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Carlos Rodrigues
Carlos Rodrigues Televisão meu amor

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O fogo na RTP, SIC e TVI

A RTP1 foi a estação que reagiu melhor, no trabalho de campo e na agilidade de grelha. A TVI ganhou no sensacionalismo. Já a SIC passou ao lado da tragédia, e perdeu em toda a linha
23 de junho de 2017 às 11:09

Uma tragédia como a de Pedrógão cria enormes dificuldades às televisões tradicionais. Desde logo, porque as estações estão formatadas à imagem do aparelho do Estado, ou seja, concentram todos os meios em Lisboa, e descuram o interior. A falta de uma malha de correspondentes, urdida com um mínimo de inteligência, atrasa qualquer reacção longe das autoestradas.

Para a análise da cobertura da tragédia, foquemo-nos nos noticiários de horário nobre das televisões generalistas, RTP1, SIC e TVI, no dia a seguir à maior parte das mortes. A RTP foi a que reagiu melhor. Adaptou a grelha e passou um jogo de futebol para a RTP2, utilizando, por uma vez, a rede de canais de que dispõe para abrir um especial às 19:00 no canal 1.

A RTP teve mais directos que o habitual, mais reportagens de proximidade que a concorrência, e mobilizou repórteres de maior peso. Consequência: a embalagem dada à RTP1 pelo jogo da Selecção foi potenciada ao máximo, e deu uma vitória no share do dia, acima da própria TVI. Que também apostou forte nesta notícia. E bateu a concorrência, por larga margem, mas no sensacionalismo, algo que os espectadores não perdoam em momentos de enorme dor colectiva.

Foi a falta de mobilização interna dos melhores profissionais que distinguiu a cobertura da SIC. Nem na apresentação, nem na reportagem a SIC teve armas de qualidade. Salvou-se, apenas, Marques Mendes, que lançou questões pertinentes e, dessa forma, fez o trabalho que caberia à edição e aos jornalistas. Erros assim pagam-se caros. Construíram uma derrota demolidora, que alastrou também ao cabo

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