Francisco Moita Flores
Francisco Moita Flores piquete de polícia

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Férias destruídas

É pena ver regressar jovens com as suas expectativas destruídas por si próprios. Ao menos que valha como lição para os próximos finalistas que noutra Páscoa qualquer partam para celebrar a vida em festa.
16 de abril de 2017 às 08:00

Todos os anos, pelas férias da Páscoa, partem milhares de alunos com o pretexto de celebrar o fim do seu percurso no ensino secundário. Para muitos deles, é a primeira experiência vivida fora do País, longe dos pais e sem controle institucional. A euforia desta primeira vez, vulgarmente, descamba em situações menos agradáveis, tendo já acontecido, nos últimos anos, a morte de alguns estudantes.

O problema fundamental tem a ver com os mitos do prazer. Uma mitologia que procura, como sublinha Roland Barthes, encontrar falas com a história e com a afirmação de valores por o de reconhecem a independência e a liberdade. Os últimos acontecimentos que levaram a expulsão de centenas de alunos de uma estância turística e o exemplo claro de que o álcool, a droga, a sexualidade inicial, a euforia incontrolável que resulta desta emancipação, não é uma fala com a história da vida, mas tão só a expressão de referências educacionais perversas. A afirmação juvenil faz-se por comparação. Quando os mitos dos adultos assentam, sobretudo, na paixão futebolística que se exprime através do consumo de álcool, da ausência de sensibilidade para a cultura da descoberta dos maravilhosos mistérios da vida, é fácil quando estão em multidão, jovens que até são sensatos no seu dia a dia, se transfigurarem em pequenos selvagens que se destroem destruindo, voluntariado-se para a humilhação pública. Ficará na memória de todos aqueles que foram expulsos, para o resto do seus dias, que uma viagem que procurava afeto se tornou num pesadelo.

É importante que país e professores preparem com tempo estas manifestações de autonomia dos jovens finalistas, que lhes façam Entender que o lugar da festa não é o sítio do desespero nem da violência. É antes do mais a procura de instantes de felicidade. Que lhes façam entender que a droga e o álcool produzem alegria química, mas não permitem que nasça a verdadeira alegria, aquela que vem do coração.

É pena ver regressar jovens com as suas expectativas destruídas por si próprios. Ao menos que valha como lição para os próximos finalistas que noutra Páscoa qualquer partam para celebrar a vida em festa. 

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