'
Carlos Rodrigues
Carlos Rodrigues Grelha da Semana

Notícia

"Assassinos"

É interessante observar como subsistem entre nós cidadãos que continuam a defender que a Covid é inofensiva e que as vacinas são um embuste, quando todas as evidências demonstram que a doença mata aos milhares, que as vacinas salvaram vidas em série e que a medicina operou uma espécie de milagre científico. A liberdade de cada um de nós dizer e pensar o que quiser é um valor central do Ocidente. Porém, é sempre espantoso como há quem sucumba ao disparate, mesmo quando os erros são visíveis para todos.
21 de agosto de 2021 às 12:19
...
O Vice-almirante, Henrique de Gouveia e Melo, task force, covid-19 Foto: Cofina Media

As imagens da semana são inevitavelmente as que mostram o vice-almirante Gouveia e Melo a atravessar um grupo de não mais de dezena e meia de manifestantes que o apupavam, à entrada para um centro de vacinação, em Odivelas. É interessante observar como subsistem entre nós cidadãos que continuam a defender que a Covid é inofensiva e que as vacinas são um embuste, quando todas as evidências demonstram que a doença mata aos milhares, que as vacinas salvaram vidas em série e que a medicina operou uma espécie de milagre científico.

A liberdade de cada um de nós dizer e pensar o que quiser é um valor central do Ocidente. Porém, é sempre espantoso como há quem sucumba ao disparate, mesmo quando os erros são visíveis para todos. Quando confrontado com os 10 a 15 manifestantes, Gouveia e Melo fez questão de passar pelo meio do grupo. "Não tenho medo", disse ele. Porém, a declaração mais relevante veio depois. Em Portugal, há tendência para fugir ao confronto direto. Essa não é a melhor forma de enfrentar quem está errado. O erro enfrenta-se de forma determinada: "O negacionismo e o obscurantismo é que são os verdadeiros assassinos", disse o líder da vacinação. Talvez algum dos manifestantes, lá fora, tenha caído em si e corado de vergonha.

P.S.: esta coluna vai de férias duas semanas, e volta dia 9 de setembro.


INFORMAÇÃO - JÚDICE À SIC

...
Júdice à SIC

José Miguel Júdice é uma voz do regime, que há muitos anos habita os corredores do poder. Antes de se transferir para a SIC tinha uma rubrica na TVI24 que passava praticamente despercebida. A transferência para a SIC Notícias surgiu quando Miguel Sousa Tavares trocou Carnaxide pela TVI, mas isso terá sido mera coincidência temporal. Andava plácido o comentário de Júdice quando começou a pandemia. Foi com a análise a contravapor de tudo o que diz respeito à Covid que Júdice voltou a ocupar um lugar-chave entre os comentadores. Na próxima época, e para provar que gosta da liberdade, a SIC devia pô-lo na generalista.


PROGRAMAÇÃO - QUE CONFUSÃO

...
Que confusão

O novo Big Brother tem a apresentação enguiçada. A estação parece indecisa, e isso é mau para o formato. Ora, essa indecisão é incompreensível. Primeiro, o BB foi apresentado por Cláudio Ramos, o que foi um erro, mas surpreendentemente correu bem. Apesar do sucesso, a TVI mudou para Teresa Guilherme, o que foi um risco por causa do sucesso de Cláudio. Voltou a correr bem. Porém, a TVI decidiu mudar outra vez. Juntou Teresa e Cláudio, o que voltou a ser um erro, mas voltou a liderar, quer ao sábado quer ao domingo. Com tantos sucessos, parece que a TVI quer mudar outra vez. Não será brincar com a sorte?



SOBE - ANDREIA RODRIGUES

...
Andreia Rodrigues

Mais uma edição do Agricultor, mais um sucesso, e desta vez contra uma grande aposta da TVI para o mesmo horário, O Amor Acontece. Andreia Rodrigues parece formatada para os programas familiares, mas cuidado com a cristalização da imagem.



SOBE - BÁRBARA GUIMARÃES

...
Bárbara Guimarães

O regresso, com Marco Paulo, é um acontecimento relevante, independentemente de falhas normais para quem está parado. A forma como a SIC protege Bárbara só dignifica a empresa.


DESCE - JOSÉ GOMES FERREIRA

...
José Gomes Ferreira

Corre um risco assinalável quando cruza a sua proatividade opinativa, que os espectadores bem conhecem na área da economia, com temáticas em que não lhe é reconhecido saber académico, como a História, a astronomia ou as alterações climáticas. Veremos como ultrapassa as polémicas que não o largam nas redes sociais.

Mais notícias de Grelha da Semana

Má ideia

Má ideia

O domingo à noite é o horário tipicamente familiar. Os formatos programados para este horário procuram fazer o arco das idades e dos géneros, para agradar a novos e velhos, homens e mulheres, público citadino e rural. Ora, é precisamente no horário mais transversal da televisão que a TVI faz a escolha disruptiva de colocar dois homens lado a lado? Não se entende.
Pela liberdade

Pela liberdade

Diz José Gomes Ferreira: "Não me revejo nesta sociedade em que não há uma censura oficial, mas há uma autocensura promovida pela vigilância mútua das redes sociais. Ou dizes o que a mediana das pessoas dizem ou estás queimado. Não entro nesse jogo. Há mais censura hoje nas redes sociais do que nos anos 30 nos jornais em relação a investigação histórica."
"Assassinos"

"Assassinos"

É interessante observar como subsistem entre nós cidadãos que continuam a defender que a Covid é inofensiva e que as vacinas são um embuste, quando todas as evidências demonstram que a doença mata aos milhares, que as vacinas salvaram vidas em série e que a medicina operou uma espécie de milagre científico. A liberdade de cada um de nós dizer e pensar o que quiser é um valor central do Ocidente. Porém, é sempre espantoso como há quem sucumba ao disparate, mesmo quando os erros são visíveis para todos.
SIC já ganhou o ano

SIC já ganhou o ano

É curioso verificar que a queda de prestígio e de valor da apresentadora e acionista não a retiram do centro do jogo. Os novos donos da TVI já terão percebido que com Cristina aos comandos não vão lá. Mas ela foi deixada transformar-se em acionista, pelo que o problema é de difícil resolução, e em qualquer caso com um enorme potencial desestabilizador. A forma como a TVI resolver o problema Cristina Ferreira vai determinar o futuro.
RTP. Mais dinheiro para quê?

RTP. Mais dinheiro para quê?

Vejamos: é preciso mais dinheiro, dizem. Para quê? Não é explicado. O serviço da RTP é tão bom que deve crescer? Falso. Olhando para o serviço público inexistente no canal 1, para as audiências residuais da RTP2, para a irrelevância da RTP3, fazendo o balanço de tudo isto, diria que a empresa até devia devolver dinheiro.
Alta Velocidade

Alta Velocidade

Eduardo Cabrita pura e simplesmente ignorou a pergunta. Respondeu a tudo, e ignorou esta questão. Nem sequer referiu que não ia responder. Pior: o seu staff, apagadas as câmaras, ainda criticou o jornalista, nos bastidores. Ora isto representa a tal manifestação do grande vírus da atualidade. O momento em que o poder deixa de responder às perguntas do povo, mediadas pelo jornalista, marca a fronteira entre a democracia e a prepotência.

Mais Lidas

+ Lidas