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Debates televisivos são decisivos? Olhe que não, sr. doutor!

Os duelos entre líderes partidários em campanha eleitoral têm um valor simbólico cada vez menor. Agora que começaram os debates televisivos para as legislativas, convém ter esta limitação em mente.
06 de setembro de 2019 às 14:18
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Debates televisivos são decisivos? Olhe que não, sr. doutor!
Foto: Cofina Media

É cada vez mais difícil avaliar qual o verdadeiro papel da televisão numa eleição democrática. A força dos debates é notada como fator politicamente relevante desde o célebre duelo Kennedy-Nixon, nos Estados Unidos, na década de 60. Nos tempos mais recentes, essa força está sujeita a um desgaste simbólico cada vez maior. Exemplos recentes? Hillary derrotou, ou pelo menos assim foi unanimemente entendido, o candidato antissistema Donald Trump, que veio a ser eleito de forma categórica.

Mesmo entre nós, os debates perderam progressivamente a carga mítica adquirida no duelo entre Mário Soares e Álvaro Cunhal, em 1975. Um exemplo: Basílio Horta, hoje um bem integrado autarca do PS, candidatou-se contra Mário Soares e disse do antigo Presidente o que nunca ninguém ousou dizer. Soares foi obrigado a esclarecer que não era nenhum "chefe de gangue". Pois bem, de Basílio não reza a História, e Soares fez o percurso que se conhece. Outro exemplo: o debate entre candidatos à liderança do PSD, em janeiro de 2018. Nesse dia, o duelo entre Rio e Santana foi um dos mais desequilibrados da história política portuguesa. Santana trucidou televisivamente Rui Rio, mas foi o ex-autarca do Porto que subiu à liderança do partido. Esse foi o momento em que o País se confrontou com os limites dos debates televisivos.

Há hoje um crescente entendimento de que um debate serve, acima de tudo, para convencer quem já está convencido, para unir as hostes de cada lado através da afirmação de força dos respetivos candidatos. Será o duelo Costa-Rio decisivo para as eleições de 6 de outubro? Olhe que não, senhor doutor. Olhe que não!

MUDANÇAS A GRANEL
Aparentemente sem critério definido, o conjunto de mudanças que a nova gestão da TVI prepara para a antena. Anunciam-se mudanças nas manhãs, nas tardes, nas novelas, em vários horários. Em televisão generalista, quando se está em perda, muitas vezes mexer demasiado é o pior remédio. Cá estaremos para analisar. 

TELE-DEMOCRACIA
CristasMal, CristasBem, CostaMal, CostaBem. As entrevistas da TVI recuperam um formato dos anos 90, estreado, na altura, na própria TVI, em que os espectadores avaliam em tempo real o desempenho e os argumentos dos entrevistados. Uma solução que cheira a mofo, antiquada, e que não passa de mero ruído. Estranho os políticos ainda se sujeitarem a este tipo de exercícios.

TOY CONTRA 'MASTERCHEF'
A estreia da nova edição do programa de Goucha, domingo à noite, na TVI, obrigou a SIC a ir a jogo com um episódio "especial" da novela 'Golpe de Sorte', que incluiu um enxerto de Toy a cantar na íntegra o seu superêxito da música popular, 'Coração Não tem Idade', devidamente dançado por todo o elenco, forma eficaz de abrilhantar e prolongar a trama. A novela, mais a "Mensagem" de Raminhos: eis a dupla que assegurou a contraprogramação, e estancou a estreia de Manuel Luís Goucha, que perdeu, mais uma vez, agora noutro horário.

UM ERRO NO MERCADO
Foi um dos erros mais comentados das televisões portuguesas. Foi partilhado nas redes sociais de forma avassaladora, com a omnipresença só ao alcance das redes sociais. No 'Mercado Aberto', da SIC Notícias, "há de jogar" transformou-se em "à de jogar". O programa, ele próprio um erro para o canal, fica eternizado por uma gralha que parece uma anedota, mas que é um tratado de sociologia sobre o ensino em Portugal.

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