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Descobrimos a amiga socialite de Sócrates que andou escondida

Célia Tavares andava desaparecida mas o Ministério Público interrogou-a. Em causa estão as conversas sobre "garrafas de vinho" que acabaram "num envelope". A mulher amiga do antigo primeiro-ministro confirma ter recebido "ajuda em dinheiro". Sócrates também lhe terá proporcionado outros bens.
Por Isabel Laranjo | 17 de setembro de 2017 às 14:42
Célia Tavares, a amiga misteriosa de José Sócrates
José Sócrates, sócrates, caso marquês, Célia tavares
José Sócrates, sócrates, caso marquês
Célia Tavares, a amiga misteriosa de José Sócrates ouvida pelo Ministério Público
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Célia Tavares
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Lígia Correia
Sandra Santos
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Célia Tavares era vendedora numa boutique de luxo, frequentada pela mãe de José Sócrates, na zona do Marquês de Pombal, quando conheceu o antigo primeiro-ministro, em 2009.

A relação sempre foi intermitente e, sobretudo, discreta. A ponto de ninguém saber dela, a não ser o círculo mais chegado de Sócrates e que incluía o amigo Carlos Santos Silva, que alegadamente emprestava avultadas quantias de dinheiro a José Sócrates, o que fez espoletar todo o Caso Marquês.

A dada altura, a mulher – Célia Tavares –, que vivia de forma bastante humilde, mudou de vida. "Sempre teve a mania que era tia. Até que se despediu", conta um antigo colega de trabalho de CéliaTavares, à TVGuia. "Na altura, não entendemos bem o que é que tinha acontecido, porque ela não era má funcionária", concretiza.

Amiga misteriosa de Sócrates
José Sócrates à porta de casa em Lisboa
Sandra Santos é a amiga de José Sócrates, a quem o antigo primeiro-ministro emprestava dinheiro
Sandra Santos com o filho e a mãe em Lisboa. O menino fez recentemente 6 anos
Sandra Santos na companhia do filho e da mãe
Sandra Santos no tempo em que privava com José Sócrates
José Sócrates
Sandra Santos, José Sócrates
Sandra Santos, José Sócrates
Sandra Santos, José Sócrates
Sandra Santos, José Sócrates

Afinal, sabe-se agora, Célia acabou por se dedicar, com mais tempo, ao curso de Direito, na Universidade de Lisboa. E, como veio agora a público, receberia supostas ajudas regulares por parte de José Sócrates.

Célia Tavares, cuja última residência conhecida situa-se na zona da Picheleira, em Lisboa, foi chamada a depor pelo Ministério Público, no âmbito do Caso Marquês. Assumiu conhecer Rita, a empregada doméstica de Maria Adelaide, mãe do antigo governante, e confessou ter-se encontrado com a mulher, em maio de 2014. Rita foi, segundo Célia, ter consigo à faculdade para lhe entregar mais "uma ajuda".

Perante isto, o inspetor Paulo Silva, também presente durante a audiência, colocou em cima da mesa o que parecia já saber de antemão. "Levar a ajuda? Era ajuda ou era alguma coisa que era preciso dar em troca?", questionou, perante o tribunal, como se pode ler em reportagem da revista 'Sábado'. Célia Tavares reafirmou ser "ajuda". "Não, era ajuda. Como assim, alguma coisa que tem que se entregar em troca?".

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É então que surge a conversa intrigante sobre garrafas de vinho postas dentro de envelopes. "O Sr. Eng. tinha-lhe pedido 'umas garrafas de vinho'. Entregou? Tem alguma especialidade na área dos vinhos?", perguntou o inspetor. Célia Tavares mostrou-se espantada com as questões, aparentemente despropositadas, do inspetor, e foi sempre negando tudo.

Apenas reiterou que recebia dinheiro, regularmente, do amigo com quem chegou a ter intimidade.

EMPREGADA CONTRADIZ AMANTE

Rita Gomes, a empregada doméstica da mãe de Sócrates, também foi ouvida. E acabou por contradizer Célia. Afinal, não seriam garrafas de vinho.

A angolana terá ido ao tal encontro com Célia e feito a alegada troca da "ajuda" por um envelope. Quanto ao conteúdo: "Acho que eram medicamentos".

Mas a angolana insistiu: "Não abri para ver. Deu-me a impressão que..." Rosário Teixeira, o conhecido Procurador do MP, quis saber se aquele tinha sido o único encontro entre Rita e Célia. A empregada doméstica confirmou ter sido encontro único mas negou ter dado algo em troca (atal "ajuda") à estudante de Direito.

O penoso percurso de Sócrates pelo Caso Marquês
José Sócrates, sócrates, caso marquês
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Então, para que serviria o conteúdo do envelope? O inspetor Paulo Santos questionou: "O Sr. Eng. estava doente, nesse dia?" A mulher retorquiu: "Acho que era por causa da tensão".

Célia, por sua vez, tentou justificar as conversas sobre "garrafas de vinho". "Por vezes, ao fim de semana, quando jantava com o Sr. Eng., portanto, não jantávamos fora, cá em Lisboa ou mesmo fora, também não. Comíamos em casa, por ser (...) uma figura pública. (...) fazia as compras take away e levava uma garrafa", afiançou a mulher, perante as autoridades.

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