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As noites loucas do Presidente

Marcelo Rebelo de Sousa sempre gostou de organizar saídas com os amigos, desde os tempos da faculdade. A cumplicidade com António Costa, seu antigo aluno, vem dessa época.
Por Isabel Laranjo | 18 de fevereiro de 2017 às 19:57
As noites loucas do Presidente
O Presidente é um homem exigente mas descontraído. Sempre gostou de pregar partidas, contar piadas e organizar saídas com amigos e alunos
Em Paris, a alegria do Presidente e do primeiro-ministro contagiou os emigrantes, no Dia de Portugal
Na noite da tomada de posse, como Presidente, juntou-se a Fernando Medina, na Praça do Município, em Lisboa. Feliz, tratou de organizar uma festa, com entrada livre, para o povo
Marcelo Rebelo de Sousa no auditório da Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa
Onde quer que vá, o Presidente Marcelo mostra sempre o seu lado mais descontraído
O sorriso é quase permanente no rosto do Presidente, de 67 anos de idade
A Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa será sempre uma das suas "casas". Foi aqui que conheceu António Costa, a quem deu 17 valores de nota final
Nas ruas, nunca se furta a uma 'selfie', aos sorrisos e aos beijinhos. Marcelo é um homem de afetos e, praticante de meditação, acredita na transmissão de energias positivas
Satisfeito, aplaude de pé um espetáculo, no Teatro Politeama, em Lisboa
Em Moçambique a fazer uma das coisas que mais gosta: dançar
O Presidente e o primeiro-ministro, em Paris, numa imagem que se tornou simbólica das boas relações entre Belém e S. Bento. A foto retrata, também, a relação de deferência do antigo aluno para com o eterno Professor
Marcelo nas suas habituais férias algarvias, onde espalha simpatia junto dos outros veraneantes
Bastante descontraído, preferia não ter seguranças, mas a tal é obrigado. Aqui, a engraxar os sapatos, em Cascais
No Funchal, alinhou em dançar "Dab", uma coreografia que está na moda, mostrando o seu lado bem humorado
O Presidente é curioso e é o primeiro a brincar consigo próprio. Já na faculdade, não evitava as piadas com os alunos, apesar de ser dos mais professores mais exigentes.
O mais alto magistrado da nação mantém os seus gostos de sempre e faz questão de ter uma vida o mais comum possível, apesar do cargo que desempenha
António Costa tem um grande respeito e admiração por Marcelo Rebelo de Sousa, que foi seu Professor na Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa. É notório, quando se observa de perto o comportamento do primeiro ministro para com o Presidente
O Presidente quando ainda era comentador da TVI, numa festa daquele canal de televisão, com Núria Madruga e Jessica Athayde
Até na foto oficial, o Presidente mostra a sua atitude alegre e descontraída
Marcelo Rebelo de Sousa
Marcelo Rebelo de Sousa
Marcelo Rebelo de Sousa
Marcelo Rebelo de Sousa
Marcelo Rebelo de Sousa
Marcelo Rebelo de Sousa
Marcelo Rebelo de Sousa
Marcelo Rebelo de Sousa
Marcelo Moçambique
Núria Madruga, Marcelo Rebelo de Sousa
Marcelo Rebelo de Sousa

A relação entre o Presidente e o primeiro-ministro é antiga. Remonta a 1980, quando António Costa se tornou aluno, no seu primeiro ano na Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa, de Marcelo Rebelo de Sousa.

Daqueles tempos, todos recordam um professor exigente mas muito divertido. O Presidente acreditava que as saídas com os alunos serviam para os estimular para as aulas e criar um forte espírito de grupo. 

17 VALORES PARA COSTA

O atual Presidente guarda as melhores recordações do aluno, que agora dirige os destinos do país. "Era muito bom aluno, acima da média". Marcelo, desde sempre descrito como um professor acessível mas muito exigente, deu-lhe 17 valores na cadeira de Direito Público Comparado. "Era um aluno muito rápido, daqueles que toca de ouvido", revela ainda o atual Presidente no livro "Quem disse que era fácil?", de Bernardo Ferrão e Cristina Figueiredo, uma biografia de Costa.

