Carlos Rodrigues
Carlos Rodrigues Televisão, Meu Amor

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Jornalistas em perigo

No espaço de 1 ano, 3 repórteres foram assassinados na União Europeia. Todos investigavam esquemas de corrupção, máfias e poder político. A democracia jamais pode ser dada como adquirida.
12 de outubro de 2018 às 20:35
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Jornalistas em perigo
Viktoria Marinova foi violada e estrangulada até à morte. Era jornalista búlgara e apresentava um programa de investigação numa televisão local. Recentemente, tinha emitido denúncias sérias sobre esquemas de corrupção com os fundos da União Europeia, esquemas esses que poderão implicar empresários e políticos locais, e magnatas russos. O corpo foi encontrado sábado passado, na sua vila natal, Ruse, a norte da capital, Sófia.

Jan Kuciak era jornalista na Eslováquia e vivia perto da capital, Bratislava. Foi encontrado morto em casa, a 21 de Fevereiro deste ano, e o corpo estava estendido ao lado do cadáver da companheira. Ambos abatidos a tiro.

Jan Kuciak estava a trabalhar num artigo sobre ligações perigosas entre as máfias locais e políticos da capital, ligações essas que poderiam implicar elementos do próprio governo. Não chegou a acabar o texto. A generalidade das biografias dizem que o trabalho de Jan costumava "incomodar o poder político".

Há um ano, em Outubro de 2017, Daphne Caruana Galizia foi assassinada à bomba quando entrava no seu carro, à porta de casa, na cidade maltesa de Bidnija, a 15 minutos da capital, La Valetta. Daphne tinha a reputação de denunciar negócios menos sérios das elites locais.

O jornalismo livre é uma condição essencial da democracia, e um dos princípios fundamentais da civilização ocidental. A sequência de assassinatos no território da União Europeia é preocupante, e exige investigações policiais escrupulosas para identificar os responsáveis. Quando o magno valor da vida é violado, tudo o mais se apaga e torna irrelevante. Aqui fica a homenagem aos três.

ADEUS PRÓS & COTNRAS

É sempre um fracasso quando um canal acaba com um programa. Tal sentimento é ainda mais profundo quando se trata de um formato com mais de uma década. A RTP desistir do Prós & Contras revela que a empresa é incapaz de renovar seja o que for, e põe a nu a degradação simbólica da televisão do Estado.

A RTP3 RESISTE

A tragédia dos fogos voltou a rondar o País. Na noite de sábado para domingo, as chamas atacaram o parque de Sintra/Cascais. Uma nota sobre a RTP3: mesmo sem estúdio, que fechou à hora do costume, repórteres como Lavínia Leal aguentaram a emissão, sozinhos no terreno, até tarde na noite. Prova de que o canal é um fracasso, mas não por culpa da redacção.

LEVANTA-TE E RI

Depois da experiência, e sobretudo do resultado da emissão especial do passado domingo, vai ser difícil à SIC não recuperar rapidamente o formato de stand up comedy para a sua grelha semanal. O Levanta-te e Ri foi uma bandeira da direcção de Programas de Manuel Fonseca que caiu em desgraça quando, de alguma forma, se esgotou o humor. O excesso de exposição de um programa assim dificulta a manutenção da qualidade mínima, porque nem sempre há a mesma inspiração. Mas as temporadas mais curtas podem aprimorar o formato. Vêm aí três meses de Levanta-te?

MANUELA CONTRA MIGUEL

Os jornais da SIC e da TVI vão passar as próximas semanas com este duelo de comentadores, à segunda-feira. Se o ADN da SIC pode alterar-se com este reforço, como já aqui analisámos, no caso da TVI os efeitos serão mais gravosos, porque Sousa Tavares vai ter capacidade editorial. Isso vai transportar o noticiário para uma dimensão mais intemporal. Na estreia, Manuela andou à frente da TVI. Entrada de leão!

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