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Luísa Jeremias
Luísa Jeremias No meu sofá

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O cada vez mais evidente “separar das águas”

Vamos voltar atrás dois anos. Os Globos de Ouro de 2019 ditaram o princípio do fim de Cristina Ferreira na estação para onde se havia mudado e onde era a estrela mais cintilante. Cristina vivia um momento de glória: era líder de audiências, era rainha na internet, vendia a própria estação onde estava e o aumento de capital desta, enfim, transformara-se numa espécie de Midas, já que virava "ouro" tudo aquilo em que tocava. Eleita para apresentar a mais importante gala da SIC, a fada milagrosa da estação decidiu aproveitar o momento e ela própria brilhar. Fez um desfile de modelos de vestidos, quase ofuscou convidados e tanto, mas tanto fez que no final se viu isolada no seu pedestal, agarrada a Cláudio Ramos.
08 de outubro de 2021 às 06:00
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Cristina Ferreira

No momento em que TVI se aproxima "perigosamente" da SIC, ameaçando o reinado tranquilo de Daniel Oliveira – que teima em durar apesar das investidas do lado da concorrente Cristina Ferreira – eis que a estação de Balsemão apresenta uma gala dos Globos de Ouro que faz questão de mostrar como é diferente da sua mais direta rival.

Vamos voltar atrás dois anos. Os Globos de Ouro de 2019 ditaram o princípio do fim de Cristina Ferreira na estação para onde se havia mudado e onde era a estrela mais cintilante. Cristina vivia um momento de glória: era líder de audiências, era rainha na internet, vendia a própria estação onde estava e o aumento de capital desta, enfim, transformara-se numa espécie de Midas, já que virava "ouro" tudo aquilo em que tocava. Eleita para apresentar a mais importante gala da SIC, a fada milagrosa da estação decidiu aproveitar o momento e ela própria brilhar. Fez um desfile de modelos de vestidos, quase ofuscou convidados e tanto, mas tanto fez que no final se viu isolada no seu pedestal, agarrada a Cláudio Ramos, fiel escudeiro nos bons e maus momentos, em versão "só os meus me compreendem". Começou aí a rutura. Por evidentemente Cristina e Balsemão terem visões muito diferentes do que é televisão – em particular "aquela" televisão – e perceberem, cada um à sua maneira, que não pertenciam à mesma tribo. O que aconteceu a seguir é do conhecimento público.

Dois anos depois, em plena competição, a SIC fez questão de vestir o "vestir o fraque" e mostrar que "o dinheiro antigo tem uma patine diferente do novo riquismo" – salvaguardando a metáfora. Assim, elegeu uma figura da informação para ser a discreta apresentadora – de um só vestido (como quem diz, mais vale um bom do que vários maus), desfilou categorias onde é rainha – como o humor – ou onde faz questão de manter cuidado – como a criação de ficção. Mais: homenageou os "seus" e os "outros", com a mesma emoção. Só meteu os pés pelas mãos na escolha da produtora que assinou a gala e não soube garantir que tudo correria na perfeição – nos 25 anos do evento. Salvaguardando o disparate, mostrou o que queria: que a SIC tem um ADN. E que as águas não se misturam.

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