O primeiro-ministro licenciou-se com brilhantismo: foi o segundo melhor aluno do seu curso, com média final de 15 valores. Melhor que ele só a colega Luísa Duarte, com 16 valores de média aritmética.

Ainda assim, Costa teve que deixar uma cadeira para setembro de 1985: História Diplomática, ministrada pelo mítico e temido professor Soares Martinez. Leite Alves, colega de curso de António Costa, declara, no mesmo livro, que Costa só terá conseguido passar porque "Marcelo interveio junto do Martinez".

Dessa altura, Costa recorda, também, as festas com que Marcelo brindava os alunos. Era um jovem professor, que falava rapidamente, enquanto deambulava pelo estrado, frente aos alunos, sentados a apreender o que dizia, ao mesmo tempo que cofiava a barba. Depois, organizava jantaradas e idas a discotecas como o Plateau ou a Kapital. "Marcelo percorre as capelinas com agrado e paga copos aos alunos", pode ler-se na biografia "Marcelo Rebelo de Sousa, de Vítor Matos.

Marcelo acredita que esse contacto próximo beneficiava a sua relação com os alunos e os estimulava, para depois estarem mais atentos e satisfeitos, nas aulas. "Acho que o meu talento fundamental é o de ser um pedagogo. Quer dizer, o grande talento que recebi foi o de transmitir aos outros, de suscitar reflexões, como professor, como comunicador e depois, acessoriamente, como político".

Não é, pois, de admirar que o Presidente e o seu antigo aluno, agora a seu lado, aos comandos de Portugal, sem mostram tão cúmplices. Afinal, quem passar pelos bancos da faculdade raramente esquece que aqueles são os melhores momentos da vida.

AS MALANDRICES DO PM

Ao mesmo tempo, Marcelo Rebelo de Sousa reconhece as qualidades, enquanto político, de António Costa. E recua até 1989, ano de eleições autárquicas, em que o atual Presidente se celebrizou por se atirar ao Tejo, onde nadou nas águas poluídas, apesar da sua hipocondria, subiu à estátua do poeta Chiado e passou um dia a conduzir um táxi, pelas sete colinas da cidade.

Costa estava do outro lado da barricada, apoiando Jorge Sampaio, que acabou por vencer. E terá sido peça fundamental, durante a campanha eleitoral. "As maiores maldades que a campanha de Jorge Sampaio me fez, atribuo-as a ele [António Costa]", lê-se em 'Quem disse que era fácil?'.

E Marcelo passa a descrever essas "maldades", que se revelaram de génio, usando o bom humor, uma característica bem conhecida de Costa. "Havia uma empresa de reparações que era a TV Marcelo. E a minha campanha tinha uns cartazes enormes com ‘Marcelo’ escrito a vermelho sobre um fundo branco. Um dia, alguém escreveu por cima do meu nome ‘TV’. Ou seja, nos meus cartazes passou a aparecer ‘TV Marcelo’, como a empresa de reparações. Ainda hoje acho que foi o Costa. Ele foi muito útil ao Sampaio, que era um bocado ingénuo".

ELOGIOS A COSTA SÃO ANTIGOS

Marcelo Rebelo de Sousa recorda, ainda, outro episódio dessa famosa campanha eleitoral. Naquela época "usavam-se muito os pendões pendurados em postes". E conta que os seus "desbotaram todos com a chuva". Os jornalistas, autores do livro, perguntaram ao Professor se essa "maldade" também teria o dedo de António Costa. "Não, foi um azar", respondeu Marcelo, lançando um "típico sorriso de quem admite todas as possibilidade. Fica a dúvida", escrevem Bernardo Ferrão e Cristina Figueiredo.

Por tudo isto, o Presidente, que mostra estar em estreita colaboração com o Governo, gaba a sagacidade do atual primeiro-ministro que, afinal, foi mesmo um bom aluno. "Tem uma grande rapidez e inteligência nas questões de tática e estratégia política. E era muito novo", ressalva Marcelo Rebelo de Sousa, o mestre, que reencontra, 27 anos depois, o aluno bem preparado e que lhe retribui todos os elogios.

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