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Luísa Jeremias
Luísa Jeremias No meu Sofá

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Aprender com quem sabe

'Um Lugar ao Sol' passa perto da meia-noite na SIC e vale a pena ser vista. Porquê? Não, não é por ser da Globo, mas é porque a Globo soube evoluir na produção, na edição de imagens e na realização e o resultado está à vista. E que tal as fábricas de novelas portuguesas aprenderem com quem está a saber fazer bem?
29 de julho de 2022 às 06:00
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Um Lugar ao Sol Foto: Globo

Já viu, o meu caro leitor, a nova novela brasileira que a SIC acaba de estrear sem anúncio prévio – por isso já não foi a tempo de figurar nas páginas de novelas da TV Guia, onde estará, seguramente, na próxima semana – em horário tardio, mesmo para uma noite quente de verão? Chama-se 'Um Lugar ao Sol', passa perto da meia-noite e vale a pena ser vista. Porquê? Não, não é por ser da Globo, mas é porque a Globo soube evoluir na produção, na edição de imagens e na realização e o resultado está à vista. Se eu contar a história, esta irá parecer igual a dezenas que já vimos: dois gémeos são separados à nascença; um cresce rico, o outro pobre e a vida encarrega-se de os cruzar. Básico, não é? Parece, mas não é. O que faz a diferença deste argumento "mais do mesmo" para o que vemos em ecrã é a forma como é escrito e tratado para o horário nobre da Globo, no qual passou no ano passado, antes de 'Pantanal' estrear – que agora também é exibida à 1 da manhã na SIC, com intervalos de 10 minutos que, àquelas horas, são fatais. Horário nobre da Globo que, note-se, é visto por milhões de espetadores de todas as idades e estratos sociais, letrados e analfabetos, falando de forma prática. E no entanto...

E no entanto a Globo não teve medo de inovar na linguagem e na forma como a história é contada. 'Um Lugar ao Sol', a partir da tal história básica dos gémeos separados ainda bebés, tem uma edição ágil, relatando histórias em simultâneo dos dois irmãos, fá-lo de uma forma "moderna", com sabor a cinema e a vídeos para redes sociais. Mais: tem uma luz bonita, dá atenção aos detalhes, tem espaço para monólogos, como nos livros, sem que isso se torne chato. Pelo contrário; prende, porque é novo. Até as cenas de sexo não surgem de forma descabida, só porque sim. Ali, cada frase tem uma consequência, ou uma razão para ser dita, conhecida adiante na ação. Ou seja, está perfeito – tanto na forma como na apresentação. 'Pantanal', que seguiu esta linguagem, aperfeiçoou-a. Cada silêncio, ali, é precioso e conta para a história.

Perante isto, a questão inevitável que se coloca é: e que tal as fábricas de novelas portuguesas aprenderem com quem está a saber fazer bem? E não, não estou a falar de 'Festa é Festa', que é o básico do básico, mas de 'Por Ti', uma vergonha de "mais-do-mesmo" a achar-se a última bolacha do pacote.

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