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Francisco Moita Flores
Francisco Moita Flores Piquete de Polícia

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Metrópoles

Em cada quatro crimes que acontecem, dois são realizados em Lisboa, o terceiro no Porto e o quarto dissemina-se pelo restante território nacional, incluindo as Regiões Autónomas.
13 de novembro de 2022 às 06:00
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Lisboa Foto: getty images

A esmagadora maioria das notícias sobre casos policiais têm como palco as duas grandes metrópoles nacionais – Lisboa e Porto. A região metropolitana da capital incorpora mais de metade dos crimes cometidos no País, enquanto a metrópole do Norte regista quase 25 por cento dos crimes cometidos em Portugal. Dito de outro modo mais simplista, em cada quatro crimes que acontecem, dois são realizados em Lisboa, o terceiro no Porto e o quarto dissemina-se pelo restante território nacional, incluindo as Regiões Autónomas.

Não admira, por isto, que quando se discutem estratégias de policiamento devam ser os dois principais epicentros da criminalidade, aqueles que merecem, ou devem merecer, uma atenção privilegiada. As concentrações demográficas e urbanísticas, assim como a mobilidade, e os conglomerados económico-financeiros convergem no sentido de aumentar polos de conflito, de ruído social, de potenciação da agressividade, de crime económico-financeiro.

Por outro lado, esta estatística revela o grave desequilíbrio social e económico que afeta o País há séculos. Digo bem, séculos! Já Fernão Lopes, nas suas Crónicas, assinalava o desequilíbrio que empurrava as populações para o litoral, com consequente abandono do interior.

O crescimento das duas metrópoles, a partir dos anos cinquenta do século passado, graças a uma industrialização anémica, mas mesmo assim atrativa de mão de obra, consolidou esta discrepância demo-urbanística cujos resultados são bem visíveis.

Este aumento exponencial de habitação, de pessoas, de disponibilidade de mercado de trabalho, foi tão veloz, tão condicionado pela pressão do crescimento que as metrópoles cresceram desordenadas, sem planificação, sem equilíbrio ambiental produzindo verdadeiros guetos, exclusões, um emaranhado de desordens ao qual a "ordem política" não quis ou não soube por travão. Nem governos, nem autarquias, olharam de frente para esta anomalia social. E as Polícias, subordinadas aos critérios políticos, vivem em sobressalto, procurando acudir aos múltiplos pedidos de ajuda.  Hoje, já é tarde para começar de novo. Mas continua a ser tempo de olhar as metrópoles com os olhos "exatos" com que merecem ser estudadas.   

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