Pedro Chagas Freitas
Pedro Chagas Freitas Dicionário do amor

Notícia

Olhar

Olhar: v. O lado emocional de ver; qualquer estúpido vê mas só uma pessoa olha.
01 de janeiro de 2018 às 06:00
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Olhar

[uma espécie de conto infantil]

Naquela casa, no décimo segundo andar de um belo edifício, bem junto ao porto onde vários navios chegavam e partiam, moravam dois belos gatos: Betirica, o mais velho, era ruivo, de pelo sedoso e vaidoso sem igual; Tinoni, o caçula, era um tigre dos pequenos e tinha uma barriga em que toda a gente reparava: era uma bela de uma pança!

Todos os dias, à hora marcada, os donos de ambos, a quem eles ternamente chamavam escravos, lhes colocavam a deliciosa comida nos seus pratos cor de prata. Cada um tinha o seu, e os dois adoravam aquela hora do dia em que, lado a lado, saboreavam o irresistível repasto.

Era uma alegria: devoravam em poucos minutos o que havia para devorar, e faziam questão, até, de trocarem de pratos. Ora um comia atum, ora outro comia gambas. Eram, sem dúvida, gatos felizes!

Certo dia, Betirica, estranhamente, não quis comer. Os donos, claro, estranharam muito. O que estaria a acontecer com o belo e elegante gato?

Tinoni, ao lado, também observou o que estava a acontecer. Olhava para o seu amigo e parecia dizer-lhe para comer. Mas ele não reagia. Alguma coisa estava a acontecer...

Preocupados, os donos e bondosos escravos resolveram levar Betirica ao hospital. Lá, a simpática doutora fez alguns exames e conversou bastante com o algo entristecido gato, que, apesar disso, foi bem afável e sedutor. Era, de facto, uma criatura maravilhosa.

Quando os resultados dos exames chegaram, a doutora (sempre sorridente) revelou o que estava a acontecer:

- Meus senhores...

Betirica, vejam lá que coisa peculiar, tinha um problema nos dentes, que o impedia de trincar a comida de que ele tanto gostava.

O mistério estava resolvido. Agora, era tempo de cuidar rapidamente daqueles dentes malvados.

Algumas horas depois, Betirica, após alguns tratamentos, estava como novo e prontinho a voltar ao seu reino. Estava — mesmo — cheio de fome!

Quando abriram a porta de casa, ficaram espantados com o que viram. Tinoni, que nunca tinha deixado uma migalha para trás, nem sequer tocara na sua tão desejada comida. Estaria ele também com problemas?

Em poucos segundos a resposta seria dada. Depois de se terem abraçado como gente, os dois belos felinos desataram a correr até ao prato ainda cheio da comida de Tinoni e não perderam tempo: partilharam aquele banquete com toda a felicidade do mundo. Afinal, a verdade (quem diria?) era que um não podia comer sem o outro. Ou, melhor o dizendo, um não podia viver sem o outro. E assim, dali em diante, passaram a ter apenas um prato, que ambos, sempre felizes, faziam questão de dividir com o amigo.

Até os gatos são gente, não é?

 

Olhar: v. Faculdade reservada a pessoas de verdade; cego é só quem não sente.

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