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Luísa Jeremias
Luísa Jeremias No meu Sofá

Notícia

Já não há românticos como antigamente...

Ricardo Landum merece uma referência com vénia. É um dos nomes incontornáveis da música popular portuguesa. Já não se fazem "Landuns" como antigamente. Autores que falem dos amargos de boca do amor, das traições que arrasam, dos amores impossíveis, da vida como ela é, no mais incrível mas também no mais violento. Romantismo, na sua génese.
06 de maio de 2022 às 06:00
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ricardo landum, casamento toy

Uma destas noites estava eu entretida a ver a 'Curva da Vida' do cantor Leandro, no 'Big Brother Desafio Final', quando comecei a ouvi-lo falar do início da sua carreira na música. E de repente, discretamente, vejo escrito no quadro onde se fazem confissões no programa o nome "Ricardo Landum". Landum merece uma referência com vénia. É um dos nomes incontornáveis da música popular portuguesa. Não pimba, popular, ou melhor, romântica. Landum é autor. Escreveu para artistas como Tony Carreira – o seu maior e mais importante parceiro –, mas também Ágata, Ruth Marlene, entre muitos outros da "velha guarda". Lembra-se da letra de 'Afinal havia outra'? É dele, por exemplo. E o que quero eu dizer com isto?Que já não se fazem "Landuns" como antigamente. Autores que falem dos amargos de boca do amor, das traições que arrasam, dos amores impossíveis, da vida como ela é, no mais incrível mas também no mais violento. Romantismo, na sua génese.

Vi Leandro – que também já não é "dos novos", têm carreira feita no meio – falar deste autor e pensei cá para mim como de facto muito tinha mudado no mundo pimbo-popular, nas letras que escutam nos bailes de aldeia. Antes era 'Depois de Ti mais Nada', agora é o 'Tik Tok' e o 'Vou alugar um Quarto' e mais um monte de banalidades das quais se falam nas redes sociais mas representam o vazio em que tornaram até, calcule-se, os amores. O valor da letra foi transportado para os pulos que podiam ser dados ao som da música, inspirada ora num ‘kuduro’ adaptado à feira, ora num reggaeton básico, com uma batida sempre igual, que garante o objetivo: pôr toda a gente a dançar, mas não passa disso.

Chamem-me romântica, com esta conversa de quem valoriza a letra em vez da facilidade da música conseguida num sintetizador que faz o mesmo trabalho de um saído dos anos 80, de uma caixa de ritmos que repete fórmulas. Claro que tudo funciona. Afinal, é festa que o povo quer. Mas e se a festa corre mal e é preciso curtir a "dor de cotovelo"? Ah, pois é... Já não há letras para isso. Restam os clássicos... do género. Assim sendo, obrigada pela lembrança, Leandro. Romantismo nunca é demais nos tempos que correm...

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