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Ex-apresentador de TV e gay. Ministro espanhol Màxim Huerta cai por fraude fiscal "à Messi e Ronaldo"

Màxim Huerta, escolhido para tutelar a Cultura e o Desporto por Pedro Sánchez, não resiste à condenação por fuga aos impostos quando era apresentador de televisão.
13 de junho de 2018 às 18:38
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Ex-apresentador de TV e gay. Ministro espanhol Màxim Huerta cai por fraude fiscal "à Messi e Ronaldo"

O novo ministro da Cultura e do Desporto de Espanha, que era apresentador de televisão, foi condenado por fuga ao Fisco no valor de 218 mil euros entre 2006 e 2008, quando trabalhava como apresentador televisivo. Duas sentenças, decretadas em Maio do ano passado pelo Tribunal Superior de Justiça de Madrid, obrigaram Màxim Huerta, que namorou durante mais de um ano com o criador Juan Avellaneda, de 24 anos, a pagar 366 mil euros no âmbito destes processos por fraude fiscal. E acabam agora por provocar a primeira baixa no governo formado há apenas duas semanas pelo PSOE. 

Segundo publicou o jornal El Confidencial esta quarta-feira, 13 de Junho, o jornalista e apresentador de televisão que o primeiro-mnistro Pedro Sánchez foi buscar para o novo elenco governativo montou uma empresa ("Almaximo Profesionales de la Imagen") para pagar menos impostos: durante esse período foi tributado em 25%, em vez de uma taxa de 48% se declarasse esses rendimentos em sede de IRPF, o equivalente ao IRS em Portugal. 

A operação, descrita pelo El País como "uma situação tributária parecido com a que viveram futebolistas como Messi ou Cristiano Ronaldo, mas numa escala inferior", deixou o novo ministro sob fogo da oposição, nomeadamente do Partido Popular, que acaba de sair do poder e de imediato pediu a sua demissão. "Esse assunto não foi como ministro. Fiz os pagamentos correspondentes e acabou-se. Não houve má-fé. Não ocultei nada. Estou ao corrente das minhas obrigações fiscais", reagiu Màxim Huerta, antes de ser forçado a demitir-se. 

É que, nesta sentença em que rejeitou os recursos do governante, o Tribunal Superior mostrou um entendimento diferente, ao assinalar que, "ainda que seja legítima a interposição de sociedades profissionais, não o é a criação de sociedades com o único propósito de evitar parte da carga fiscal, sem contribuir em nada para a actividade realizada pelo seu único sócio, que as constituiu e que as administra". 

O jornal El Mundo, citando relatórios das inspecções das Finanças espanholas, escreve ainda que nos três exercícios fiscais em questão (entre 2006 e 2008), Màxim Huerta apresentou quase 460 mil euros como despesas dessa sociedade, quando só um terço desse valor é que estava relacionado com a actividade laboral como jornalista e, por isso, poderia ser deduzido. 

A sentença explicita que o governante "engrossou indevidamente o capítulo das despesas" e permite inferir, segundo a imprensa do país vizinho, que uma parte desses gastos dizem respeito a uma casa que detém na praia de El Albir, em Alicante. O imóvel está no nome dessa sociedade, com o Tribunal a afirmar que na realidade é "totalmente alheio" à actividade que o apresentador desenvolvia em Madrid, ao serviço do canal Telecinco.

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