'
Carlos Rodrigues
Carlos Rodrigues Grelha da Semana

Notícia

O passageiro

Eduardo Cabrita acaba por sair do cargo com a imagem de uma certa desumanidade, que surpreende todos os que o conhecem bem. A forma fria como falou da morte de um trabalhador, em consequência de um acidente com o automóvel em que se deslocava, marcou, desde o primeiro momento, o seu destino.
10 de dezembro de 2021 às 15:11
...
Eduardo Cabrita

À saída da tomada de posse da sua sucessora à frente da Administração Interna, Eduardo Cabrita foi interpelado por um jornalista sobre o futuro. "É o fim da sua carreira política?" A pergunta, legítima e oportuna, causou, porém, um certo espanto ao espectador, visto que uma eventual sobrevivência do antigo ministro nalguma espécie de carreira pública parecia, naquele momento, uma impossibilidade absoluta. Cabrita foi perdendo aos poucos, frente às câmaras da televisão, todo o capital político de que dispunha. Mas o que faz deste caso uma história absolutamente espantosa é que o ministro foi, também, perdendo todo o seu capital humano.

Acaba por sair do cargo com a imagem de uma certa desumanidade, que surpreende todos os que o conhecem bem. A forma fria como falou da morte de um trabalhador, em consequência de um acidente com o automóvel em que se deslocava, marcou, desde o primeiro momento, o destino de Cabrita. Não houve uma declaração de pesar, não houve uma palavra de solidariedade humana com a viúva e com os órfãos, não houve qualquer tipo de amparo nem de contrição. E se começou mal, acabou pior. No último dia, o ainda ministro da Administração Interna reagiu de forma bruta e insensível à notícia da acusação ao seu motorista. 
"Eu sou passageiro." Uma frase cruel a todos os títulos, e que ficará para a história da política à portuguesa como exemplo máximo da insensibilidade de Estado. Na comunicação em que apresentou a renúncia, Cabrita referiu-se ao que se passou de uma forma que resume tudo: "A viatura que me transportava foi vítima de um acidente." Transformou-se o causador do acidente na coisa acidentada. 

 

PROGRAMAÇÃO - GALA DE SONHO

...
Gala de sonho

Gala dos Sonhos apresentada pela SIC foi um espetáculo extraordinário. A criação da Associação Sara Carreira tem um objetivo altamente meritório, e o espetáculo televisivo fez jus ao valor da iniciativa. Um cenário deslumbrante, uma realização imaculada, atuações musicais que juntaram de forma surpreendente artistas e temas variados. Uma noite de grande televisão. O resultado, acima dos 35 pontos de share, é hoje em dia uma raridade no horário nobre.

INFORMAÇÃO - DUELO NO CABO

...
Duelo no Cabo

Nos primeiros 13 dias com novo panorama no mercado de informação nacional, o balanço é objetivo e deve ser partilhado com os leitores. A CMTV permanece líder destacada. A SIC Notícias ficou em terceiro lugar por 12 vezes. Só num dos dias conseguiu derrotar o canal CNN, cujo arranque lhe tem garantido a medalha de prata, porém em queda desde que começou, resultado natural do esvaziamento da expectativa. As opções de grelha da SIC Notícias não só foram erradas como persistem demasiado tempo. Na SIC, a gestão de Francisco Pedro Balsemão arrisca relegar a informação do cabo para um lugar secundário, o que será um triste desenlace para um canal que marcou a história da última década do século passado.

 

SOBE - GOUVEIA E MELO

...
O vice-almirante Henrique de Gouveia e Melo Foto: Cofina Media

O vice-almirante começa a ser um ator político de relevância, o que pode causar um sismo de intensidade elevada na vida pública portuguesa. Passou a prova de fogo do registo mais intimista normalmente proporcionado pelo Alta Definição com brilhante desempenho, dignidade e ótimo resultado.

DESCE - JOSÉ FRAGOSO

...
José Fragoso

Claro que a aproximação da RTP à TVI algum mérito seu terá, mas resulta sobretudo dos erros do canal privado. O desempenho do canal 1 ao domingo, dia do The Voice, ou seja, do formato mais forte do canal, é paupérrimo, com 8,8% de share médio diário. Impensável!

DESCE - PEDRO MOURINHO

...
Pedro Mourinho

Jornal das 8 da TVI está em dificuldades crescentes, com vários dias em último lugar entre as generalistas. A subalternização, mesmo gráfica, em relação ao modelo CNN foi um erro crasso, e está claramente a ser rejeitada pelo público tradicional da TVI. Voltaremos a este tema.

Mais notícias de Grelha da Semana

Elogio dos debates

Elogio dos debates

Há que dar a mão à palmatória: o interesse suscitado pelos debates foi enorme, e isso traduziu-se em audiências muito interessantes para as estações. Os debates foram bem realizados, com uma ou outra falha técnica. O nível médio dos moderadores foi bom, com diferenças entre si. A duração, curta, que muitos criticaram, aproveitou à qualidade do espetáculo.
Ainda não é desta

Ainda não é desta

A SIC é muito melhor a gerir a grelha que os seus concorrentes, e por essa razão já está outra vez no controlo da situação. Bastou uma semana para dominar o ataque da TVI, com prolongamento da informação, dose reforçada de Araújo Pereira e proteção ativa do chef Ljubomir, o elo mais fraco da estação, no presente. Com estes movimentos, a que se juntou uma tarde bem planeada, a SIC voltou a ganhar ao domingo.
Os enigmas de 2022

Os enigmas de 2022

Uma previsão sem grande risco aponta para mais uma provável vitória da SIC no ano que vem. Contrariar este destino compete à TVI. A nova tentativa para os domingos à noite, com o Big Brother Famosos apresentado por Cristina Ferreira, é a principal incógnita, mas é sobretudo uma aposta arriscada.
Tantos debates!

Tantos debates!

Organizar dezenas de debates em pouco mais de duas semanas é bizarro. Eventualmente, os prazos eleitorais não deixaram alternativa. Porém, dar mais de 30 debates em poucos dias, por vezes à razão de três por dia, vai estabelecer uma confusão tal no espectador que chegaremos todos ao fim com a noção de que pouco ou nada ficou de substantivo da enorme cacofonia política que se vai gerar.
2021, ano em ponto morto

2021, ano em ponto morto

A hierarquia entre os canais pouco ou nada mudou em relação ao ano anterior. A SIC liderou do princípio ao fim, umas vezes mais apertada, outras mais à vontade. A generalidade das apostas da TVI não surtiu efeito, e mesmo as que revelaram bom desempenho acabaram por soçobrar devido a erros táticos. A RTP, pelo seu lado, teve em 2021 nova administração, liderada por um antigo jornalista, Nicolau Santos, mas que, até ao momento, não conseguiu inverter o rumo da empresa.
Uma tarde nas corridas

Uma tarde nas corridas

O espectador casual, que não acompanha a Fórmula 1, ficou surpreendido com a qualidade televisiva das transmissões. Há grandes planos de beleza extrema e pormenores que reforçam a emoção global, vemos as equipas a torcerem, ouvimos as comunicações. Claro que decidir a época toda na última volta ajuda, mas o espetáculo foi arrasador.

Mais Lidas

+ Lidas