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Carlos Rodrigues
Carlos Rodrigues Grelha da Semana

Notícia

2021, ano em ponto morto

A hierarquia entre os canais pouco ou nada mudou em relação ao ano anterior. A SIC liderou do princípio ao fim, umas vezes mais apertada, outras mais à vontade. A generalidade das apostas da TVI não surtiu efeito, e mesmo as que revelaram bom desempenho acabaram por soçobrar devido a erros táticos. A RTP, pelo seu lado, teve em 2021 nova administração, liderada por um antigo jornalista, Nicolau Santos, mas que, até ao momento, não conseguiu inverter o rumo da empresa.
23 de dezembro de 2021 às 07:00
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Cristina Ferreira, Daniel Oliveira Foto: Cofina Media

Tal como a sociedade em geral, que balança entre o receio da pandemia e a urgência de seguir em frente, o universo televisivo português teve um ano marcado pela indefinição e pelo adiamento de mudanças e inovações. A hierarquia entre os canais pouco ou nada mudou em relação ao ano anterior. A SIC liderou do princípio ao fim, umas vezes mais apertada, outras mais à vontade. A generalidade das apostas da TVI não surtiu efeito, e mesmo as que revelaram bom desempenho acabaram por soçobrar devido a erros táticos. Exemplo disso é a desvalorização simbólica do Big Brother. A RTP, pelo seu lado, teve em 2021 nova administração, liderada por um antigo jornalista, Nicolau Santos, mas que, até ao momento, não conseguiu inverter o rumo da empresa.

Só as eleições poderão eventualmente desfazer alguns bloqueios, como a propalada falta de recursos, que, porém, deve ser bem explicada aos portugueses. O ano que agora termina não teve uma figura do ano que se revele incontornável. Porém, acentuaram-se os reinados de Fernando Mendes, em O Preço Certo, de José Rodrigues dos Santos e Rodrigo Guedes de Carvalho, na informação, dois nomes cada vez mais no auge das suas carreiras, e de Catarina Furtado, no grande entretenimento. João Baião, Diana Chaves e Júlia Pinheiro dominam o entretenimento ligeiro do day time. O regresso de Fátima Lopes também foi uma boa notícia. O crescimento das plataformas de streaming, o recuo das críticas da TVI à medição de audiências da GFK e a agonia da RTP2 merecem também referência nos arquivos do ano. 

 

PROGRAMAÇÃO - NOITES DE DOMINGO

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Noites de domingo Foto: Tiago Caramujo, SIC

O regresso d’A Máscara aos fins de semana da SIC é uma boa notícia no que à diversificação do entretenimento diz respeito. O programa é um verdadeiro show visual, e o dispositivo que mantém o suspense em redor de quem está por trás das máscaras é eficaz. A batalha dos domingos fica neste final de ano marcada pelo estranho abaixamento da qualidade média dos concorrentes do The Voice. Terá a produção facilitado, ou o programa está a precisar de um pousio?
 

INFORMAÇÃO - MODERNIZEM OS CONGRESSOS

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Modernizem os congressos Foto: Lusa

O formato dos congressos partidários afasta os portugueses da política. A falta de ritmo e de tensão agravou-se ainda mais quando os partidos decidiram eleger os líderes antes mesmo das reuniões magnas, transformadas numa espécie de entronização cerimonial, e consequentemente desinteressante. Organizar uma sequência de discursos e contar com os diretos televisivos é um erro enorme da parte dos partidos, que só não ficam a falar sozinhos devido a uma espécie de "espírito de manada" dos canais tradicionais de informação: onde vai um vão todos. O congresso do PSD enfermou dos mesmos males.

SOBE - RICARDO COSTA

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Ricardo Costa Foto: João Miguel Rodrigues / Correio da Manhã

A informação da SIC teve um ano de sucesso. Liderança  sólida ao almoço, à noite, e ao fim de semana. O Jornal da Noite é muitas vezes o programa mais visto do dia.As reportagens, investigações e novos formatos também reforçam o canal. Tem para 2022 um desafio enorme, e difícil, no cabo.
 

DESCE - ANSELMO CRESPO

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Anselmo Crespo

A informação da TVI não conseguiu romper os bloqueios que marcaram o ano da estação. No final, o lançamento do canal CNN reforçou a dificuldade de afirmação dos jornais da TVI.
 

DESCE - ANTÓNIO JOSÉ TEIXEIRA

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António José Teixeira Foto: RTP

A informação da RTP perdeu estatuto, independência e audiência. O fim do programa de investigação Sexta às 9 é um erro com efeitos crescentes. No cabo, a RTP3 tem desempenho abaixo dos mínimos para uma televisão de serviço público.

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Elogio dos debates

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Há que dar a mão à palmatória: o interesse suscitado pelos debates foi enorme, e isso traduziu-se em audiências muito interessantes para as estações. Os debates foram bem realizados, com uma ou outra falha técnica. O nível médio dos moderadores foi bom, com diferenças entre si. A duração, curta, que muitos criticaram, aproveitou à qualidade do espetáculo.
Ainda não é desta

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