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Entrevista toiros

Parreirita Cigano: "Já nasci toureiro"

"Assim que me lembro de ser gente já queria ser toureiro". Este é o sonho antigo de Parreirita Cigano que agora se torna realidade. Carlos Conceição tirou a alternativa dia 29, no Campo Pequeno, numa noite de triunfo. Esta quinta-feira volta à Monumental de Lisboa com vontade de vencer na Corrida FLASH!. A história do menino cigano feito toureiro.
Por Hélder Ramalho | 05 de julho de 2017 às 20:00
O cavaleiro Parreirita Cigano, tomou a alternativa quinta-feira, 29 de junho, no Campo Pequeno O cavaleiro Parreirita Cigano, toma a alternativa esta quinta-feira, 29, no Campo Pequeno O cavaleiro Parreirita Cigano, toma a alternativa esta quinta-feira, 29, no Campo Pequeno O cavaleiro Parreirita Cigano, toma a alternativa esta quinta-feira, 29, no Campo Pequeno O cavaleiro Parreirita Cigano, toma a alternativa esta quinta-feira, 29, no Campo Pequeno O cavaleiro Parreirita Cigano, toma a alternativa esta quinta-feira, 29, no Campo Pequeno O cavaleiro Parreirita Cigano, toma a alternativa esta quinta-feira, 29, no Campo Pequeno
Parreirita Cigano tira a alternativa no Campo Pequeno

"Já nasci toureiro. Assim que me lembro de ser gente já queria ser toureiro e já andava de volta dos cavalos com o meu pai. Sempre quis ser toureiro e cavaleiro." É com estas palavras que Parreirita Cigano, aliás Carlos Conceição, de 29 anos de idade, descreve a vontade e o querer de ser cavaleiro tauromáquico. Um sonho que há muito persegue e que concretizou-se de forma profissional ao receber a alternativa no dia 29 de junho, no Campo Pequeno, em noite de glória. Parreirita regressa à Monumental de Lisboa esta quinta-feira, 6 de julho, para a grandiosa Corrida FLASH!, onde vai dividir o cartel com o cavaleiro colombiano Jacobo Botero e os matadores de toiros espanhóis Juan Del Álamo e El Fandi, também eles vindo de uma senda de triunfos nas garndes feiras de Espanha – Sevilha, Madrid e Valência. Nas pegas, a arte e a valentia do Grupo de Forcados do Aposento da Moita. 

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O cavaleiro Parreirita Cigano, toma a alternativa esta quinta-feira, 29, no Campo Pequeno Foto: Paulo Miguel Martins

Tirar a alternativa na monumental de Lisboa é um desejo há muito almejado pelo cavaleiro do Cartaxo. "Devo muito ao Campo Pequeno. Deram-me oportunidades e eu tive a felicidade de as aproveitar. Ali é gente de palavra. Espero que, no futuro, possa continuar a merecer a confiança da empresa. Identifico-me totalmente com a praça de toiros do Campo Pequeno. Desde a primeira vez que aqui toureei, senti uma energia fantástica. A vibração desta praça é algo de indescritível". Parreirita partilha cartel no Campo Pequeno com Manuel Jorge de Oliveira, Ana Batista, Rui Salvador, João Maria Branco e Jacobo Botero. Nas pegas estão os grupos da Chamusca e Aposento da Chamusca. Os toiros têm ferro Veiga Teixeira. 

Ser filho do matador de toiros Parreirita Cigano foi importante para escolher seguir esta profissão?
Penso que sim, está no sangue, já nasci um bocadinho toureiro.

Lembra-se da primeira vez que viu o seu pai tourear?
Só vi o meu pai tourear três vezes, uma delas eu ainda não era toureiro. Foi em 1997, num festival em Salvaterra de Magos. Lembro-me pouco mas foi muito intenso.

O que significa para si ser toureiro?
É um sentimento. Eu sinto isto de maneira diferente. Quando eu estou a tourear e sinto, as coisas funcionam, quando estou a tourear e não sinto, não funciona. Quando sinto, consigo transmitir esse sentimento às pessoas.

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O cavaleiro Parreirita Cigano, toma a alternativa esta quinta-feira, 29, no Campo Pequeno Foto: Paulo Miguel Martins

Já disse que não conseguia concentrar-se na escola porque só pensava nas corridas e nos cavalos…
Não era por ser burro, porque os professores falavam com a minha mãe e diziam-lhe que eu era uma pessoa bastante inteligente. Eu é que não queria saber nada da escola. Só queria que as aulas acabassem para ir à procura de um cavalo e poder montar.

E teve tempo para brincar como as outras crianças ou só queria montar sem tempo para mais nada?
Na altura fazia o que queria, não era por obrigação, era por gosto.

