'
Luísa Jeremias
Luísa Jeremias No meu Sofá

Notícia

O que vale mais? Talento ou seguidores?

Toda a gente tem direito e dever de evoluir, de crescer. Desde que tenha capacidade para isso, que possa abrir as asas e percorrer os céus mostrando talento. Trocá-lo por seguidores é que não. Ter atrizes e atores no desemprego para dar a vez a quem possa trazer popularidade ao produto televisivo... é pouco.
16 de julho de 2021 às 07:00
...
Nuno Lopes, White Lines

Houve uma época em que era ator quem sabia representar, quem dava provas, brilhava no palco ou no plateau e causava emoções no público. Era apresentador quem sabia falar, criava empatia, articulava frases sem gaguejar nem dizer disparates,

Hoje, os conceitos de ator e de apresentador de televisão mudaram drasticamente.

Vamos a exemplos práticos. Esta semana, a TVGuia foi às gravações de O Pai Tirano. O remake do original, que dará origem a uma série e um filme, está a deixar os atores nas nuvens. Não houve quem não elogiasse a produção, se sentisse um "privilegiado" por participar no projeto, quisesse falar sobre a experiência. Este é o fenómeno que presenciamos quando vamos a gravações de séries da RTP ou de projetos como Esperança ou Prisão Domiciliária. Há orgulho no produto. Há orgulho também em voltar a subir a um palco, a ir, como Pêpê Rapazote, para a Colômbia, gravar uma série, em ter Nuno Lopes na Netflix a protagonizar White Lines. Chama-se a tudo isto poder ser ator. Ator de verdade. Não um influenciador, um caçador de likes nas redes sociais transformado naquilo que não é. O seu a seu dono.

Nada contra as novas formas de negócio digital, que têm como rostos verdadeiros "vendedores" de produtos e marcas que dão o seu melhor, ganham o seu (em espécimes – como se tivéssemos voltado à Idade Média, à troca direta –, ou na forma monetária) e assim sobrevivem ou, em alguns casos, enriquecem. Tudo contra transformar caras larocas que se dão bem nas redes sociais em atores ou apresentadores. Porque, convenhamos, uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa.

Toda a gente tem direito e dever de evoluir, de crescer. Desde que tenha capacidade para isso, que possa abrir as asas e percorrer os céus mostrando talento. Trocá-lo por seguidores é que não. Ter atrizes e atores no desemprego para dar a vez a quem possa trazer – através dos alegados seguidores, muitos deles até inexistentes – popularidade ao produto televisivo... é pouco. Quando falha talento, falha tudo. E as provas estão à vista, no ar, e não é preciso ser inteligente para as encontrar.

Mas atenção, que esta história também se conta ao contrário. Há talentosos que se encostaram. Perceberam que ganham mais a vender nas redes sociais do que a ser atores. Uma pena. Eles(as) sabem quem são e o que estão a perder.

Mais notícias de No meu Sofá

Querido Rogério

Querido Rogério

De repente perdemos a Maria João Abreu (já para não falar de Sara Carreira), o Filipe Duarte, o Pedro Lima e agora temos o Rogério neste ponto. O ponto "mas o que é que vai acontecer". O ponto "e agora?", o ponto "tanto para fazer"... Então, Rogério, vamos ver se nos entendemos: trata de te pôr bom rapidamente. Sabes porquê? Porque já és dos raros. Dos raros que fazes falta no cinema, na televisão, no palco, onde te der na gana trabalhar.
De Cristina a Catarina: o que as distingue?

De Cristina a Catarina: o que as distingue?

'É Urgente o Amor' tinha tudo para ser mais um programa lamechas, daqueles que já nos habituámos a ver em todos os canais, a puxar à lágrima fácil, que conta histórias de gente anónima que por alguma razão decide dar a cara e aparecer na televisão para expor a sua história. No entanto, o formato é algo totalmente diferente disso. E há uma razão para ter conseguido "dar a volta": Catarina Furtado.
O que vale mais? Talento ou seguidores?

O que vale mais? Talento ou seguidores?

Toda a gente tem direito e dever de evoluir, de crescer. Desde que tenha capacidade para isso, que possa abrir as asas e percorrer os céus mostrando talento. Trocá-lo por seguidores é que não. Ter atrizes e atores no desemprego para dar a vez a quem possa trazer popularidade ao produto televisivo... é pouco.
No futebol como na vida…

No futebol como na vida…

Somos uns queridos, nós, neste nosso Portugal. Há coisa de dois meses metemos na cabeça que a pandemia já era, repetimos "isto já não fecha", fizemos nossa a voz de governantes e de "sábios" que espalham doutrina da treta nas redes sociais. Como bons treinadores de sofá, opinámos e fixamo-nos na estrada de forma mais ou menos afoita. Afinal, já estávamos – como não cansávamos de repetir – no "pós-pandemia".

Mais Lidas

+ Lidas