me esse sorriso e eu deito-me, nada me manipula mais do que esse sorriso,

e as tuas mãos tão grandes nas minhas pequenas,

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a dimensão do teu olhar,

fico inteira por dentro dele, protegida e só eu, à espera de que o mundo acabe para sermos só nós para sempre,

sou feliz quando me amas, e isso aterroriza, entendes?,

ninguém merece gostar assim, muito menos eu, que sou apenas uma pessoa como outra qualquer,

como pode o amor mais talentoso do mundo ser pertencer a alguém tão normalzinha quanto eu?,

e não sei o que fazer, devia estar preocupada com o que nos pode acontecer por fora, com aqueles que nos podem fazer mal,

porque há tanta gente que nos quer fazer mal?, porque é amar tão criminoso assim?,

mas só me preocupo com o que nos pode acontecer por dentro, quero que me ames seja onde for, contra quem for, doa o que tiver de doer,

quero que me ames mas não consigo ser heróica o suficiente para te amar imediatamente,

preciso de um tempo de descanso, amar tão toda cansa, amar cansa,

mas não amar mata,

hei-de pensar em qualquer coisa para nos tirar daqui, qualquer coisa que nos leve juntos para algum lado,

nem que seja um tiro, sei lá,

pode ser ou fazes questão de continuar vivo? 

[ele]

Não fui. Nunca fui. Nunca fui capaz de estar sozinho, de aguentar estar sozinho. Preciso de pessoas. Preciso de perdões. Preciso de ombros. Preciso de quem esteja ali para me fazer aguentar estar aqui.

E tu foste quando eu mais sozinho estava. Foste quando eu mais precisava que estivesses.

Foi isso. Foi só isso. Eu e a minha incapacidade. Eu e a minha dependência. Preciso de pessoas à volta para poder estar sozinho como deve ser.

E ela veio. Não a amo. Nunca a amei. Não a amo. Regista isso. Por favor regista isso. Nunca a amei. Nunca a senti a mexer-me nas veias. Mas estava lá. E tu não estavas. Não estavas porque eu não fui. Não estavas porque eu fiquei. Não estavas porque preferi o certo. E ele era certa. Ela era sempre certa. Sempre disponível. Sempre pronta a ser a minha solidão.

Demorei tanto a estar pronto a estar acompanhado.

Estou pronto. Não sei o que vai ser de nós mas temos de ser juntos. O que quer que seja tem de ser junto. Eu e tu. Aqui ou noutro lado qualquer. Não quero saber de quem sou se não puder ser teu.

Demorei tanto a perceber a solidão que só me restou a possibilidade de estar sozinho.

Leva-me para onde quiseres. Faz-me o que bem entenderes. Mas contigo. Basta-me estar contigo. Leva-me. E devia ter tanto medo mas só tenho o teu corpo a preencher-me as sensações. Enches-me de ti e isso faz-me tão bem.

Leva-me para onde possamos ser só os dois. Mesmo que haja mais pessoas connosco. Leva-me para onde possamos ser só os dois. Leva-me para onde a minha solidão se possa instalar na tua.

E desculpa. Desculpa só ter chegado agora.

Anda comigo até ao fim do mundo. Ou simplesmente até ao fim de mim. 


Óbvio: adj. O que todos conseguem encontrar — e que ninguém sabe como procurar, como é óbvio. 

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