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Entrevista

Jorge Corrula corre maratonas pela mulher e pela filha: "Sinto-me uma espécie de Deus"

Com 39 anos de idade, o ator tem uma grande prioridade na vida: a filha Beatriz, de 4 anos. E por ela garante que até já sacrificou a sua vida profissional, apesar de atualmente estar mais atarefada que nunca. A poucos meses de ir correr a emblemática maratona de Nova Iorque, Jorge Corrula numa entrevista intimista.
Por Hugo Alves | 02 de setembro de 2017 às 11:47
Jorge Corrula faz revelações sobre a sua família
jorge corrula
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Jorge Corrula
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Jorge Corrula
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Está mesmo decidido a participar na maratona de Nova Iorque?
Já me meti em várias corridas, mas esta é a corrida rainha, é a maratona... As minhas ambições são parcas: apenas o  pódio e lutar contra os quenianos (risos). Não. É uma loucura que já tenho há muito tempo, sempre gostei de correr e confesso que nos últimos quatro anos tinha tentado inscrever-me sem sucesso: ora eram precisos tempos oficiais, ou o dorsal era muito caro, assim como a estadia, até que este ano pela primeira vez juntei a vontade, a disponibilidade profissional e o facto de ser patrocinado pela New Balance, e lá vou eu. Tudo se conjugou. Além disso, estou a fazer um esforço a nível pessoal e profissional para não fazer má figura.

Já tinha feito algumas corridas?
Sim, a São Silvestre, algumas provas na zona ribeirinha e o ano passado fiz a meia-maratona e não correu mal. Agora meti-me na maratona com o objectivo real de chegar ao fim. Até lá, espero não ter lesões e que não me aconteça nada (risos). Tenho três meses para me preparar.

Como  está a ser isso feito?
Estou com a GFD (grupo de fisioterapia do desporto), que me dão um plano adequado de treinos e onde faço fisioterapia, pois já apareceram alguma pequenas lesões. Treino seis vezes por semana, para além de fazer musculação e fisioterapia. Só há descanso um dia por semana. Estou a correr por vezes 20 quilómetros por dia. Tudo isto levou-me a condicionar um pouco a minha vida profissional, ou seja, não estou a fazer televisão. Está a ser duro, mas acho que vai ser uma prova de superação.

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Jorge Corrula Foto: Carlos Ramos

Portanto, o seu objectivo é chegar vivo ao fim?
Sim (risos). Daí o esforço nos treinos, porque não quero sofrer, embora acho que seja impossível ao longo de 42 quilómetros.

Sente-se em forma?
Ainda não. Três semanas antes da prova espero estar!

Tinha o hábito de se manter em forma antes desta aventura?
Corria. E sempre tive cuidado com a alimentação. De há uns anos para cá, tenho mais cuidados, mas por causa da minha filha, Beatriz. Mas não é fácil deixar de comer um bom cozido à portuguesa. Talvez deixe é de comer uma vez por semana (risos). Hoje, tento não cometer avarias, mas quero comer bem. Evito fritos, gorduras, faço um bom pequeno-almoço com fruta, como produtos hortícolas, dou primazia ao peixe e como muitas vezes por dia. E quando tenho um "ratito", evito a tal feijoada.

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PODER CIRCULAR POR TODOS OS CANAIS

Deixou há mês e meio de gravar 'Amor Maior'. Como foi a experiência?
Faço um balanço muito positivo. A única coisa que me deixou de pé atrás neste Raul foi a pouca incidência…

... Considera que foi um papel menor para si?
Aceitei o papel por ser um grande desafio, por ser diferente do que já tinha feito até então. Não esperava era tão pouca incidência. Mas acontece. Só era bom porque me preparava a 100 por cento para todas as cenas. E tratei-o como protagonista.

Achava que merecia um protagonista?
Eu comecei há uns anos a deixar esses papéis por opção. Porque fazer de protagonista em novela obriga  muitas horas de trabalho e pouco tempo para preparar e mais facilmente o trabalho não tem  o nível de exigência que tu esperarias. O último que fiz foi na RTP1, 'Água de Mar'.

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Jorge Corrula Foto: Carlos Ramos

Alguns colegas  seus dizem que deixaram de fazer protagonistas porque eles são sempre chatos, iguais…
Não concordo. Acho é que é violento para qualquer actor. E há actores que se deixaram seduzir por isso. Não dou importância a isso. Gosto é de fazer personagens interessantes. Por exemplo, nas Poderosas, embora não fosse   protagonista, era como se fosse, e era muito interessante o tipo de trabalho que se desenvolveu em torno daquele homem. Acho que esse tipo de crítica, de serem todos iguais, é uma bengala para justificar que não se teve tempo de preparar o trabalho. Embora preparar 30 cenas por dia, todas bem, seja, como todos sabem, impossível.

