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Luísa Jeremias
Luísa Jeremias No meu Sofá

Notícia

Informação (também) é proximidade

No último domingo, em plena Feira do Livro de Lisboa, fui surpreendida com uma fila gigante para pedir autógrafos de um autor. Não era Lobo Antunes – o campeão desse feito. Era José Milhazes!
09 de setembro de 2022 às 12:13
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Deixem-me contar uma história que presenciei. No último domingo, em plena Feira do Livro de Lisboa, fui surpreendida com uma fila gigante para pedir autógrafos de um autor. Não era Lobo Antunes – o campeão desse feito. Era José Milhazes! "É sempre assim. Filas enormes de pessoas para o conhecerem e terem um autógrafo", contava-me uma editora quando a questionei se "era normal" tanto entusiasmo.
Na verdade, José Milhazes – que até já tem direito a um "boneco" de Herman José – tornou-se uma das figuras mais populares da televisão – e, logo, também do mundo dos livros – sobretudo desde o começo da invasão da Ucrânia, que coincidiu com as suas crónicas praticamente diárias na SIC sobre o conflito. Além de ser "uma figura", conhecer a Rússia – e, noutros tempos, a União Soviética – como raros, Milhazes é ainda um "desbocado". Ou seja, um daqueles comentadores que "diz tudo como os malucos", sem medir palavras, tentando apenas dar o seu ponto de vista sobre a atualidade. E isto, em televisão, é garantia de popularidade! Daí até ao seu livro, 'Breve História da Rússia', se tornar um êxito e as filas de leitores à espera da foto e/ou autógrafo crescerem é um instante. Falo do José Milhazes e deste pequeno exemplo para explicar o que, por vezes, aproxima os espectadores de um canal e os afasta de outros.

Quando a pandemia "rebentou", há dois anos, Rodrigo Guedes de Carvalho, o pivô que falava ao coração dos portugueses numa época de medo, tanto para lhes dar "broncas" sobre o seu comportamento como esperança sobre os dias por chegar, era o homem que todos queriam conhecer, que admiravam... porque partilhava os mesmos medos e anseios que o cidadão comum. Clara de Sousa é a pivô que está fresca e gira ao 50 e que ainda por cima é boa cozinheira. Marques Mendes é "fofo" – como Marcelo foi, a seu tempo, na TVI, quando ocupava o cargo de "o professor" comentador político e mantinha uma amizade cúmplice e divertida com Júlio Magalhães.

Televisão, até no que toca à informação, é proximidade, identificação. Pedro Mourinho, "herói" da guerra da Ucrânia, que acaba de trocar a TVI pela líder do cabo, CMTV, que o diga. E tudo isto se traduz em audiências (e vendas de livros). Só não vê quem não quer. 

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