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Casas Reais

O regresso dos Bourbon a Portugal

Habituada a passar férias no Estoril, durante muitos anos, a Infanta Cristina regressa ao país que acolheu o pai, Juan Carlos, e os avós, Condes de Barcelona, no exílio.
Por Ana Cristina Esteveira | Isabel Laranjo | 18 de fevereiro de 2017 às 12:10
O regresso dos Bourbon a Portugal
Juan Carlos II e a rainha Sofia com os filhos, Elena, Cristina e Felipe, numas férias de verão, no Estoril
O rei emérito na sua juventude, junto à baía de Cascais. Por cá viveu grandes paixões, fez amigos e pediu Sofia da Grécia em casamento
Os reis eméritos, Sofia e Juan Carlos II, com a infanta Elena, num dos verões, em Portugal
Na juventude, Juan Carlos, pai de Cristina, espalhava charme nos bailes do Estoril
Juan Carlos, o rei emérito, viveu paixões tórridas. Só que acabou por ter de casar-se com Sofia da Grécia. Hoje o casal continua junto apenas no papel
Os condes de Barcelona com dois dos quatro filhos: a infanta Margarida e Juan Carlos, atual rei emérito de Espanha
Juan Carlos com duas jovens amigas, na praia do Tamariz, Estoril
A condessa de Barcelona, D. Maria Mercedes, avó paterna da Infanta Cristina, com os 4 filhos os infantes Juan Carlos, Afonso, Pilar e Margarida
Juan Carlos e os irmãos vieram com os pais, Juan Carlos I e D. Mercedes, para Portugal, devido à repressão da ditadura franquista
Juan Carlos viveu em Portugal tempos de verdadeiro glamour. Pretende, agora, comprar casa em Cascais e visitar a filha, Cristina, com regularidade
Este é o palacete que o rei emérito está a tentar negociar e onde quer instalar a sua residência de verão, em Cascais
O rei emérito esteve, em 2005, instalado em Cascais, com a suposta amante Corinna zu Sayn-Wittgenstein
A Vila Giralda, que foi propriedade da família Espírito Santo, era a residência dos avós e do pai de Cristina. Foi nesta moradia que D. Afonso, irmão do rei emérito, morreu num acidente misterioso com uma arma de fogo
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"Espanha é a minha pátria. Portugal é o meu pais". A frase é do rei emérito espanhol, Juan Carlos. A ligação da família real espanhola ao nosso país é forte.

O Estoril foi o refúgido dos Condes de Barcelona, avós paternos da Infanta Cristina, obrigados ao exílio devido à ditadura franquista, instalada em Espanha em 1936.

Com Franco a ganhar fôlego, os Condes de Barcelona, foram obrigados a instalar-se no Estoril, com os filhos, Pilar, Margarida, Afonso e Juan Carlos. Agora é a vez de uma Bourbon se "exilar" no nosso país: Cristina. Se até agora a Infanta morava, com os 4 filhos do casal, em Genebra, Suíça, Lisboa será a sua nova morada.

A mudança para o país que acolheu os avós e o pai deve-se à mudança de sede da Fundação Aga Khan, onde trabalha, para o Palácio Henrique de Mendonça. A nova residência de Cristina de Bourbon fica localizada nas Avenidas Novas, muito perto do El Corte Inglès, onde, provavelmente, começará a ser habitual vê-la às compras.

A mudança agradou à infanta Cristina, que assim ficará mais perto do marido, que ficará detido, em Espanha. Iñaki Urdangarin, de quem nunca quis divorciar-se, apesar dos apelos do pai, foi condenado a 6 anos e 3 meses de prisão. O catalão não conseguiu escapar à justiça, na sequência do escândalo financeiro "Noós".

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Infanta Cristina e Inaki nos tempos da vida de luxo da casa real espanhola

Lisboa é uma cidade bem conhecida da infanta Cristina. Afinal de contas, apesar de não ter vivido em Portugal – já nasceu e cresceu em Madrid – vinha todos os anos ao Estoril, até 1982. Só neste ano, os Condes de Barcelos, Juan Carlos I e D. Mercedes de Bourbon Duas-Sicílias regressaram ao seu país.

Os verões de Cristina, Elena e Filipe VI, o atual rei espanhol, eram mais azuis no Estoril. Por isso, será natural que Cristina volte a frequentar a "Riviera" portuguesa, onde o pai foi tão feliz. Mas onde também houve lugar à tragédia familiar, com a morte alegadamente acidental do infante Afonso, irmão mais novo do rei emérito.

Consta que Afonso se feriu, acidentalmente, ao limpar uma arma de fogo. Era quinta-feira santa e os irmãos tinham regressado da missa, no Estoril. Só que, na poeira da história, ficou sempre a dúvida sobre a participação de Juan Carlos na morte acidental do irmão e uma empregada da casa, Josefina Carolo, disse mesmo que o atual rei emérito terá carregado no gatilho, sem se aperceber que a arma estava carregada.

A infanta Cristina deverá contar com visitas regulares do pai, Juan Carlos, que há alguns anos manifesta o desejo de comprar uma casa de veraneio, em Cascais. 

