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Francisco Moita Flores
Francisco Moita Flores Piquete de Polícia

Notícia

Mau cheiro

Regressámos ao circo habitual. Aos arranjinhos de poder, às promessas disparatadas, ao delírio de alianças evidentes ou escondidas, aos pomposos discursos devidamente usados para sacudir a água do capote, às proclamações vagas, muitas delas sem sentido, ao apelo às emoções mais básicas, às acusações fúteis, à descoberta da frase assassina que se espera sem réplica.
28 de janeiro de 2024 às 07:00
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Pobreza, Lisboa

Já se suspeitava que ia ser assim. Porém, atendendo ao estado a que chegou o País no que respeita à desorganização institucional, à degradação de sectores fundamentais da nossa vida coletiva, julgava-se que haveria um pequeno tempero de bom senso que arrefecesse a vozearia destrambelhada, o já velho passa culpas, verdadeiro vestido de noiva de todas as campanhas eleitorais, onde se procura a culpa (e a desculpa) como a rainha da festa. É certo que uma campanha eleitoral deveria ser uma festa. Uma festa da inteligência, da criatividade, de propostas concretas para problemas concretos, provocando os eleitores, comprometendo-os com desafios coletivos para o desenvolvimento e progresso do País. Entusiasmando-os, fazendo com que façam parte de desafios que a todos dizem respeito.

Não. Regressámos ao circo habitual. Aos arranjinhos de poder, às promessas disparatadas, ao delírio de alianças evidentes ou escondidas, aos pomposos discursos devidamente usados para sacudir a água do capote, às proclamações vagas, muitas delas sem sentido, ao apelo às emoções mais básicas, às acusações fúteis, à descoberta da frase assassina que se espera sem réplica.

Faltam dois meses e já se percebeu que nenhum dos contendores leu Uma Campanha Alegre, de Eça de Queirós. Já se percebeu que o populismo, tantas vezes apostrofado como o pior dos nossos fados, se instalou definitivamente entre os arautos que semeiam coisa nenhuma, preparando-se para nos deixar mais pobres, mais suplicantes, mais servos do que cidadãos.  Alguém leu um programa com a reforma da Justiça? Ou com a reforma da Saúde? Alguém leu algum projeto de combate à desertificação que não seja o mesmo punhado de lugares-comuns que escutamos diariamente? Já existe alguém que saiba como vamos vencer a luta contra a pobreza, a favor dos sem abrigo, a favor das crianças abandonadas ou institucionalizadas?

Cheira mal a orgia de frases feitas, de apocalipses repetidamente anunciados, de gente que olha a política como um lugar que dás umas massas, já sem cuidar da dignidade, do sentido ético, do cultivo da liberdade culta, instruída, que constrói povos insubmissos.

Estamos a dois meses das eleições. Possivelmente, das mais importantes dos últimos anos, cercados de ameaças, de guerra expostas e de outras que querem nascer. É urgente outra conversa sobre desafios futuros. É urgente acelerar o passo. Para que a democracia faça sentido.

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