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Carlos Rodrigues
Carlos Rodrigues Televisão Meu Amor

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A derrota eleitoral da SIC

A informação do canal de Paço de Arcos não deu conta do recado, nem entre as generalistas, nem entre os canais de cabo. Uma prova de que o "arrastão" de audiências não chega para disfarçar tudo.
11 de outubro de 2019 às 00:00
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A irritante mania de transformar derrotas eleitorais pesadas numa qualquer espécie de vitória é, há décadas, uma das práticas que mais tem contribuído para o descrédito dos partidos políticos entre os portugueses. Geraram-se ao longo dos anos inúmeras piadas sobre esta arte da fuga, uma arte da qual o antigo líder do PCP, Álvaro Cunhal, foi o precursor e o grande mestre até ao fim da vida.

Esta é a razão pela qual o discurso de Rio na noite de domingo não indignou ninguém. Pelo contrário, foi recebido com um sorriso complacente pelos portugueses mais experientes – "lá está ele a tentar salvar a pele, nem que para isso nos tenha de tratar como parvos". Ora, se esta prática sempre foi criticada pelos jornalistas e pelos comentadores, é bizarro que seja mimetizada pelos canais de televisão. Segunda-feira, tanto a RTP1 como a TVI cantaram vitória. O português médio, que sabe que em qualquer duelo só há um vencedor, encolheu os ombros e não ligou.

Mas, se houve dois canais a cantar vitória, houve um que não ousou fazê-lo, porque não havia nenhum critério a que se agarrar. A_SIC, líder incontestada de audiências, teve uma emissão sem ritmo, com grafismos feios e ilegíveis, onde as fotos dos deputados estavam pintadas a cores vivas, e com rubricas que não funcionaram, como a de Pedro Mourinho. O alinhamento foi confuso e não rentabilizou, sequer, o naipe de comentadores. Resultado: derrota entre as generalistas e no cabo.

O rosto do diretor-geral de informação, no dia a seguir, no Primeiro Jornal, onde foi comentar os resultados eleitorais, não deixava margem para dúvidas. Nem tudo vai bem em Paço de Arcos.

Censura na TVI
A censura do Correio da Manhã na revista de imprensa da TVI vem dos tempos de descarado alinhamento editorial com o socratismo, entretanto disfarçado por razões táticas. Está por apurar qual o real contributo para a derrocada da estação desse conúbio antijornalístico entre a informação da TVI e Sócrates.

RTP foi a pior
A projeção à boca das urnas da RTP foi a pior das quatro apresentadas na noite eleitoral. Sem desprimor para o facto de as sondagens, em geral, terem estado muito bem, a verdade é que o desvio médio da RTP foi de 0,9 pontos percentuais, pior que os 0,8 da SIC, os 0,5 da TVI e os 0,2 da Intercampus, para a CMTV, a mais certeira de todas.


Prós e Contras
No dia a seguir às eleições, voltou o formato de Fátima Campos Ferreira, e com grande sentido de oportunidade. Juntou nove partidos, ou seja, o total dos que passam a ter representação parlamentar, incluindo os novos, e solitários, deputados do Chega, do Livre e da Iniciativa Liberal. Apesar de, a determinado momento, se ter perdido o foco na tentativa de saber o óbvio, ou seja, que a direita não conta para o próximo Governo, na verdade foi uma bela amostra da pluralidade das discussões parlamentares que aí vêm. A democracia sai pujante do 6 de outubro.

Fora de contexto
Domingo, a TVI ficou fora de jogo, por opção própria, para lançar às feras eleitorais Manuel Luís Goucha e o MasterChef. Uma decisão de grelha que derrotou o canal, e que quebrou qualquer hipótese de sucesso na média diária, que a SIC_voltou a ganhar, por um triz, apesar da derrota na emissão eleitoral. Seja por erros próprios, má sorte ou opções erradas de grelha, Goucha começa a ser um ativo tóxico para a TVI.

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