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Carlos Rodrigues
Carlos Rodrigues Televisão Meu Amor

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Costa tem mais audiência

No balanço da primeira semana de debates televisivos, o duelo entre o líder do PS e o líder do PCP foi o mais visto até ao momento. Curiosamente, a coordenadora do Bloco de Esquerda é quem tem menos espectadores nos debates emitidos em antena aberta.
13 de setembro de 2019 às 07:00
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debate, política, assunção cristas, rui rio, sic, psd, cds Foto: Tiago Sousa Dias

Os debates, no dia em que escrevo, começaram há uma semana. A maior parte dos duelos foi emitida nas generalistas e no cabo ao mesmo tempo. Duas exceções: Assunção Cristas contra Catarina Martins, dia 3, deu apenas na RTP3, e André Silva contra, novamente, Catarina Martins, dia 7, só passou na SIC Notícias. Foram, naturalmente, os menos vistos de todos, com apenas 60 mil espectadores.

Eis o primeiro elemento relevante de análise, porque o PCP não aceitou debates só no cabo. Por essa razão, Jerónimo terá apenas dois duelos: um com António Costa, na SIC, realizado dia 2, e outro com Rui Rio, dia 12, na RTP1.

Talvez devido a essa menor exposição, o programa que opôs Jerónimo a Costa foi, até agora, o mais visto, com um milhão e 100 mil espectadores, na SIC. É claro que os debates na SIC deverão, sempre, ter mais espectadores. É o canal mais visto. Mas o efeito não é linear. Por exemplo, também na SIC realizou-se o debate entre Cristas, do CDS, e Rio, do PSD. Só teve 927 mil espectadores, menos 170 mil que o duelo entre PS e PC.

Noutro patamar estão os confrontos na RTP1. Dia 6, António Costa e Catarina Martins cativaram 680 mil pessoas. Talvez não seja na disputa entre PS e Bloco que reside o maior foco de  curiosidade. Rui Rio e André Silva, também na RTP1, conseguiram mais espectadores que PS e Bloco: 697 mil espectadores ouviram os líderes do PAN e do PSD. Costa sempre à frente de todos, CDS e PSD com muito público na guerra intestina à direita, PCP com maior curiosidade que o resto da esquerda, Bloco em baixa. Eis o retrato que sai da primeira semana de debates na televisão.                                       

'NAZARÉ'
Perto de 30% de share, um milhão e meio de espectadores, a estreia de 'Nazaré' indicia novo sucesso. A partir de agora, começa o grande desafio para a SIC na ficção: liderar para fazer igual é inútil. Inovar é preciso. No jornal da SIC, os novos tempos levam actores a estúdio, 'infortainment' pouco usual no canal.  

VAI TUDO ABAIXO
A TVI vai destruindo a generalidade dos formatos que, em tempos, foram bem sucedidos na televisão portuguesa. Quando acabar esta revoada de Queluz de Baixo vai ser preciso renovar toda a gama de entretenimento e ficção, porque está tudo a ser queimado pelo fracasso. Agora, foi o 'MasterChef'. Era crónico vencedor. Fez 14%. Morreu o 'MasterChef'. 

O CAOS TÉCNICO NA TVI
Há uma outra dimensão na crise da TVI que habitualmente passa despercebida, exceto quando tem impacto no ar. Falo da obsolescência tecnológica. Quinta-feira, o canal ficou sem áudio, e ninguém, em estúdio, deu por isso. A certa altura, foi tudo a negro, durante um bom pedaço: em rigor, 4 minutos, uma eternidade. De repente o estúdio voltou a ter imagem, mas continuou sem som, até que uma explicação sintética chegou, num rodapé, e, mais de 20 minutos depois do início da avaria, tudo se normalizou, por fim. Assim, não há canal que resista.

O FRACASSO DE CRISTINA
A direção da SIC estava dividida, mas a realidade impôs-se, e o concurso de Cristina Ferreira às 7 da tarde vai acabar, segundo noticiou esta revista. O formato é fraco, foi lançado nas férias da apresentadora, houve demasiada SIC e muito pouca Cristina em 'Prémio de Sonho'. Como a SIC é muito diferente da TVI, ainda está por provar que a apresentadora consiga ter sucesso em mais do que um horário ao mesmo tempo.

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