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Quarentena ameaça paralisar serviços do Hospital de Santa Maria

Uma circular normativa assinada esta sexta-feira manda para casa todos os profissionais de saúde de serviços onde haja doentes infetados com Covid-19 bastando para isso que tenha havido contacto por mais de 15 minutos a menos de dois metros.
13 de março de 2020 às 18:32
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A descoberta de vários casos da covid-19 em doentes internados no Hospital de Santa Maria e a suspeita de que existam outros está a deixar o pessoal médico e os dirigentes em grande tensão.

Além da preocupação com o risco de aumento do contágio a outros pacientes e profissionais do hospital, os chamados "cavalos de Tróia"  ameaçam paralisar vários serviços do hospital por causa das exigências de quarentena.

De acordo com uma circular assinada esta sexta-feira, 13 de março, pelo presidente do Conselho de Administração do Centro Hospitalar Universitário Lisboa Norte (Santa Maria e Pulido Valente) e a que o Negócios teve acesso, todos os profissionais de saúde que trabalhem em serviços onde tenham sido identificados doentes internados que tenham entretanto contraído covid-19 devem entrar de quarentena mesmo que não tenham sintomas, bastando para isso que tenham estado em contacto com um doente infetado com o novo coronavírus durante mais de 15 minutos a menos de dois metros.

"O Conselho de Administração determina quarentena de 14 dias para os profissionais dos serviços que estejam diagnosticados com casos positivos de covid-19 e que se apresentem sintomáticos ou tenham tido contacto de risco, mesmo que assintomáticos. Por contacto de risco entende-se, segundo a mesma circular normativa: "i) Contacto com doente positivo durante mais de 15 minutos a menos de dois metros; ii) Contacto com líquido biológico ou com disseminação de aerossóis (p.e. ventilação não invasiva) de doente positivo; iii) ou contacto face-a-face não protegido com doente positivo.

Fonte médica ouvida pelo Negócios diz que esta ordem de quarentena contraria as indicações existentes até quinta-feira e assegura que, na prática, terá o efeito de paralisar os serviços que já detetaram casos de covid-19 ao privá-lo de grande parte dos profissionais. Mais: como se suspeita que o vírus ainda venha a ser identificado em grande parte dos serviços (aguarda-se ainda os resultados de vários testes), a paralisia pode-se alargar a muitas áreas do hospital.

Recorde-se que na quarta-feira foram identificados dois doentes internados que foram infetados com o vírus quando já estavam no hospital. Já ontem foram apurados novos casos e estão neste momento a decorrer testes a muitos outros pacientes e profissionais para apurar a dimensão do contágio dentro do hospital.

Ouvido pelo Negócios, o secretário-geral do Sindicato Independente de Médicos diz que esta decisão já devia ter ocorrido logo quando se descobriram os primeiros casos de doentes internados com infeção respiratória que, afinal, estavam infetados com o novo coronavírus.

"Achamos de uma irresponsabilidade [não mandar profissionais de saúde de quarentena] porque isso pôs em risco os profissionais e centenas de pessoas q não são profissionais, doentes, familiares. É fundamental que se protejam", afirmou Jorge Roque da Cunha.

Questionado sobre o impacto nos serviços, o médico disse que ele "seria menor se tivessem sido tomadas medidas de proteção", mas que, ainda assim o impacto de colocar profissionais de saúde em quarentena por 14 dias "é muito menor do que o de se persistir no erro. Sem profissionais não e possível combater este problema".

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