Sempre tiveram cavalos em casa?
Sim. E também tive oportunidade de conhecer o senhor Manuel Jorge de Oliveira desde miúdo, com quem estava muitas vezes na quinta em contacto com os cavalos.

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O cavaleiro Parreirita Cigano, toma a alternativa esta quinta-feira, 29, no Campo Pequeno Foto: Paulo Miguel Martins

E quando é que começou a levar mais a sério isto das corridas de toiros?
Há 8 anos. Tinha 20. Foi quando me empenhei nisto a sério e a fazer isto de manhã à noite. Já montava, fazia muitas temporadas em casa de Manuel Jorge de Oliveira, ia para lá algum tempo, quando tinha tempos livres, e quando decidi em andar para frente e quando surgiu a oportunidade de avançar, não hesitei.

O seu toureio é diferente? O que o diferencia dos restantes cavaleiros?
É um toureio frontal e um pouco diferente do que vemos nas praças hoje em dia. Tento levar emoção às bancadas e arriscar o máximo possível só assim sinto o toureio.

A AUSÊNCIA DO PAI

Apesar do seu pai ter sido matador de toiros não há muita tradição dos toiros entre a comunidade cigana…
É bom. É diferente. Assim o público fica com curiosidade e vai à praça assistir. Parreirita já é um nome antigo. O meu pai foi um grande toureiro na época dele. Por um lado é bom mas por outro tem o peso e acaba por haver comparações. Se eu não for tão bom como ele as pessoas vão comentar... Vamos ver.

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O cavaleiro Parreirita Cigano, toma a alternativa esta quinta-feira, 29, no Campo Pequeno Foto: Paulo Miguel Martins

E o nome tem aberto algumas portas para fazer parte dos cartéis?
Parreirita Cigano é um nome giro, fica bonito nos cartazes. Chama a atenção das pessoas porque se lembram do meu pai, mas não tem aberto portas nenhumas. Tem sido difícil. Só pelo triunfo é que temos andado para a frente.

Qual foi a corrida que o marcou mais?
Foi uma corrida que toureei com o meu pai há dois anos. Foi uma corrida de emoções muito fortes. O meu pai tinha saído da prisão há pouco tempo. Ele queria muito tourear, nós também queríamos que ele toureasse, de repente surgiu a possibilidade de montar uma corrida mista no Cartaxo com o Rui Salvador, o João Moura e o meu pai. O meu pai estava assim como está agora, não estava nada em forma, foi da noite para o dia. Tourear com uma figura como o meu pai foi, com o Rui Salvador e o João Moura, um enorme prazer e uma grande oportunidade. Tourear com o pai... não há explicação. E ele mostrou estar em forma. Valente como tudo. A vontade que tinha antigamente é a que tem agora.

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O cavaleiro Parreirita Cigano, toma a alternativa esta quinta-feira, 29, no Campo Pequeno Foto: Paulo Miguel Martins

Esteve muito tempo afastado do seu pai?
Afastado não digo porque falávamos todos os dias e eu visitava-o regularmente, mas foram 13 anos. Quase a minha juventude toda. Tive que me fazer homem por mim. Ajudou-me a ser quem sou hoje.

E agora que ele está de novo mais perto de si. Tem sido importante a passar-lhe alguns ensinamentos?
Sim, sim, claro. O conforto e alguma ajuda. A companhia que é essencial nas praças, vir connosco às corridas. E eu também quero que ele regresse a este meio porque sei que é aqui que ele se sente bem. Na trincheira está sempre toureiro e fica calmo, fica feliz. E é isso que eu quero que ele seja.

A família tem sido fundamental no seu percurso?
Sim, tem sido sempre muito unida. Somos três irmãos homens e três irmãs. Tenho um irmão que trabalha com o cavaleiro Luís Sabino, nos obstáculos, o outro irmão foi oficial no exército. Nós nascemos no Cartaxo, o meu pai é de Coruche. Somos cartaxeiros, terra do bom vinho e também dos toiros. Antigamente havia aqui muitas ganadarias.

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O cavaleiro Parreirita Cigano, toma a alternativa esta quinta-feira, 29, no Campo Pequeno Foto: Paulo Miguel Martins

Onde espera levar o seu toureio?
Ao máximo. Quero ser como um Ventura, como um Pablo Hermoso, como foi o senhor Manuel Jorge de Oliveira. Quero ser uma figura máxima do toureio.

Tem sido um percurso difícil?
Comecei a tourear há quatro anos, sempre em evolução. Não tem sido fácil, mas sempre a crescer. Pouco investimos e com o trabalho as coisas têm surgido. Nunca pensei ter um camião para os cavalos e o camião apareceu. Não pensava ter o Rio Frio (cavalo) e ele apareceu. Tudo fruto do trabalho.

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