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Luísa Jeremias
Luísa Jeremias No meu Sofá

Notícia

A criação de estrelas que não existem

Este é aquele momento em que nos perguntamos: para onde estamos a caminhar? Estamos na era dos chicos-espertos que fazem qualquer coisa para ter mais fama, ganhar mais dinheiro, sem olhar sob si próprio e sob os seus talentos?
20 de junho de 2022 às 13:08
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Diogo Infante, Bernardo Sousa

Se calhar isto é um problema de idade. Habituei-me a ver grandes atores nos sítios certos. A serem respeitados, a mostrarem e sua arte com as ferramentas – a escrita, a encenação ou a realização para tal. Esta semana estava a ler uma entrevista do Diogo Infante (um desses grandes), responsável pela programação do Teatro da Trindade (um dos maiores e mais conceituados de Lisboa), onde traçava metas ambiciosas para levar o público ao teatro. É difícil, mas não é impossível. Dei por mim a pensar como conseguiria ele fazer isso se vivemos uma época em que se perdeu a noção de talento.

Se a televisão – espelho de um país – está entregue a "peixes fora de água", isto é, a manequins a fingirem que são apresentadores (e entrevistadores, o que é mais sinistro), a influenciadores que passaram de vender produtos nas redes sociais a atores ou (também) apresentadores... Enfim, uma televisão onde vale tudo desde que se grite muito, que se saibam de cor letras de músicas de bailarico e onde o tal talento e o "cada macaco no seu galho" foi substituído por um vale qualquer coisa. Mais um exemplo disso? Numa entrevista, no passado fim de semana, o piloto de ralis Bernardo Sousa, que saíra de competição, admitiu mais um vez que aceitara participar num 'Big Brother' por ideia da agente. O piloto transformado em estrela de reality TV deu-se bem e ganhou. E, na mesma entrevista, acrescentou que agora precisava "aproveitar as oportunidades". Perguntei eu, de mim para mim: quais oportunidades? As que o reality lhe traz? Patrocínios para competir? Por ser vencedor do 'BB' ou por ser um grande piloto?

Este é aquele momento em que nos perguntamos: para onde estamos a caminhar? Estamos na era dos chicos-espertos que fazem qualquer coisa para ter mais fama, ganhar mais dinheiro, sem olhar sob si próprio e sob os seus talentos? Estamos numa era de sobrevivência? De selva? Espero, sinceramente, que o Diogo Infante consiga arrastar os milhares de espectadores que se propõe ao Trindade e que lhes dê "qualidade"; espero ver mais artistas "a sério" na televisão, sejam eles músicos, atores, performers. E espero não me tornar num extraterrestre nesta sociedade "de papel". Que não percebo.

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