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Francisco Moita Flores
Francisco Moita Flores Piquete de Polícia

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A Selvajaria

Cidades inteiras arrasadas, hospitais, escolas, estações de caminhos de ferro, aeroportos, séculos e séculos de criatividade, de imaginação, de cultura, despedaçados pela fúria dos homens. Que ganha Putin com esta destruição brutal, feita de barbárie e raiva, devastando as terras que vai conquistando? Que riqueza extrai do apocalipse que os seus exércitos instalam por cada passo para a vitória da morte e do desespero?
12 de junho de 2022 às 10:59
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ucrânia, invasão russa, rússia, tropas, militares

Tornaram-se insuportáveis as imagens da guerra. É de uma tristeza infinita sermos confrontados com o lado mais brutal da natureza humana. Com esta capacidade terrível que habita no mais sórdido recanto da Humanidade: estilhaçar a vida sem que resulte daí algo de útil para os povos sujeitos ao conflito. Cidades inteiras arrasadas, hospitais, escolas, estações de caminhos de ferro, aeroportos, séculos e séculos de criatividade, de imaginação, de cultura, despedaçados pela fúria dos homens. Que ganha Putin com esta destruição brutal, feita de barbárie e raiva, devastando as terras que vai conquistando? Que riqueza extrai do apocalipse que os seus exércitos instalam por cada passo para a vitória da morte e do desespero?

Nós, homens e mulheres, que nos distanciámos dos outros animais por necessitarmos da dimensão poética da vida, por fome de transcendência, que construímos letras, palavras, livros. Que descobrimos caminhos até aos mistérios insondáveis, que inventámos a roda, a locomotiva, o avião. Nós, que aprendemos a usar o fogo, que vencemos o espaço, que parámos rios para matar a sede. Nós, que inventámos o microscópio e todas as máquinas para o conforto, a vacina e os medicamentos, a medicina e as pontes entre civilizações. Nós, os construtores de escolas, de universidades, discípulos dos grandes mestres da pintura, da música, da literatura. Que criámos as pirâmides e os arranha céus. Que domesticámos animais, que fomos aprendendo o doce sabor da liberdade, do sonho, do amor. Nós, que recebemos a herança universal de todos os grandes génios da humanidade, que nos agigantámos na procura da paz, que jurámos mil vezes que a guerra seria o último dos atos humanos porque já não é humano. Nós, que nos apaixonámos pelo que é diferente, sonhando sermos todos iguais, aqui estamos vencidos, testemunhas impotentes do banquete de sangue dos senhores da guerra.

Quando a bestialidade explode, não há sanções, armas, solidariedades que possam destruir o mal que a besta vai semeando, como se fosse uma seara do Inferno. Desgraçadamente, Putin é apenas mais um dos predadores habitam este tempo, embora vivam longe do nosso tempo, tão iguais na selvajaria dos tempos antigos, muito antigos, onde não havia civilizações. São a descendência brutal e amoral dos herdeiros da Morte, devoradores de vidas e de sonhos.

Por tudo isto, a guerra deixou de entrar na minha televisão. Bastam as primeiras palavras sobre o tema e mudo de canal. É doloroso ver esta destruição de tudo quanto nos construiu como seres humanos desfeito à bomba com a crueldade e o prazer que lembra um festim de hienas.    

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