Carlos Carreiras, presidente do município de Cascais, já admitiu que está disponível para colaborar com a Casa Real espanhola na compra ou cedência da Casa de Santa Maria para residência de verão do rei emérito. O autarca avançou ainda que o contacto partiu de "pessoas próximas" de Juan Carlos que mostraram interesse em saber qual a disponibilidade da Câmara de Cascais para uma possível venda da Casa de Santa Maria, só que município para além da venda põe também a hipótese de uma possível cedência do referido imóvel para uma utilização de âmbito cultural.

Se se concretizar esta "colaboração" entre as duas partes, Juan Carlos passará a viajar mais vezes para Portugal, país que lhe traz tão boas recordações e onde tem muitos e grandes amigos. 

ESTORIL, O EXÍLIO NO PARAÍSO

Juan Carlos – que na altura era carinhosamente tratado por Juanito, para se distinguir do seu pai, Juan de Bourbon, conde de Barcelona – viveu no Estoril os melhores anos da sua juventude. Foi cá que fez amigos para a vida e foi também por cá que se apaixonou pela primeira vez.

O Estoril – que na época era um estância de luxo e glamour – ficará para sempre ligada à família real de Espanha como a tantas outras famílias reais europeias que aqui fixaram residência por motivos políticos. Os ilustres "habitantes" atraíam a esta localidade celebridades como Zsa Zsa Gabor, Ortega y Gasset, Lola Flores, Rocío Jurado, Audrey Hepburn, Gina Lollobrigida e o barão Thyssen, entre muitas outras.

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O rei emérito na sua juventude, junto à baía de Cascais. Por cá viveu grandes paixões, fez amigos e pediu Sofia da Grécia em casamento

Foi em Portugal, que o antigo rei espanhol se cruzou com uma sociedade requintada e que se divertia nos mais diversos eventos sociais organizados, na sua grande maioria, pelas famílias mais ricas do país, como é o caso dos Espírito Santo, Champalimaud e os Mello.

Juanito frequentava a praia do Tamariz, a sua preferida, perdia-se pelos gelados do Santini e não perdia as festas mais badaladasda época.

OS AMORES DE ‘JUANITO’

Durante a passagem por Portugal, o atual rei emérito de Espanha destroçou corações e foi muito cobiçado pelas jovens da alta sociedade europeia. Foi por cá, que viveu os primeiros amores entre eles uma Poser de Andrade, Chantal Stucky de Quay e as duas filhas de Isabel de Orléans. Só que segundo se sabe, a sua maior paixão foi Gabriella de Saboya. A princesa foi o seu grande amor de juventude e foi precisamente ela que mais o fez sofrer, pois tinha por hábito trocá-lo por outros pares nos glamorosos bailes do Estoril ou Cascais.

Olghina Nicolis de Robilant foi outra das paixões de Juanito antes de se comprometer com Sofia da Grécia, aquela que veio a ser sua mulher e rainha de Espanha. A relação com Olghina foi descritacomo "intensa e tórrida", mas nuncaceite pela família de Juan Carlos.

Por pressão familiar, os primeiros passos do namoro com Sofia também foram dados na ‘Riviera’ portuguesa. A festa de noivado foi realizada na estalagem ‘Muchaxo’, no Guincho. António Muchaxo, recorda o amigo e a festa. Um simples almoço, com vista para o bravio mar daquela praia. "Ele era normalíssimo: afável, educado, simples e falava português como nós. Aliás, gostava muito de estar com os amigos e sempre nos tratou de maneira igual, mesmo depois de ser rei", explica o octogenário.

Quando ao noivado com Sofia da Grécia, "foi um almoço familiar, muito simples, com poucas pessoas. A mãe dele, a D. Maria Mercedes, pediu a mão da infanta Sofia à sua mãe, a rainha Frederica da Grécia". Nas paredes da estalagem há fotografias dos reis eméritos que, por diversas vezes ali se hospedaram, nos anos 80 e 90.

Já casado e a viver no Palácio da Zarzuela, em Madrid, o rei continuou a voltar regularmente ao Estoril. O casal trazia os três filhos, Elena, Cristina e Felipe, para visitarem os avós – os condes deBarcelona – que ficaram em Portugal até 1982.

NINHO DE AMOR SECRETO

Foi na nossa costa que Juan Carlos se apaixonou pelos desportos náuticos, um desportista nato e um ‘bon vivant’. As suas visitas à ‘Riviera’ portuguesa são, hoje em dia, anónimas e frequentes, especialmente agora que a sua agenda é cada vez menos sobrecarregada e a liberdade matrimonial é cada vez maior.

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O rei emérito esteve, em 2005, instalado em Cascais, com a suposta amante Corinna zu Sayn-Wittgenstein

Em 2005, por exemplo, Juan Carlos esteve incógnito, em Cascais, com Corinna zu Sayn-Wittgenstein. Ele hospedou-se no Hotel Albatroz e ela no Hotel Palácio do Estoril. Tudo para minimizar as hipóteses de serem vistos juntos, naquela que foi uma das mais badaladas relações extra conjugais do rei emérito.

Recorde-se que o casamento dos antigos reis de Espanha subsiste apenas no papel. Juan Carlos e Sofia fazem desde há muitos anos vidas separadas, embora neste momento de uma forma mais assumida.

A possível finalização do negócio, para a compra da casa de veraneio, em Cascais, será um regresso à infância. E deverá ser precipitada pela vinda da filha mais nova para o nosso país.


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