'
Carlos Rodrigues
Carlos Rodrigues Grelha da Semana

Notícia

Uma tarde nas corridas

O espectador casual, que não acompanha a Fórmula 1, ficou surpreendido com a qualidade televisiva das transmissões. Há grandes planos de beleza extrema e pormenores que reforçam a emoção global, vemos as equipas a torcerem, ouvimos as comunicações. Claro que decidir a época toda na última volta ajuda, mas o espetáculo foi arrasador.
17 de dezembro de 2021 às 15:20
...
Max Verstappen Foto: Reuters

Trata-se de um espetáculo que perdeu o interesse televisivo há anos. Em Portugal, antes de ser relegado para os canais de desporto mais minoritários, chegou a ocupar a hora de almoço da RTP1, sobrepondo-se, quando havia provas, ao próprio 'Jornal da Tarde', que saía do seu horário para dar lugar às corridas.

Era o tempo em que os carros de formato estranho representavam glamour, tecnologia e modernidade. Uma era em que as corridas eram conhecidas como "o grande circo" - o "grande circo da Fórmula 1", dizia-se no jornalismo desportivo. Um conjunto nefasto de circunstâncias fez encolher este circo até quase à insignificância: por um lado, o fim das estrelas globais, como Prost, Senna ou Schumacher.

Depois, a erosão da competitividade, a inexistência de duelos que extravasassem as fronteiras da modalidade, o envelhecimento do conceito, até pela antiga associação a fenómenos como o tabaco, por exemplo. A Fórmula 1 parecia caminhar para a morte.

Eis senão quando aparece uma palpitante corrida do título, no fim de semana passado, entre um britânico chamado Lewis Hamilton e um jovem holandês, de seu nome Max Verstappen. O espectador casual, que não acompanha a modalidade, ficou surpreendido com a qualidade televisiva das transmissões. Há grandes planos de beleza extrema e pormenores que reforçam a emoção global, vemos as equipas a torcerem, ouvimos as comunicações (algo vetado ao adepto do futebol, por exemplo). Claro que decidir a época toda na última volta ajuda, mas o espetáculo foi arrasador. Televisivamente, a Fórmula 1 é, hoje em dia, o desporto mais bem trabalhado de todos. Se encontrar estrelas globais e proporcionar duelos emocionantes, os grandes espetáculos televisivos farão o resto.

 

PROGRAMAÇÃO - DIANA CHAVES  

...
Diana Chaves

É uma apresentadora improvável dos programas diários de entretenimento ligeiro. Ganhou o lugar por causa do aperto em que a SIC se viu, certo fim de semana, com a saída súbita de Cristina Ferreira. Como o sucesso resulta sempre da conjugação do talento com a oportunidade, agarrou-se à sorte e lidera as manhãs há meses, com João Baião. A herança que deixará, mais tarde ou mais cedo, a Fátima Lopes, será pesada. Agora vai voltar a ser responsável pela aposta de domingo à noite, o 'Casados à Primeira Vista'. Diana Chaves é uma estrela em ascensão no universo SIC.

 

INFORMAÇÃO - ENTREVISTAS

...
Entrevistas Foto: Ivo Rainho Pereira e Liliana Pereira

Louvável o esforço feito pela RTP com as entrevistas de Vítor Gonçalves aos líderes partidários, em período ainda de pré-campanha. Vítor Gonçalves é, de longe, o melhor entrevistador dos 3 canais generalistas, pelo que todas as emissões têm sido altamente informativas e úteis para o cidadão-eleitor. Tantas vezes criticada, desta vez é merecedora de elogio a direção de informação do canal.

SOBE - DANIEL OLIVEIRA

...
Daniel Oliveira

Iniciemos o balanço do ano. Nos programadores, o vencedor é, novamente, o líder da SIC, que consegue fechar o ano sem que tenha havido o mínimo sinal da concorrência de que poderia disputar a liderança. Foi o ano da consagração de Daniel Oliveira.

 

MANTÉM - HUGO ANDRADE

...
Hugo Andrade

Se a SIC teve um ano em grande, a transição na TVI para Hugo Andrade fez-se sem sobressalto. Chegou a dar sinais de que poderia dar a volta. Mas os bloqueios da cadeia de decisão da empresa, num primeiro momento, e o autofágico empenho da TVI no cabo, na parte final do ano, retiram-lhe qualquer hipótese de brilhar.

 

DESCE - JOSÉ FRAGOSO

...
José Fragoso

O ano dos diretores de programas tem um derrotado claro. A RTP1 vive uma encruzilhada difícil de resolver, sem conceito, sem objetivos e sem amor-próprio. Domingo passado voltou a fazer 9% de share. E o pior é que a empresa parece paralisada e sem uma ideia para o futuro. Para a semana, faremos o balanço dos diretores de informação.

Mais notícias de Grelha da Semana

Elogio dos debates

Elogio dos debates

Há que dar a mão à palmatória: o interesse suscitado pelos debates foi enorme, e isso traduziu-se em audiências muito interessantes para as estações. Os debates foram bem realizados, com uma ou outra falha técnica. O nível médio dos moderadores foi bom, com diferenças entre si. A duração, curta, que muitos criticaram, aproveitou à qualidade do espetáculo.
Ainda não é desta

Ainda não é desta

A SIC é muito melhor a gerir a grelha que os seus concorrentes, e por essa razão já está outra vez no controlo da situação. Bastou uma semana para dominar o ataque da TVI, com prolongamento da informação, dose reforçada de Araújo Pereira e proteção ativa do chef Ljubomir, o elo mais fraco da estação, no presente. Com estes movimentos, a que se juntou uma tarde bem planeada, a SIC voltou a ganhar ao domingo.
Os enigmas de 2022

Os enigmas de 2022

Uma previsão sem grande risco aponta para mais uma provável vitória da SIC no ano que vem. Contrariar este destino compete à TVI. A nova tentativa para os domingos à noite, com o Big Brother Famosos apresentado por Cristina Ferreira, é a principal incógnita, mas é sobretudo uma aposta arriscada.
Tantos debates!

Tantos debates!

Organizar dezenas de debates em pouco mais de duas semanas é bizarro. Eventualmente, os prazos eleitorais não deixaram alternativa. Porém, dar mais de 30 debates em poucos dias, por vezes à razão de três por dia, vai estabelecer uma confusão tal no espectador que chegaremos todos ao fim com a noção de que pouco ou nada ficou de substantivo da enorme cacofonia política que se vai gerar.
2021, ano em ponto morto

2021, ano em ponto morto

A hierarquia entre os canais pouco ou nada mudou em relação ao ano anterior. A SIC liderou do princípio ao fim, umas vezes mais apertada, outras mais à vontade. A generalidade das apostas da TVI não surtiu efeito, e mesmo as que revelaram bom desempenho acabaram por soçobrar devido a erros táticos. A RTP, pelo seu lado, teve em 2021 nova administração, liderada por um antigo jornalista, Nicolau Santos, mas que, até ao momento, não conseguiu inverter o rumo da empresa.
Uma tarde nas corridas

Uma tarde nas corridas

O espectador casual, que não acompanha a Fórmula 1, ficou surpreendido com a qualidade televisiva das transmissões. Há grandes planos de beleza extrema e pormenores que reforçam a emoção global, vemos as equipas a torcerem, ouvimos as comunicações. Claro que decidir a época toda na última volta ajuda, mas o espetáculo foi arrasador.

Mais Lidas

+ Lidas