Não tem casa [exclusividade], circula por todas as estações. É mais fácil assim?
Tem prós e contras. Desde que deixei de ter contrato com a TVI, nunca tive tanto trabalho na vida.

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Jorge Corrula Foto: Carlos Ramos

Procuram-no mais?
Sim, e permite-nos trabalhar outro tipo de projetos, com pessoas e realizadores diferentes. Se estamos parados no mesmo sítio, na mesma estação, e falo por mim, uma pessoa acomoda-se, trabalha menos. Senti que, quando fiquei  sozinho, sem contrato até, tinha convites mais estimulantes. E atirava-me, pois sentia que tinha que provar e lutar, mostrar que tinha valor. Isso é estimulante. Os únicos que ganham com um contrato são os canais que ficam com um actor para determinado papel que precisam.
Mas, para quem tem uma filha com quatro anos, a segurança não é melhor do que diversidade?
Com uma filha, há uma pressão maior, mas sinceramente tenho tido mais trabalho. Por isso, se calhar, o truque é não pensar mesmo e não me acomodar (risos). E assim os convites não param de surgir.

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BEATRIZ E PAULA

Com uma filha tão pequena, o que mudou em si?
O filho é o principal espelho da tua personalidade e é o que pode contribuir para poderes ver os teus defeitos e assim corrigi-los. Desde que tenho uma filha que me conheço melhor. Uso muito a minha filha para corrigir os meus traços menos positivos de personalidade (risos).

É um pai presente?
Chego a prejudicar a minha vida profissional para estar com a minha filha. Não quero dizer daqui a uns anos: eu não vi, eu não estive tempo suficiente com ela, que podia ter ido a mais reuniões na escola, de lhe ter dar mais banhos, mais sopa, contado mais histórias, dado mais abraço. Faço tudo isso. Sou pai a 110 por cento.

É difícil?
É o papel mais difícil que vou ter. Porque, no teatro e na televisão, podes corrigir erros mais tarde, mas, na educação de uma criança, não é que os não possa corrigir, mas fica lá a cicatriz para sempre e reflecte-se nos traços de personalidade.

Esperava ser assim como pai?
Esperava ser pior, que fosse correr pior este mistério. Talvez porque eu invisto muito do meu tempo. Mas é muito difícil criar outro ser. Sinto-me uma espécie de Deus sobre o percurso de vida, que depende de mim. Todas as falhas que cometo reflectem-se nela. É uma aprendizagem contínua.

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Jorge Corrula Foto: Carlos Ramos

Tira dias para estar com ela?
É sagrado! Com banhos, pijamas, histórias e muita música. Há sempre tudo isto. É quase uma religião a que obedecemos, eu e a Paula [Lobo Antunes] cegamente. E depois fazemos imensos disparates. E confesso que, às vezes, a Beatriz tem um bocadinho vergonha de nós (risos). Ela já me chegou a dizer: "Agora menos pai, agora quero dormir. Já está bom." E isso quer dizer que somos pais que a preenchemos muito e que tudo está a correr bem.

Está com a Paula Lobo Antunes há 12 anos. Há um segredo para essa longevidade?
O nosso segredo foi, e é, termo-nos conhecido na altura certa e mantermos até hoje algum mistério.

Ainda hoje?
Sim, sim… e depois rimos e choramos muito juntos. Não temos vergonha de fazer disparates. Alimentamos muito a relação, às vezes com coisas básicas, como sustos um ao outro. Mas acho que mantemos a nossa relação porque sabemos trabalhar juntos, em separado, porque cozinhamos um para o outro coisas diferentes, porque nos estimulamos intelectualmente e encontramos na monotonia uma calma necessária.

Há romance?
Mantemos as portas abertas a tudo.

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Jorge Corrula Foto: Carlos Ramos

Quer dizer que tiram tempo só para os dois?
Obrigatoriamente. Ainda agora, no Verão, nos festivais de música, aproveitámos para estar os dois para depois, como casal, podermos voltar para a nossa filha mais descansados e com mais estímulos. Além disso, fazemos férias em família e só os dois. Temos boas redes familiares que ajudam. E a Beatriz também gosta de estar distante de nós, e isso é bom de ver. Ver que ela gosta de ser independente e que tem boa auto-estima. E depois é muito engraçado porque, quando ela volta, os abraços são ainda mais satisfatórios. 

AGRADECIMENTOS: Bar do Guincho, Desporto GFD.PT e Holmes Place

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