'
Francisco Moita Flores
Francisco Moita Flores Piquete de Polícia

Notícia

Eleições Perdidas

Alguém, porventura, escutou os candidatos a estes concelhos propor políticas de segurança e de prevenção que vão além dos limites do seu próprio concelho? Nem um!
10 de outubro de 2021 às 07:00
...
Filas de trânsito no "regresso à normalidade" Foto: getty images

Não é novidade. Por todo o Mundo, são as grandes metrópoles os palcos centrais da atividade criminosa. No caso português, cerca de 50 por cento dos crimes pertencem à Área Metropolitana de Lisboa e próximo de 26 por cento estão relacionados com a metrópole do Porto.

Isto é: três em cada quatro crimes pertencem às duas grandes metrópoles, sobrando pouco mais de 24 por cento para o resto do País, incluindo as ilhas.

Quer isto dizer que o conjunto de concelhos em torno das autarquias de Lisboa e Porto sofrem impactos criminais que os colocam no topo da insegurança.

Exposto o caso, alguém, porventura, escutou os candidatos a estes concelhos propor políticas de segurança e de prevenção que vão além dos limites do seu próprio concelho? Nem um!

Viver em Lisboa significa muitas vezes ter residência em Sintra, trabalhar na Amadora e ter filhos a estudar na capital.

É uma massa urbanística heterogénea habitada por milhões de pessoas de diferentes origens, de diferentes culturas, onde se processam mecanismos de socialização, de auto e de hetero-exclusão, ninhos de marginalidade, áreas de transgressão onde não é possível individualizar Loures de Odivelas, nem as duas de Oeiras e Cascais.

Neste imenso conglomerado demo-urbanístico que amplia a mesma realidade da Área Metropolitana do Porto, seria expectável discutir propostas que dizem respeito a todos os eleitores dessas duas regiões nevrálgicas do País. Que são preocupação partilhada no que respeita a transportes, mobilidade, iluminação pública, espaços verdes e de lazer para que na heterogeneidade se estabeleça alguma harmonia.

A criminalidade não se combate apenas com policiamento. Exige políticas comuns para enfrentar problemas que são de todos. Neste caos particular, foram mais umas eleições perdidas e foi uma pena. Não temos assim tantas oportunidades para discutir as nossas vidas para lá de vitórias e derrotas eleitorais.

Mais notícias de Piquete de polícia

Espancamentos noturnos

Espancamentos noturnos

O que surpreendeu o País foi o brutal espancamento ocorrido numa discoteca no Algarve, onde um segurança, credenciado por uma empresa de segurança privada, de forma brutal e desproporcionada flagelou um indivíduo que pacificamente falava com ele. As imagens são arrepiantes.
Eleições Perdidas

Eleições Perdidas

Alguém, porventura, escutou os candidatos a estes concelhos propor políticas de segurança e de prevenção que vão além dos limites do seu próprio concelho? Nem um!
Os marginais

Os marginais

Nestas eleições locais, onde estão em causa questões imediatas, de proximidade, de problemas para resolver dentro da comunidade, em cada dois eleitores, um não votou. Isto é, metade do país desinteressou-se, não quis saber, afastou-se de qualquer decisão sobre o futuro da sua freguesia e do seu concelho.
A menina

A menina

A vacina não é obrigatória. Não existe lei que possa punir quem se recusar a tomá-la. É uma decisão que se encontra na esfera individual de cada um. Os pais podem decidir, se for caso disso, estimular os filhos a querem ser vacinados. Ou não. Porém, neste caso surge outro imbróglio. Será que a decisão da menor em não ser vacinada está de acordo com a ideia que se inscreve no ‘superior interesse da criança’?
História banal

História banal

Não é novidade para ninguém que a violência doméstica continua a multiplicar vítimas atrás de vítimas num local onde se prometeu amor, em que se desejou a esperança e o carinho, a ternura e alegria por todos que habitam no mesmo lugar. Infelizmente não é assim. O problema é que continuamos a lidar com a questão sempre da mesma maneira. Quando não se sabe como resolver, entrega-se o caso à polícia e aos tribunais.
Sexo comercial

Sexo comercial

Foi necessário deixar passar alguns dias, até se conhecer a decisão do juiz de instrução que apreciou o caso. Teve a prudência de esperar por exames forenses e verificação de comunicações telefónicas. E decidiu. Embora se desconheça o processo, é certo, que não aceitou as provas de violação que lhe foram presentes. E aceitou provas de que a jovem procurou extorquir dinheiro ao atleta português sob a ameaça de uma denúncia judicial. Extorsão e sexo quando se aliam tornam-se num instrumento perverso que atinge os dois protagonistas.

Mais Lidas

+ Lidas