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Francisco Moita Flores
Francisco Moita Flores Piquete de Polícia

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E se for crime?

Nos últimos tempos multiplicaram-se movimentos anti-científicos, de índole salvífica. É neste contexto que deve ser compreendida a atitude de certos pais que recusam vacinar os seus filhos, deixando-os expostos a uma imensidão de riscos em que a morte espreita.
16 de junho de 2019 às 07:00
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Vacinas, crianças, vacinação, plano nacional de vacinas Foto: D.R.

Nos últimos tempos multiplicaram-se movimentos anti-científicos, de índole salvífica, alguns recuperando práticas ancestrais e crenças multisseculares, que representam uma regressão das mentalidades aos períodos anteriores ao Iluminismo. É neste contexto que deve ser compreendida a atitude de certos pais que recusam vacinar os seus filhos, deixando-os expostos a uma imensidão de riscos em que a morte espreita.

Não é nada de novo. Apenas a reciclagem de velho conhecimento, suportado na fé e na superstição, que temeu a ruptura que Pasteur, há cento e cinquenta anos, provocou na velhíssima convicção de que a doença e a morte eram castigos divinos. A democratização do microscópio e a descoberta do fantástico mundo das bactérias, dos vírus, dos bacilos, e por aí adiante, espantou o Mundo e marcou a História da Ciência e a História do nosso próprio conhecimento em relação às causas patológicas que, por vezes, liquidaram em massa grandes segmentos da população. Nem falo de epidemias. Quem consultar os registos de óbitos anteriores à República, vê a difteria, a tosse convulsa, a varíola, o tifo, a pneumonia como uma constante omnipresença do obituário nacional. Crianças e adultos, sem olhar à idade.

A luta pela descoberta de medicamentos, vacinas, antibióticos, sanitarismo privado e público é uma odisseia extraordinária, em tempos em que não existiam grandes farmacêuticas, que fez com que a esperança média de vida dos seres humanos ultrapassasse os sessenta anos, depois os setenta e, agora, ronde os oitenta.

Resulta daqui que o movimento anti vacínico não é de hoje. Era pré-adolescente quando, em 1965, foi implementado o Plano Nacional de Vacinação e conheci de perto as resistências, os medos, a descrença que assolaram o País. Resistências que nunca esmoreceram e que, agora, tomaram novo fôlego. Julgo que a liberdade é o fundamento máximo da Vida. Impôr a vacinação não é caminho. Investir na educação é o rumo a escolher. Porém, a Liberdade obriga a uma conjunto de deveres. Um deles é o do conhecimento mediano. Daí que considere que deveria ser considerado crime de homicídio a morte de uma criança que resulte da recusa dos pais em vaciná-lo. Não é aceitável uma tragédia dessas em pleno séc. XXI.

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