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Carlos Rodrigues
Carlos Rodrigues Grelha da semana

Notícia

A luz do Agricultor

Ao fim do quinto mês do ano, a capacidade de iniciativa continua do lado da SIC. 
03 de junho de 2021 às 19:57
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Andreia Rodrigues, Quem Quer Namorar com o Agricultor, SIC, pandemia
Arranca em grande a nova edição do 'Quem Quer Namorar Com o Agricultor?', a liderar do princípio ao fim e a relegar o formato de Cristina Ferreira, 'All Togheter Now', para um resultado ainda mais baixo que o habitual, 19% de share. Trata-se do pior resultado do concurso desde que começou, há 11 semanas.
O 'Agricultor' é o perfeito oposto dos shows de Cristina e de Ljubomir. Onde estes têm estúdio, no caso da TVI verdadeiramente monumental, com o 'Agricultor' passa a haver paisagens de encher o olho. Onde Cristina e Ljubomir têm jogos de claro-escuro, passa agora a haver um programa com luminosidade solar. Onde, até aqui, o espectador tinha competição fechada, agora há uma narrativa baseada na suposta construção das emoções e na procura do amor. No caso do formato de Andreia Rodrigues, que vai já na quarta edição, além de ser o oposto dos formatos referidos, há outra vantagem. Apela mais diretamente às crianças da faixa dos 4 aos 14 anos de idade, por causa da presença dos animais, receita segura para cativar este auditório infantil e juvenil. E isso é um fator relevantíssimo no início das férias escolares, e que a SIC vai seguramente espalhar por diversos horários, do late night às noites de sábado, do day time às 7 da tarde, quem sabe se em nova competição direta com Cristina Ferreira. Pelo sentido de novidade que consegue transmitir, o 'Agricultor' diferencia-se do atual modelo predominante nos domingos à noite, e consequentemente arrasou a concorrência e relegou a final do 'Hell’s Kitchen' para o late night da SIC, o horário onde Bruno Nogueira teve uma experiência fugaz e frustrada no canal 3. Ao fim do quinto mês do ano, a capacidade de iniciativa continua do lado da SIC. 



Informação 
A bolha
A final da Liga dos Campeões é um evento global. Realizar-se em Portugal seria bom em qualquer circunstância. Há, porém, o problema das multidões de ingleses, que deram um péssimo exemplo no que diz respeito às regras de combate à pandemia, o que teve a inevitável consequência de colocar as autoridades em xeque. Só que aqueles ingleses poderiam estar ali, ou em qualquer ponto do país, mesmo sem Champions, a partir do momento em que os voos entre os dois países voltaram à normalidade. A pior forma de debater seriamente qualquer problema é confundir realidades independentes. Essa confusão de planos foi provocada pelo facto de a ministra Vieira da Silva ter garantido erradamente que os adeptos viriam "em bolha". Tenho para mim que o objetivo era justificar o injustificável. É grave continuar a tratar os portugueses como cidadãos de segunda, proibidos de fazer o que é permitido a turistas estrangeiros.

Entretenimento
'Joker'
O concurso da RTP tem um formato simples, e um apresentador eficaz. Vasco Palmeirim ganhou enorme visibilidade pública com a apresentação de talent-shows, ao lado de Catarina Furtado. Apesar de todos estes ingredientes, Joker nunca conseguiu representar para a grelha da RTP aquilo que os seus responsáveis sonharam, uma espécie de locomotiva do horário nobre, semelhante ao que o Preço Certo faz no seu horário, alavancando a estação. Falta uma qualquer pitada de empatia e emoção ao apresentador para conseguir transformar o Joker numa reunião da família ao serão. Assim, limita-se a fazer "benzinho".


Audiências 

Ljubomir Stanisic
A primeira série chega ao fim com sentimentos mistos. Conseguiu derrotar Cristina Ferreira na grande aposta de domingo à noite, mas subsiste a dúvida sobre se nesta fase isso não aconteceria a quase todos os formatos que enfrentassem Cristina. Ou seja, se foi mérito de Ljubomir ou demérito de Cristina. A segunda série, mesmo que venha a ser adiada, tirará todas as dúvidas.

Goucha e Fátima
A troca de ironias, piadas e indiretasé um dos piores vícios na indústria televisiva, vício esse que é filho da obsessão absurda pelas redes sociais. O episódio da "santinha", piada de mau gosto trocada e respondida no triângulo Goucha-Cristina-Fátima Lopes só degrada a imagem pública dos profissionais do mesmo ofício.

Gonçalo Reis
Numa altura em que o imbróglio jurídico o mantém à frente da RTP, continuam a acumular-se os recordes negativos do canal do Estado. Este mês de maio, o canal 2 vai registar uma média de 0,9% de share. Nem 1% do auditório. Impensável.

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Só existe uma explicação para a drástica diminuição da actividade criminosa no ano de 2020 – a pandemia. A Covid-19 alterou profundamente os nossos quotidianos. Desertificou o espaço público. Diminuiu o número de pessoas em movimento, subtraiu a invasão turística a que o País estava habituado, reduziu multidões, festas, megaencontros para espectáculos ou para outro tipo de actividades. Encerrou estádios de futebol, restaurantes, hotéis, bares e discotecas.
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