Francisco Moita Flores
Francisco Moita Flores Piquete de Polícia

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SIRESPezinho

Perante a tragédia de Pedrogão Grande, nos últimos dias, quando os focos estão extintos e os mortos sepultados, aquilo que se temos assistido é um verdadeiro circo de desculpas.
30 de junho de 2017 às 07:00

Na altura, o ministro da Administração Interna era António Costa. O actual primeiro ministro. Foi o comprador do SIRESP, essa teia de comunicações, dizia-se, era o último grito no combate a catástrofes. De tal maneira versátil que podiam estoirar todos os sistemas de comunicação e o SIRES continuaria a sirespar. Foram cerca de 600 milhões de euros entregues a um consórcio que, entre outros, metia o BES, o BPN e a Motorola. Ah, e a PT! Como facilmente se depreende, os suspeitos do costume.

Perante a tragédia de Pedrogão Grande, nos últimos dias, quando os focos estão extintos e os mortos sepultados, aquilo que se temos assistido é um verdadeiro circo de desculpas. A Guarda Republicana não sabia das proporções do incêndio, nem a INEM, nem os Bombeiros e, muito menos, os comandos da Protecção Civil. Aquelas criaturas com umas fardas muito bonitas, com umas estrelinhas no peito, muito asseadinhos, que davam conferencias de imprensa, ocultando a realidade (os sistemas de informações não funcionavam) e ficcionando outras verdades.

Ficará para a história do anedotário, a história da queda do avião. Depois de se confirmar que um dos aviões de combate aos incêndios caíra, veio mais tarde um desses asseadinhos informar que, afinal, não caíra. Porém, sublinhava o sábio da treta, que de fogos nada sabe, que apesar de não ter caído, enviara uma equipa de socorro. Ora se não caiu, para onde terá esta alma enviado a equipa de salvamento? É o símbolo máximo do desnorte e um comandante desnorteado não pode gerir uma catástrofe destas dimensões. Tudo se encaminha para a procissão de inquéritos. Inquéritos pedidos pelo primeiro ministro, pela ministra, pela Assembleia da República, pelo Ministério Público.

É a tradição democrática portuguesa: somos especialistas em inquéritos que enferrujam com o tempo, meses á fio enfiados nas gavetas ou à espera de mais pareceres e peritagens, até ao dia em que a morte de tanta gente esboroe pelos caminhos do esquecimento. E já está! Viveremos sem nunca desculpar ao SIRESP, esse deus enrascado, culpado sem dúvidas, e gozaremos o eterno descanso entregues nas mãos das mesmas criaturas que há décadas governam Portugal em função do interesse pessoal e partidário. 

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