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Francisco Moita Flores
Francisco Moita Flores Piquete de Polícia

Notícia

O Imã

Não se percebe como as autoridades europeias, nomeadamente as espanholas, permitem que líderes radicais façam doutrinação contra os inimigos do seu próprio povo.
27 de agosto de 2017 às 08:00

Sabendo-se que ele era um radical, a quem as autoridades religiosas muçulmanas belgas recusaram a entrada, não se percebe como os espanhóis permitiram que líderes radicais façam doutrinação contra o seu povo. 

Segundo informações vindas a público, por detrás do bando de assassinos que matou a eito nas Ramblas de Barcelona estará um líder religioso, chamado Abdelbaky Es Saty, que não só procedeu à radicalização dos jovens terroristas como esteve na preparação do ataque contra a Sagrada Família, património da Humanidade, e que apenas foi frustrado por ter explodido a casa onde preparavam as bombas assassinas. Aquele indivíduo morreu na explosão. Era o Imã de Ripoll, cidade de onde eram naturais alguns dos terroristas.

É sabido que o Estado Islâmico tem a fonte de inspiração no jihadismo salafita, corrente de pensamento ultra-conservadora, cuja prática se traduz na perseguição e morte a quem eles consideram inimigo do Islão, incluindo a maioria dos muçulmanos sunitas, xiitas, e cristãos. Sabendo-se que o Imã da mesquita era um salafita radical, a quem as autoridades religiosas muçulmanas belgas recusaram a entrada na sua comunidade, não se percebe como as autoridades europeias, nomeadamente as espanholas, permitem que líderes radicais façam doutrinação contra os inimigos do seu próprio povo.

Sejamos claros. O exercício da Liberdade e da luta pelos direitos humanos é marcadamente tolerante. Nem fazia sentido que fosse de outro modo. A liberdade de pensamento, de expressão, de acção são a alma sagrada da democracia e do Estado de Direito. Mas tem um limite moral. A impossibilidade de retirar a vida a outrem, ainda que pense de forma contrária. É o crime mais grave de qualquer política criminal. Já se viu, os últimos 15 anos mostraram-no até à sociedade, que os militantes dos Estado Islâmico, seja qual for o país do mundo, pautam a sua atitude pelo ódio sem reservas e sem limite. Matam a eito. Não lhes interessa a luta política. Não lhes interessa a luta ideológica. Não lhes interessa outra coisa que não seja matar. Com qualquer arma. Seja quem for. A bárbaros desta natureza não se pode aplicar a tolerância imanente ao valor da Liberdade porque põe em causa o bem absoluto da vida. Muito menos permitir que a usem para instigar mais ódio e morte através de doutrinação grosseira. Tem razão o Imã da mesquita de Lisboa, o Imã David Munir: É preciso correr com quem prega a violência. Seja em que palco for.

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