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Margarida Rebelo Pinto
Margarida Rebelo Pinto Pessoas como nós

Fatias de vida

Pego no caderninho preto e sento-me na esplanada das Portas do Sol que é a minha nova cantina desde que troquei o andar na Lapa por umas águas furtadas em Alfama. Precisava de limpar os últimos anos da cabeça e do coração, portanto nada melhor do que mudar de casa quando não consegues mudar de vida.

Conversa impecável

Um dia aparece alguém que desperta a tua atenção. Alguém ligeiramente diferente, que, por uma razão desconhecida, consegue destacar-se da chusma anónima que te deixa indiferente. Começas a sair com o aquele tipo simpático, coisas simples, um chá numa esplanada, um passeio junto ao rio. Sentes-te bem na sua companhia, elaboras uma lista mental do que ele tem de bom para tentares interessar-te. E quando finalmente pensas que vale a pena investir, ele recua.

O factor esfregona

Há três anos conheci o Paulo no refeitório do laboratório. Trabalha noutro edifício, naquele dia tinha ido à administração. Avancei sem pensar. Sentei-me à frente dele com o tabuleiro e meti conversa. A mãe dele também se chamava Isabel...

'Y viva España'

Meti-me num grande alhada. Mas não é de agora. Não sei porque é que ao longo da vida as pessoas inteligentes tomam decisões estúpidas. Não tenho nada de original, sou apenas mais um idiota a cair no mesmo erro.

Cães, gatos e alicates

Umas das últimas coisas que aprendemos na vida é a dizer não. Não quero que me ignores. Não quero que te atrases. Não quero que me respondas torto. Não quero que tenhas medo de mim. Não quero que peças aquilo que não te peço dar. Não quero ver-te hoje e não quero ter de te dizer porquê.

Estado de graça

Os homens que conhecem bem as mulheres são aqueles que sabem cuidar delas. Se um homem não cuida, se descuida e destrata, é porque ainda não percebeu o que é uma mulher e como funciona. As mulheres são seres complexos. A nossa cabeça tem novelos infinitos que se embrulham uns nos outros quando nos sentimos inseguras ou tristes. Nunca somos fáceis, mesmo quando somos leves.

Nem por isso

O silêncio tem muitas cores, todas as manhãs acordo com ele ao lado e nunca sei como vou conseguir enfrentá-lo.

Sombras e Labirintos

Como todas as pessoas da minha geração quis ir ao Cheers beber um copo e fui, mas as mulheres americanas é que conseguem sentar-se sozinhas ao balcão de um bar e aguentar a pose. Como sou europeia, só consigo fazer isso numa esplanada.

O passo certo

Nos meus sonhos a minha casa é sempre igual. Silenciosa, romântica e serena, como o meu coração quando me apaixono. Já lá vão alguns anos desde que tal fatalidade me aconteceu.

A minha amiga sueca

Uma coisa é certa: a Suécia não é um pais quente, mas com amigos suecos nunca tens o coração frio. Eles não verbalizam os afetos, primeiro porque não estão habituados e depois porque não precisam.

Bolos e chapadas

Podes arrumar a casa, arrumar a vida, arrumar a cabeça, podes até arrumar o desejo, fechá-lo numa caixa e dizer-lhe fica aí quieto e sossegado, até podes arrumar o espírito, mas o coração Pedro Miguel, sabes que isso é impossível.

Há mais vida

Há muito que não ouvia Water Boys, nem Smiths, nem outras bandas do tempo em que os smartphones só apareciam em filmes de ficção científica. Não sou dada a nostalgias, gosto de descobrir bandas novas, mas há músicas que são como certos amores, quando nos entram para o coração, nunca mais saem. Ninguém tem culpa, é uma coisa que pode acontecer.

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