'
Francisco Moita Flores
Francisco Moita Flores Piquete de Polícia

Notícia

O futebol indigno

Com o decorrer do campeonato, nas televisões, nos jornais, nas rádios, emergiram novos protagonistas que acenderam a quezília, o confronto, a balbúrdia. Os árbitros transformaram-se em astros. Sujeitos a um escrutínio inimaginável. E os dirigentes e adeptos no espaço público em verdadeiros comandantes da dissolução do resto de ética.
09 de maio de 2021 às 06:00
...
O momento em que o repórter da TVI filmava Pinto da Costa antes de ser agredido por Pedro Pinho Foto: TVI

A proibição de assistência aos jogos de futebol, devido à pandemia e ao confinamento, criou a expectativa de que este campeonato da I Liga decorresse sem turbulência, sem arruaceiros das claques, com a tranquilidade que resulta da própria tristeza de assistir a jogos sem público. Na verdade, o público é a alma deste jogo. Quando estamos a chegar ao final desta temporada e existe a forte possibilidade do Sporting ser campeão, para além de todos os atributos da equipa, considero que um dos fatores que pesou no sucesso deste clube foi, exatamente a ausência da sua claque. Todos se recordam que bastava o primeiro atleta pisar a relva e o clamor de insultos, de raivas, contra a equipa ou contra os seus dirigentes, transformava Alvalade num inferno para os seus próprios atletas.

Veio a acalmia. Porém, com o decorrer do campeonato, nas televisões, nos jornais, nas rádios, emergiram novos protagonistas que acenderam a quezília, o confronto, a balbúrdia. Os árbitros transformaram-se em astros. Sujeitos a um escrutínio inimaginável. E os dirigentes e adeptos no espaço público em verdadeiros comandantes da dissolução do resto de ética. Treinadores, transformados em profissionais do insulto, dirigentes revelando que são mesmo arruaceiros, incapazes de ensinar brio desportivo aos milhões de jovens que idolatram o espetáculo, espancamento de jornalistas. Enfim, um rol de brutalidade e violência que põe a nu a degradação do sistema de futebol no nosso País.

Que termine rapidamente esta época. Que os responsáveis governativos, dirigentes dos órgãos de decisão de futebol, presidentes de clubes tenham a coragem de se sentar a uma mesa, e em puro ato de contrição, decidirem um padrão de boas práticas para que seja um exemplo desportivo e não um bando de gente sem escrúpulos. Para serem o exemplo que nós queremos ver projetado em quem dirige, tal como nos revemos nos nossos ídolos que, no jogo, produzem a magia que existe no futebol. É essa dimensão cívica, pedagógica e espetacular que é exigido a quem é responsável. Nada mais!

Mais notícias de piquete de Polícia

Tony Carreira e o luto

Tony Carreira e o luto

Sara viverá aconchegada na memória de todos quantos a amam, como lembra Teófilo Braga. Até que todos os destinos se cumpram. Um abraço solidário, Tony Carreira. 
O futebol indigno

O futebol indigno

Com o decorrer do campeonato, nas televisões, nos jornais, nas rádios, emergiram novos protagonistas que acenderam a quezília, o confronto, a balbúrdia. Os árbitros transformaram-se em astros. Sujeitos a um escrutínio inimaginável. E os dirigentes e adeptos no espaço público em verdadeiros comandantes da dissolução do resto de ética.
As noivas do Além

As noivas do Além

A crer numa decisão proferida pelo Tribunal que sentenciou uma angariadora de noivas a uma pensa suspensa de prisão, a coisa anda agora pelos trezentos euros. A procura é, sobretudo, de imigrantes ilegais que, fugidos da fome, da guerra, da miséria mais cruel, receosos de serem expatriados, procuram noiva por uma hora. Não lhes tocam, ou melhor, nem as conhecem.
Jovens em Rede

Jovens em Rede

Será a Internet um bem tão absoluto que leva a jovens, ainda menores, a viverem libertos da tutela dos pais? Ou será que os pais, confortado pelo silêncio e o recato dos filhos entendem a obsessão pelas redes sociais como um processo educativo equilibrado?
A Furiosa Internet

A Furiosa Internet

Os verdadeiros génios da informática são jovens. Jovens talentos que jamais ganharão nas Polícias, os valores que lícita ou ilicitamente ganham no mercado virtual. Estamos, assim, dentro de um grande incêndio descontrolado.
A inveja

A inveja

Cristiano Ronaldo insurgiu-se perante tão grande injustiça, protestou, gritou, furioso, e sabendo que não podia responder ao árbitro como merecia, num gesto de raiva atirou fora a braçadeira de capitão de equipa. Foi o pretexto. O País invejoso, servil e incapaz ignorou o ‘roubo’ a Portugal.

Mais Lidas

+ Lidas