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Francisco Moita Flores
Francisco Moita Flores piquete de Polícia

Notícia

O pesadelo-milagre

Tudo está bem quando acaba bem. Mas estará? É certo que a PJ descartou a possibilidade de ter ocorrido qualquer crime. Porém, a proteção de crianças não se consome no mero plano do direito criminal.
29 de junho de 2021 às 14:29
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Noah e os pais no momento em que o menino foi encontrado Foto: Cofina Media
O País viveu em choque durante trinta e cinco horas. De sua casa, num local ermo em Proença-a-Velha, uma criança com pouco mais de dois anos, saiu de casa e durante aquele tempo esteve desaparecida. É o maior pesadelo que se pode viver. Desaparecer é o vazio, a ausência de vida que se supõe morte, a ameaça do desaparecimento definitivo, a ansiedade por não compreender a ideia da criança (pois não tem idade para organizar um pensamento lógico), o medo de que tenha acontecido um rapto ou mesmo um homicídio. A história recente dos desaparecimentos obriga a que nos recordemos de finais felizes e de outros bem mais trágicos.

Depois do pesadelo, quando a quantidade de horas já é grande sem se saber da criança, chega o momento do milagre. É encontrado vivo e, felizmente, com saúde. Debilitado, mas com saúde.

É o momento da alegria daqueles que amam Noah e de todos quantos, pelo País fora, se reencontram com a paz. Afinal, como diz o aforismo, tudo está bem quando acaba bem.

Mas estará? É certo que a PJ descartou a possibilidade de ter ocorrido qualquer crime. Porém, a proteção de crianças não se consome no mero plano do direito criminal.

Torna-se importante saber como aquela família educa os filhos. Como os forma para a liberdade, protegendo-os de riscos e de ameaças.

É importante recordar, a propósito deste caso, que a fórmula tão repetida e tão desvalorizada que garante ‘o superior interesse da criança’ não é sobrevalorizada ou desvalorizada, conforme a avaliação dos seus principais cuidadores. É uma obrigação do Estado e de qualquer comunidade. Essa desatenção pode ser o passo involuntário que conduz a acidentes desta gravidade. Não se passa um ano em que não surjam notícias sobre crianças afogadas em piscinas. Não se passa um ano em que não se saiba de crianças que morrem atropeladas. E de outros desastres fatais.

Agora que vivemos mais um pesadelo e um milagre, é capaz de ser tempo de todos compreendermos que as crianças são o testemunho maior da nossa herança. E que, por tal motivo, devem ser protegidas como se fossem mais um pedaços de todos nós.

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